Água envasada ficará mais cara no RN a partir de 5 de outubro
Aumento será aplicado pelas indústrias a partir de 5 de outubro, mas não há percentual único definido; produto é vendido atualmente entre R$ 9 e R$ 15, dependendo da marca e do ponto de venda.
Resumo da Notícia
- As indústrias de águas minerais e adicionadas de sais do Rio Grande do Norte aplicarão novo reajuste a partir de segunda-feira, 5 de outubro.
- Não foi anunciado um percentual único nem um novo preço final: cada indústria definirá sua correção, e o valor ao consumidor também dependerá da distribuição e do ponto de venda.
- Atualmente, o garrafão de 20 litros é comercializado no estado por valores que variam, em geral, entre R$ 9 e R$ 15, segundo o Sicramirn.
- O sindicato atribui a revisão a aumentos em resinas usadas nos garrafões, tampas e lacres, além de energia elétrica, combustíveis, envase, logística e outros custos operacionais.
O preço do garrafão de água de 20 litros entra em uma nova rodada de reajustes no Rio Grande do Norte a partir desta segunda-feira, 5 de outubro. As indústrias de água mineral natural e água adicionada de sais revisarão os valores cobrados na origem, mudança que tende a alcançar distribuidoras, entregadores e pontos de venda à medida que os estoques forem renovados.
O aumento não será uniforme. O Sindicato das Indústrias de Cervejas, Refrigerantes, Águas Minerais e Bebidas em Geral do Rio Grande do Norte (Sicramirn) não anunciou um percentual comum para todas as empresas nem definiu um preço final ao consumidor. Atualmente, segundo a entidade, o garrafão de 20 litros é encontrado entre R$ 9 e R$ 15, faixa que varia conforme fabricante, região, distribuidor e estabelecimento.
A ausência de um índice único é importante porque impede projetar antecipadamente quanto cada consumidor passará a pagar. O que começa na segunda-feira é uma revisão do preço praticado pelas indústrias, cabendo a cada empresa calcular sua correção e aos demais integrantes da cadeia definir posteriormente como esse custo aparecerá no varejo.
O garrafão que chega às residências percorre uma cadeia que inclui captação, processamento, controle de qualidade, envase, embalagem, armazenamento, transporte e distribuição. É sobre essa estrutura que o setor afirma estar enfrentando aumento de custos.
Entre os componentes citados pelo Sicramirn estão energia elétrica, combustíveis, logística e as resinas termoplásticas utilizadas na produção de garrafões, tampas e lacres. Parte dessas matérias-primas sofre influência das cotações internacionais e do dólar, segundo o sindicato, aumentando a exposição das empresas a variações que não dependem apenas da inflação doméstica.
O secretário-executivo do Sicramirn, Daniel Penteado Lana, afirma que a revisão considera “o custo do envase e distribuição”, as obrigações das indústrias reguladas e a elevação das resinas empregadas nas embalagens. Ele também menciona gastos operacionais e logísticos, especialmente energia e combustível.
A inflação acumulada e indicadores de preços no atacado, como IGP-M e IGP-DI, também aparecem entre as referências apresentadas pela entidade. Esses fatores compõem a justificativa empresarial para o reajuste; o Sicramirn não divulgou, entretanto, uma planilha pública individualizando o peso de cada componente sobre o novo preço.
A revisão anunciada para outubro não é um movimento isolado no mercado potiguar de água envasada. Nos últimos anos, o setor realizou outras correções e atribuiu os aumentos principalmente às embalagens, energia, combustível, transporte e demais despesas industriais.
Mercado movimenta 507 milhões de litros por ano
O impacto do reajuste ganha dimensão pelo tamanho que a água envasada ocupa no consumo cotidiano do Rio Grande do Norte. De acordo com o Sicramirn, mais da metade da população do estado utiliza água mineral natural ou adicionada de sais em residências e estabelecimentos comerciais.
A estrutura industrial reúne atualmente 35 empresas, responsáveis por aproximadamente 507 milhões de litros de água envasada por ano. O sindicato estima ainda que a atividade sustente cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos, considerando indústria, transporte, distribuição e demais etapas relacionadas à comercialização.
