Resumo da Notícia
Uma solução criada por estudantes do Rio Grande do Norte pode ajudar a enfrentar um dos impactos ambientais associados aos parques eólicos: a colisão de aves com estruturas usadas na geração de energia.
A equipe de robótica SESI Bat Tech, formada por alunos da SESI Escola de São Gonçalo do Amarante, desenvolveu uma espécie de “tinta” que reflete uma cor capaz de tornar torres eólicas mais visíveis para as aves, permitindo que elas desviem o percurso.
O projeto, chamado BAT Solution, nasceu da aproximação entre robótica, sustentabilidade e demandas reais da indústria. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Global Wind Energy Council (GWEC), principal associação comercial internacional que representa o setor de energia eólica mundial.
“Desenvolvemos uma solução química para as pás das eólicas que visa combater a mortalidade de aves e o impacto ambiental nos parques”, explicou Josinaldo Araújo, do SESI-RN, um dos técnicos responsáveis pelo projeto.
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Solução potiguar será apresentada em competição internacional
A proposta criada pelos estudantes foi um dos trabalhos que levaram a equipe potiguar ao Western Edge Premier Event, da FIRST Tech Challenge (FTC), um dos principais torneios internacionais de robótica. A competição aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos, entre os dias 28 e 31 de maio.
Na disputa, os alunos apresentaram o BAT Solution e outros projetos desenvolvidos ao longo do ano. A ideia central é usar a robótica e a tecnologia para responder a problemas concretos do setor produtivo, como eficiência, redução de custos e impactos ambientais.
O projeto da “tinta” se destaca justamente por transformar uma questão complexa em uma solução aplicável ao cotidiano de empresas do setor eólico. Em vez de ficar restrita ao ambiente escolar ou ao laboratório, a proposta dialoga com uma atividade econômica estratégica para o Rio Grande do Norte e para o Brasil.
O que é a FIRST Tech Challenge?
A FIRST Tech Challenge (FTC) é uma competição internacional voltada a estudantes do ensino médio. As equipes participantes projetam, constroem e programam robôs para executar tarefas em partidas disputadas em alianças.
Mas o torneio não se limita ao robô em si. A FTC também valoriza competências como raciocínio lógico, trabalho em equipe, resolução de problemas e desenvolvimento de projetos sustentáveis, sociais, ambientais, empreendedores e de outras áreas.
Essa característica explica por que a SESI Bat Tech levou aos Estados Unidos não apenas uma máquina construída para competir, mas um conjunto de ideias com impacto fora da arena.
“Não se trata apenas de uma competição de robôs. Os alunos vão apresentar os projetos, os cinco projetos, em busca de prêmio que não são diretamente relacionados com os robôs, mas sim relacionados com projetos sociais, ambientais, empreendedorismo, alcance, engajamento, marketing”, explicou o técnico Josinaldo Araújo, do SESI-RN.

Além da solução voltada aos parques eólicos, a equipe desenvolve outras frentes de atuação. Uma delas busca ampliar o acesso à robótica em regiões com menores indicadores educacionais.
“Além desse projeto, temos outras frentes importantes, como o trabalho de levar a robótica para o Sertão brasileiro, focando em capacitar escolas que possuem os menores índices de educação do país”, explicou Josinaldo Araújo.
A equipe é formada pelos estudantes Guilherme Massami, Raycka Cavalcante, João Davi, Pedro Santos, Emanuel Arcanjo e Gustavo Lins. Eles foram acompanhados pelos técnicos Josinaldo Araújo, do SESI-RN, e Dimas Alves, do SENAI-RN.
Ao longo do ano, estudantes e orientadores participaram do desenvolvimento dos projetos, além da criação e montagem dos robôs.
Connect Award abriu caminho para torneio nos Estados Unidos
A classificação para a competição na Califórnia veio após a conquista do Connect Award no Torneio Nacional de Robótica do SESI, realizado no início de março, em São Paulo.
O prêmio reconhece a equipe que melhor consegue conectar a robótica às necessidades da indústria. No caso da SESI Bat Tech, essa conexão aparece no BAT Solution, ao unir conhecimento técnico, preocupação ambiental e aplicação prática no setor eólico.
“O diferencial do nosso projeto, o BAT Solution está na capacidade de transformar problemas complexos em soluções simples e eficientes, gerando impacto concreto no setor produtivo”, destacou o estudante Guilherme Massami.
A superintendente regional do SESI-RN, Danielle Mafra, afirmou que o resultado reforça a preparação dos alunos para desafios nacionais e internacionais.
“Esses resultados mostram a capacidade dos nossos estudantes e evidenciam que eles estão preparados para competir dentro e fora do país, como também para atuar em cenários cada vez mais desafiadores e conectados com a indústria”, disse a superintendente regional do SESI-RN, Danielle Mafra.
Por que o projeto chama atenção?
O BAT Solution chama atenção porque parte de uma demanda concreta: reduzir a mortalidade de aves em parques eólicos. A solução química desenvolvida pelos estudantes reflete uma cor que ajuda as aves a perceberem as estruturas eólicas e mudarem a rota antes da colisão.
A iniciativa também aproxima a educação básica de discussões industriais e ambientais de alta relevância. Ao trabalhar com energia eólica, sustentabilidade e inovação, os estudantes demonstram como a robótica pode sair do campo experimental e contribuir para problemas reais da sociedade.
No caso do Rio Grande do Norte, estado com forte presença do setor eólico, o projeto ganha ainda mais sentido. A proposta mostra que alunos do ensino médio podem produzir soluções com potencial de diálogo direto com uma das principais cadeias econômicas ligadas à energia renovável.
