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Eclipse lunar de agosto será visível em todo o Brasil e chegará perto da totalidade

No momento máximo, aproximadamente 93% do diâmetro da Lua ficará mergulhado na umbra, que é a região mais escura da sombra da Terra.
Dois eclipses acontecem em agosto, mas apenas um será visível do Brasil
Dois eclipses acontecem em agosto, mas apenas um será visível do Brasil - Crédito: Photo&Graphic Stock / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • Agosto de 2026 terá dois eclipses em um intervalo de apenas 16 dias. O primeiro acontece nesta quarta-feira, 12 de agosto, quando a Lua encobrirá completamente o Sol em uma estreita faixa do Hemisfério Norte. O Brasil ficará totalmente fora da região de visibilidade, inclusive da área onde o fenômeno será parcial.
  • A situação muda na noite de 27 para 28 de agosto, quando um eclipse lunar parcial poderá ser observado de todo o território brasileiro. No horário de Brasília, a Lua começa a entrar na penumbra da Terra por volta das 22h24 do dia 27, enquanto a fase parcial, muito mais fácil de perceber, começa aproximadamente às 23h34.
  • O ponto máximo acontecerá por volta da 1h13 da madrugada de 28 de agosto, no horário de Brasília. Nesse momento, aproximadamente 93% do diâmetro da Lua estará dentro da umbra, a parte mais escura da sombra projetada pela Terra.
  • Ao contrário do eclipse solar, o eclipse lunar poderá ser observado diretamente a olho nu, sem óculos ou filtros especiais. Binóculos e telescópios são opcionais e servem apenas para ampliar os detalhes da sombra avançando sobre a superfície da Lua.

Agosto terá dois eclipses, mas os brasileiros precisarão esperar até o fim do mês para acompanhar um deles diretamente. Nesta quarta-feira (12) ocorre um eclipse solar total, porém a faixa em que o Sol será completamente encoberto pela Lua passa pelo Hemisfério Norte e não alcança a América do Sul. Já na noite de 27 para 28 de agosto, um eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil.

Os dois fenômenos são resultado de alinhamentos entre Sol, Terra e Lua, mas acontecem de maneiras diferentes. No eclipse solar, a Lua fica entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre uma área relativamente pequena do planeta. No lunar, é a Terra que fica entre o Sol e a Lua, fazendo sua sombra avançar sobre o satélite natural.

Para quem acompanha esse tipo de fenômeno, a editoria de Astronomia do Portal N10 reúne a cobertura de eclipses, chuvas de meteoros, missões espaciais e outros acontecimentos do céu.

Eclipse solar total acontece nesta quarta-feira

O eclipse de 12 de agosto de 2026 será total apenas para quem estiver dentro de uma estreita faixa que atravessa partes do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena região de Portugal.

A NASA detalha o caminho do eclipse de 12 de agosto e mostra que uma área muito maior do Hemisfério Norte verá apenas uma parte do Sol ser encoberta. Isso inclui boa parte da Europa, Canadá, regiões dos Estados Unidos e parte do noroeste africano.

O Brasil não está dentro de nenhuma dessas áreas. Por isso, o eclipse de quarta-feira não poderá ser observado daqui nem mesmo parcialmente.

Na faixa de totalidade, a Lua cobrirá completamente o disco solar durante pouco mais de dois minutos nos pontos mais favoráveis. Fora dessa região, o observador verá apenas uma parcela do Sol desaparecer atrás da Lua.

Embora um eclipse solar envolva Sol, Lua e Terra inteira, a sombra mais escura projetada pela Lua sobre a superfície terrestre é relativamente pequena. É por isso que a totalidade pode ser vista apenas dentro de uma faixa estreita.

Em torno dela existe uma região muito maior atingida pela penumbra, onde acontece o eclipse parcial. Neste caso específico, nem essa área chega ao Brasil.

O fenômeno ilustra por que eclipses solares totais são relativamente raros para um determinado lugar. Eles acontecem periodicamente na Terra, mas o caminho percorrido pela sombra muda a cada evento e pode passar décadas sem atingir determinada região.

Quem estiver na Europa precisará de proteção para os olhos

A ausência de visibilidade no Brasil não elimina uma orientação importante para quem estiver viajando nas regiões alcançadas pelo eclipse: nunca se deve olhar diretamente para o Sol durante as fases parciais sem proteção adequada.

