Resumo da Notícia
A missão Artemis 2, da Nasa, entrou para a história nesta segunda-feira (6) ao levar quatro astronautas ao ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos. A bordo da cápsula Orion, a tripulação superou a marca de 248.000 milhas, quase 400.000 quilômetros, registrada pela Apollo 13 em 1970 e passou a seguir rumo a um raro sobrevoo tripulado pelo lado oculto da Lua.
O novo recorde previsto para a missão é de 252.755 milhas, ou 4.117 milhas (6.626 km) além da distância mantida pela Apollo 13 durante 56 anos.
A bordo estão os astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. A viagem começou com o lançamento da Flórida na semana passada e entrou no sexto dia quando a tripulação acordou por volta das 11h50, no horário de Brasília, ouvindo uma mensagem gravada de Jim Lovell, astronauta das missões Apollo 8 e Apollo 13.
Ele disse: “Bem-vindos à minha antiga vizinhança”. Em seguida, completou: “É um dia histórico, e sei que vocês estarão muito ocupados, mas não se esqueçam de apreciar a vista… boa sorte e sucesso.“
Qual recorde a Artemis 2 quebrou no espaço?
O marco mais simbólico da missão veio quando a Artemis 2 ultrapassou a distância máxima atingida pela Apollo 13, missão interrompida por um defeito quase catastrófico na espaçonave em 1970. Naquela ocasião, Jim Lovell e os outros dois tripulantes precisaram usar a gravidade da Lua para tentar retornar à Terra com segurança.
Agora, a Artemis 2 refaz parte dessa trajetória com outro significado: não como missão de emergência, mas como o primeiro voo de teste com tripulação do programa Artemis, sucessor do projeto Apollo dos anos 1960 e 1970. O feito também marca a primeira viagem tripulada às proximidades da Lua em mais de meio século.
O que a tripulação fará no lado oculto da Lua
Se tudo ocorrer como planejado, a cápsula Orion seguirá ao redor do lado mais distante da Lua, observando a superfície a cerca de 4.000 milhas acima do solo lunar. Nesse ponto, a tripulação verá a Terra ao fundo com aparência semelhante à de uma bola de basquete, enquanto o satélite bloqueará temporariamente as comunicações com a Rede de Espaço Profundo da Nasa, conjunto global de grandes antenas usado pela agência para se comunicar com a missão.
Esse sobrevoo deve durar cerca de seis horas e levará os astronautas a períodos breves de apagão de comunicação. Durante esse intervalo, os tripulantes usarão câmeras profissionais para registrar imagens detalhadas da Lua a partir da janela da Orion, em um ponto de vista raro e de valor científico. A missão também deve permitir o registro de um momento incomum: a Terra, reduzida pela distância extrema, se pondo e nascendo em relação ao horizonte lunar conforme a cápsula avança.
Como a Lua gira na mesma velocidade em que orbita ao redor da Terra, seu lado oculto permanece sempre voltado para longe do planeta. Por isso, apenas os membros das missões Apollo que orbitaram a Lua já observaram diretamente essa região.
Crateras receberam nomes provisórios durante a viagem
Ao longo da trajetória, a tripulação também passou parte do tempo sugerindo nomes provisórios para formações lunares sem designação oficial. Em mensagem de rádio enviada ao controle da missão em Houston, Jeremy Hansen propôs que uma cratera recebesse o nome de Integrity, em referência ao nome dado à cápsula Orion da tripulação.
Ele também sugeriu que outra cratera, visível em alguns momentos a partir da Terra na faixa entre os lados visível e oculto da Lua, fosse chamada de Carroll, em homenagem à falecida esposa de Reid Wiseman. Ao fazer a proposta, Hansen afirmou: “Há alguns anos, começamos essa jornada, nossa família de astronautas muito unida, e perdemos um ente querido“. Depois, acrescentou: “É um ponto brilhante na Lua, e gostaríamos de chamá-lo de Carroll.“
Por que a missão Artemis 2 é estratégica para a Nasa
A Artemis 2 representa um ponto central de um programa multibilionário que pretende recolocar astronautas na superfície lunar até 2028, antes da China, e estabelecer uma presença de longo prazo dos Estados Unidos na Lua na próxima década. O plano inclui a construção de uma base lunar que poderá funcionar como campo de testes para futuras missões a Marte.
A última vez que astronautas caminharam na Lua foi em 1972, durante a missão final do programa Apollo. Desde então, nenhum ser humano voltou à superfície lunar. Por isso, a Artemis 2 carrega um peso que vai além do simbolismo do recorde: ela serve como demonstração operacional de uma nova fase da exploração espacial profunda.
Enquanto o sobrevoo acontece, uma equipe com dezenas de cientistas lunares reunida na Sala de Avaliação Científica do Centro Espacial Johnson, em Houston, acompanhará em tempo real as descrições feitas pelos astronautas. Eles passaram por treinamento para observar fenômenos lunares específicos e devem relatar o que enxergam enquanto atravessam um dos trechos mais raros e emblemáticos da missão.
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