Tomando apenas o volume informado pelo setor, a produção média supera 42 milhões de litros por mês. O dado ajuda a mostrar por que alterações no custo industrial de embalagem ou distribuição podem ter alcance amplo numa cadeia caracterizada por alto volume e circulação constante de garrafões retornáveis.
Esse perfil diferencia o produto de compras ocasionais. Para famílias e empresas que dependem do garrafão de 20 litros como fonte habitual de água para consumo, sucessivos aumentos se incorporam diretamente às despesas recorrentes.
Embalagem é parte relevante da estrutura de custos
Embora o consumidor normalmente enxergue a água como o produto comprado, o garrafão envolve uma estrutura industrial muito maior que o conteúdo líquido.
Os recipientes de 20 litros precisam circular repetidamente entre consumidores, revendedores, distribuidores e indústrias. Além do próprio garrafão, a operação utiliza tampas, lacres e outros materiais indispensáveis ao envase e à colocação do produto novamente no mercado.
É justamente nesse conjunto que entram as resinas termoplásticas apontadas pelo Sicramirn como uma das pressões atuais. A entidade afirma que a oscilação desses materiais, somada aos custos de transporte e energia, reduziu a capacidade das empresas de absorver novas despesas sem alterar os preços.
“O reajuste é resultado de um esforço coletivo da cadeia produtiva diante da elevação de custos dos insumos. Uma adaptação necessária para mantermos o nosso compromisso com o consumidor, que recebe um produto seguro e de excelência, dentro das normas sanitárias e ambientais exigidas”, afirma o presidente do Sicramirn, Joafran Nobre.
Água envasada passa por controles antes de chegar ao mercado
Outro componente da estrutura do setor está nas exigências sanitárias, minerais e fiscais para a produção e comercialização.
As indústrias de água mineral são fiscalizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) nas atividades submetidas à legislação mineral, enquanto as condições sanitárias do produto e do processo de produção também estão sujeitas à Vigilância Sanitária. Os controles abrangem etapas que começam na origem da água e seguem pelo envase até a colocação do produto no mercado.
No Rio Grande do Norte, as embalagens comercializadas também estão submetidas ao Selo Fiscal de Controle, utilizado como instrumento de acompanhamento da produção e do cumprimento das obrigações aplicáveis às empresas do segmento.
Esses controles são citados pelo setor entre as despesas permanentes da atividade. Eles também têm uma função direta para o consumidor: permitir maior rastreabilidade da água envasada vendida no mercado potiguar e reduzir espaço para produtos de origem irregular.
A mudança de preço não elimina os cuidados que precisam ser observados na compra, sobretudo porque o garrafão é uma embalagem retornável e percorre vários ciclos de utilização.
O consumidor deve verificar se o recipiente está devidamente fechado, com lacre preservado, identificação do fabricante e informações de procedência. Alterações visíveis no recipiente, problemas no fechamento ou ausência das identificações obrigatórias são sinais que justificam recusar o produto.
Também é importante diferenciar preço baixo de procedência. Como existe variação significativa entre os valores praticados no estado, a comparação pode ajudar na economia doméstica, mas deve ser feita entre produtos regularmente envasados e identificados.
Novo preço aparecerá gradualmente no varejo
O reajuste passa a valer na indústria a partir de segunda-feira (5). A chegada dos novos valores ao consumidor poderá ocorrer em momentos diferentes, de acordo com estoques, contratos de distribuição e política comercial de cada revendedor.
Por isso, a faixa atual de R$ 9 a R$ 15 funciona como referência anterior à correção, e não como uma tabela que será substituída por outro preço único.
A dimensão efetiva do aumento só poderá ser medida depois que as indústrias divulgarem suas novas tabelas e o varejo incorporar os valores. A partir de segunda-feira, a comparação entre os preços praticados antes e depois da revisão mostrará quanto do aumento anunciado na fonte foi efetivamente transferido ao consumidor.