Óculos escuros comuns não são suficientes. É necessário utilizar óculos próprios para eclipses ou filtros solares certificados. Câmeras, binóculos e telescópios também precisam de filtros apropriados instalados na parte frontal do equipamento.

Mesmo quando apenas uma pequena parte do Sol permanece visível, olhar diretamente para ele sem proteção pode provocar danos aos olhos.

Somente durante a fase de totalidade — e exclusivamente para quem estiver dentro da estreita faixa onde o Sol estiver completamente encoberto — a proteção pode ser retirada por alguns instantes. Assim que qualquer parte do disco solar reaparecer, ela volta a ser necessária.

Eclipse lunar poderá ser visto de todo o Brasil

O segundo eclipse do mês será muito mais interessante para quem estiver no país. Na noite de 27 para 28 de agosto, a Lua cheia atravessará parte da sombra da Terra.

A NASA classifica o fenômeno como um eclipse lunar parcial profundo. Isso acontece porque o alinhamento não será suficiente para colocar toda a Lua dentro da umbra terrestre, mas chegará muito perto disso.

No momento máximo, aproximadamente 93% do diâmetro da Lua ficará mergulhado na umbra, que é a região mais escura da sombra da Terra.

Na prática, quase todo o disco lunar deverá parecer bastante escurecido, enquanto uma faixa permanecerá diretamente iluminada pelo Sol.

Que horas começa o eclipse lunar?

O eclipse começa antes do que indicava a informação inicial. A 1h da madrugada será aproximadamente o momento máximo, e não o começo do fenômeno.

Os horários calculados pela NASA para o eclipse de 28 de agosto estão em UTC. Convertendo para o horário de Brasília, as principais etapas ficam assim:

EtapaHorário de Brasília
Entrada na penumbra22h24 de 27 de agosto
Início do eclipse parcial23h34 de 27 de agosto
Máximo do eclipse1h13 de 28 de agosto
Fim do eclipse parcial2h52 de 28 de agosto
Saída completa da penumbra4h02 de 28 de agosto

Os minutos podem apresentar pequenas diferenças de arredondamento conforme a efeméride utilizada. Os dados técnicos detalhados estão no catálogo de eclipses lunares da NASA.

Para o público, a etapa que realmente importa começa por volta das 23h34, quando a Lua entra na umbra e o escurecimento passa a ficar muito mais evidente.

O que acontece às 22h24?

A primeira fase é chamada de penumbral. A Lua começa a atravessar a região externa e menos escura da sombra terrestre, conhecida como penumbra.

Cobertura relacionadaBrasil verá eclipse lunar de mais de cinco horas entre quinta e sexta-feira

Essa alteração de luminosidade é bastante suave. Nos primeiros minutos, uma pessoa que não saiba que um eclipse está ocorrendo pode sequer perceber diferença.

A transformação mais clara começa aproximadamente às 23h34, quando a borda da Lua entra na umbra. A partir daí, será possível acompanhar a sombra escura avançando gradualmente sobre o disco lunar até atingir o máximo pouco depois da 1h.

Quase toda a Lua ficará na sombra

A magnitude umbral prevista para o eclipse é de aproximadamente 0,93. Em termos simples, isso significa que cerca de 93% do diâmetro lunar estará dentro da umbra no ponto máximo.

Não significa que exatamente 93% da área visível ficará completamente preta. A maneira como a sombra aparece depende da geometria do eclipse e também da luz solar filtrada pela atmosfera terrestre.

Ainda assim, será um eclipse parcial muito profundo. Visualmente, deverá ficar bastante próximo de um eclipse total, mas uma pequena parte da Lua permanecerá fora da sombra mais escura.

Lua poderá apresentar tons avermelhados

A parte eclipsada não necessariamente desaparecerá completamente do céu. Durante eclipses lunares, parte da luz solar atravessa a atmosfera da Terra e é desviada em direção à Lua.

A luz azul é espalhada com maior facilidade pela atmosfera, enquanto comprimentos de onda mais avermelhados conseguem atravessar melhor esse caminho. O resultado pode dar à região eclipsada tonalidades de vermelho, cobre, laranja ou marrom escuro.

É o mesmo mecanismo responsável pela aparência característica da chamada “Lua de Sangue” em eclipses totais.

