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Galáxias antigas podem ser até quatro vezes mais massivas, indica estudo com o James Webb

Análise de nove galáxias encontrou excesso de estrelas pequenas e pouco luminosas; resultado publicado na Nature Astronomy amplia o desafio aos modelos de formação galáctica.
Galáxia espiral UGC 10043 observada pelo Telescópio Espacial Hubble
Imagem ilustrativa: galáxia espiral UGC 10043 — ESA/Hubble & NASA

Resumo da Notícia

  • Pesquisadores combinaram espectros do James Webb e do VLT para analisar nove galáxias antigas já sem formação ativa de estrelas.
  • As galáxias mais massivas mostraram excesso de estrelas pequenas e pouco luminosas, que podem ter escapado de estimativas anteriores.
  • Em um dos casos, o padrão sugere que a galáxia se formou quando o Universo tinha menos de 1,2 bilhão de anos.
  • O resultado pode elevar em cerca de quatro vezes a massa estimada de algumas galáxias muito antigas, mas depende de modelos e de uma amostra pequena.

Uma população de estrelas pequenas e pouco luminosas pode estar escondendo grande parte da massa de galáxias antigas. Um estudo publicado na Nature Astronomy, baseado em observações do Telescópio Espacial James Webb e do Very Large Telescope, indica que algumas dessas estruturas podem ter até quatro vezes a massa estimada por métodos tradicionais.

O resultado não significa que todas as galáxias do Universo primitivo sejam quatro vezes maiores do que se imaginava. A análise reuniu apenas nove galáxias massivas que já haviam interrompido a formação de estrelas, e a estimativa mais elevada está ligada a um objeto específico da amostra. Ainda assim, o trabalho coloca pressão adicional sobre os modelos usados para explicar a formação das primeiras grandes galáxias.

Como o James Webb encontrou estrelas que quase não aparecem

Estrelas grandes e brilhantes dominam a luz que chega de uma galáxia distante. As estrelas de baixa massa são muito mais numerosas, mas emitem pouca luz e ficam escondidas no brilho das maiores. Por isso, astrônomos não costumam contá-las diretamente: eles estimam sua quantidade a partir de uma distribuição chamada função de massa inicial.

Tradicionalmente, essa conta pressupõe uma proporção de estrelas pequenas e grandes semelhante à observada na Via Láctea. A equipe liderada por Chloe Cheng, da Universidade de Leiden, testou essa suposição com espectros ultraprofundos obtidos pelo instrumento NIRSpec do James Webb.

Os pesquisadores combinaram esses dados com observações do levantamento LEGA-C, feitas pelo Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul. Pequenas características de absorção no espectro permitiram estimar a participação das estrelas menos massivas, mesmo sem enxergá-las individualmente.

O que o estudo encontrou

As galáxias mais massivas da amostra apresentaram uma distribuição “pesada na base”: havia mais estrelas pequenas do que o esperado pelo padrão da Via Láctea. Como esses astros concentram massa sem contribuir na mesma proporção para o brilho, a massa total pode ter sido subestimada.

O caso mais marcante é o da galáxia mais antiga analisada, cuja formação teria ocorrido quando o Universo possuía menos de 1,5 bilhão de anos. Se as galáxias ainda mais remotas observadas pelo Webb apresentarem distribuição semelhante, suas massas poderiam aumentar por um fator aproximado de quatro, com incerteza de uma unidade para mais ou para menos.

Cobertura relacionadaBrasil verá eclipse lunar de mais de cinco horas entre quinta e sexta-feira
O estudo demonstrouO estudo ainda não demonstrou
Excesso de estrelas de baixa massa nas maiores galáxias da amostraQue todas as primeiras galáxias têm a mesma composição
Espectros compatíveis com massas maiores do que as estimativas tradicionaisQue o modelo atual de formação de galáxias esteja definitivamente errado
Uma relação que pode ampliar a tensão com as simulações existentesQue planetas eram necessariamente abundantes nessas galáxias
Elaboração Portal N10 com dados de Cheng et al., Nature Astronomy (2026).

Por que isso desafia os modelos do Universo primitivo

Desde o início das operações científicas do James Webb, astrônomos vêm identificando galáxias surpreendentemente maduras e massivas em épocas muito próximas ao Big Bang. Os modelos precisam explicar como matéria suficiente se reuniu e formou estrelas em intervalos relativamente curtos.

Se parte dessas galáxias contiver ainda mais estrelas do que o calculado, o problema se torna maior. Não basta explicar a luz observada: será preciso acomodar uma quantidade adicional de massa estelar que permanece quase invisível.

A hipótese também pode influenciar estimativas sobre a formação de planetas. Muitas estrelas de baixa massa abrigam sistemas planetários; portanto, uma população maior desses astros poderia indicar mais ambientes disponíveis para planetas no Universo antigo. Os próprios autores tratam essa consequência como possibilidade, e não como detecção de novos mundos.

Quais são os limites da descoberta

O estudo trabalhou com nove galáxias e depende de modelos para converter características espectrais em uma distribuição de massas estelares. Além disso, as galáxias analisadas são possíveis descendentes das estruturas extremamente antigas observadas pelo Webb, e não exatamente os objetos mais remotos que motivaram o debate.

Isso torna a conclusão sobre as primeiras galáxias uma inferência a ser testada. A equipe pretende aplicar o mesmo método a objetos ainda mais antigos nos próximos anos. Amostras maiores poderão mostrar se o excesso de estrelas pequenas é comum ou se aparece apenas em determinados ambientes.

Perguntas rápidas

O Webb encontrou quatro vezes mais galáxias?
Não. O estudo indica que a massa estelar de algumas galáxias pode ser maior porque muitas estrelas pequenas quase não contribuem para o brilho observado.

Foram analisadas quantas galáxias?
Nove galáxias massivas e quiescentes.

O artigo foi revisado por pares?
Sim. O estudo foi publicado na Nature Astronomy em 18 de agosto de 2026.

Isso derruba a teoria do Big Bang?
Não. O resultado trata da formação e evolução de galáxias e não contesta a expansão inicial do Universo.

A universidade publicou um comunicado explicando os resultados, e a Nature Astronomy divulgou um resumo técnico. Veja também a retrospectiva do Portal N10 sobre três anos de descobertas do James Webb.

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