Quem acompanhou o eclipse total da Lua visível do Brasil em março de 2025 viu uma versão mais completa desse fenômeno. Em agosto de 2026, a diferença é que uma pequena parte do disco lunar continuará diretamente iluminada e, por isso, o eclipse permanecerá classificado como parcial.

Eclipse lunar não exige óculos especiais

Uma das maiores diferenças em relação ao eclipse solar está na segurança da observação. É totalmente seguro olhar diretamente para um eclipse lunar.

Não é necessário utilizar óculos de eclipse, filtros ou qualquer outra proteção ocular. A Lua apenas reflete a luz solar e não apresenta o risco de lesão associado à observação direta do Sol.

Também não é preciso possuir telescópio. O fenômeno será claramente visível a olho nu, desde que o céu esteja aberto.

Binóculos podem ajudar a perceber melhor a linha curva da sombra da Terra sobre a superfície lunar, enquanto telescópios permitem observar crateras e outras formações enquanto a iluminação muda.

Todo o Brasil poderá observar?

Sim. O mapa de visibilidade do eclipse coloca todo o território brasileiro dentro da região em que o fenômeno poderá ser acompanhado.

A principal diferença entre os estados será o horário mostrado no relógio, já que o Brasil possui mais de um fuso.

Os horários apresentados anteriormente são válidos para Brasília e para grande parte do território nacional. Nas regiões em UTC−4, o auge acontecerá por volta de 0h13. No Acre e em parte do Amazonas, que utilizam UTC−5, o ponto máximo ocorrerá aproximadamente às 23h13 do dia 27.

Astronomicamente, porém, é o mesmo instante.

Não precisa sair da cidade para ver

Ao contrário das chuvas de meteoros, o eclipse lunar não exige necessariamente um lugar completamente afastado da iluminação urbana. A Lua é suficientemente brilhante para que o fenômeno possa ser observado mesmo em grandes cidades.

O principal obstáculo será outro: as nuvens.

Se o céu estiver encoberto, a Lua poderá desaparecer completamente atrás da nebulosidade. Por isso, a previsão meteorológica mais útil será aquela feita poucos dias antes de 27 de agosto, quando haverá maior precisão sobre a quantidade de nuvens em cada região.

Para chuvas de meteoros, a situação é diferente. Quando o Portal N10 explicou recentemente como observar o pico das Líridas no Brasil, locais escuros e afastados da iluminação artificial eram fundamentais para aumentar o número de rastros percebidos. No eclipse lunar, sair da cidade pode melhorar a experiência, mas não é uma exigência.

Por que dois eclipses acontecem no mesmo mês?

A proximidade entre os dois eventos não é coincidência. Eles fazem parte da mesma temporada de eclipses, período em que a posição da órbita lunar permite alinhamentos favoráveis com a Terra e o Sol.

No dia 12 haverá Lua nova. É nessa fase que a Lua pode ficar entre a Terra e o Sol e provocar um eclipse solar.

Cerca de duas semanas depois chega a Lua cheia. Nesse momento, a configuração se inverte: a Terra fica entre o Sol e a Lua, criando a possibilidade de um eclipse lunar.

Esses fenômenos não acontecem em todas as luas novas e cheias porque a órbita da Lua é inclinada em aproximadamente cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre. Na maioria dos meses, os três corpos passam ligeiramente fora do alinhamento necessário.

Agosto também terá Perseidas

Os eclipses não serão os únicos acontecimentos astronômicos do mês. A tradicional chuva de meteoros Perseidas alcançará o pico justamente entre os dias 12 e 13 de agosto.

A coincidência com a Lua nova favorece a observação porque haverá pouca interferência do brilho lunar. As condições são especialmente boas no Hemisfério Norte, onde o radiante das Perseidas fica mais alto no céu.

A NASA reuniu os principais eventos astronômicos do período em seu guia de observação do céu para agosto de 2026, que também destaca Vênus e o eclipse lunar do fim do mês.

Dois eclipses de agosto de 2026

DataFenômenoVisível no Brasil?
12 de agostoEclipse solar totalNão
27 para 28 de agostoEclipse lunar parcialSim, em todo o país

Para os brasileiros, portanto, a principal data a anotar é a noite de quinta-feira, 27 de agosto, para a madrugada de sexta-feira, 28.

Quem começar a observar por volta das 23h30 no horário de Brasília já deverá acompanhar a entrada da Lua na parte mais escura da sombra terrestre. O melhor momento chegará aproximadamente à 1h13.

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