Mercado
Dólar R$ 5,1853 BCB Euro R$ 5,9796 Frankfurter Bitcoin R$ 325.097,00 -1,33% Ethereum R$ 9.706,52 -0,57% Solana R$ 390,31 -0,68% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal Dólar R$ 5,1853 BCB Euro R$ 5,9796 Frankfurter Bitcoin R$ 325.097,00 -1,33% Ethereum R$ 9.706,52 -0,57% Solana R$ 390,31 -0,68% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal

TCU propõe reajuste de até 40% em gratificações com impacto de R$ 27 milhões por ano

Com a nova interpretação, o salário e a gratificação por função de chefia passam a ser calculados de forma separada, evitando o abate-teto.
TCU convoca candidatos para provas de auditor com salário inicial de R$ 26,1 mil
Foto: Divulgação

Resumo da Notícia

  • O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou ao Congresso projeto de lei que reajusta em até 40% gratificações de cargos em comissão.
  • A proposta altera o cálculo do limite remuneratório, permitindo que rendimentos superem o teto constitucional do funcionalismo.
  • O impacto financeiro anual estimado da medida é de R$ 27,7 milhões aos cofres públicos.
  • A tese jurídica foi chancelada pelo plenário do TCU, que também autorizou a quebra do teto para o Poder Legislativo.
  • O projeto segue agora para tramitação nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O Tribunal de Contas da União (TCU) encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de projeto de lei que visa reajustar em até 40% os valores pagos por funções de confiança e cargos em comissão dentro do órgão. O envio da matéria ocorre em paralelo a um entendimento firmado pelo plenário da própria Corte de Contas, que abriu caminho para que servidores do tribunal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal passem a receber rendimentos mensais que superam o teto constitucional do funcionalismo público.

A tese jurídica chancelada pelos ministros altera a forma de cálculo do limite remuneratório. Pela nova interpretação, os vencimentos fixos do cargo efetivo e as vantagens decorrentes de funções de direção, chefia e assessoramento superior serão contabilizados de maneira isolada. Na prática, a aplicação do teto deixa de incidir sobre a soma total recebida pelo servidor, permitindo que a remuneração final ultrapasse o teto do funcionalismo, balizado pelo subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje está em R$ 46.366,19.

A reestruturação proposta pelo tribunal gera reflexos financeiros imediatos no orçamento da União. Pelos cálculos apresentados no corpo técnico do projeto, a Corte possui atualmente 923 gratificações ativas pagas a servidores designados para postos estratégicos e operacionais de comando. Se a proposta receber o aval dos deputados federais e senadores, o impacto financeiro anual será de R$ 27,7 milhões aos cofres públicos.

As tabelas de remuneração variam conforme a hierarquia da função de confiança exercida. Nos níveis iniciais de assistência, o valor pago mensalmente saltará de R$ 1.554,42 para R$ 2.176,19. Já no topo da estrutura administrativa do órgão, correspondente ao Nível 8, o acréscimo fará com que o ganho extra pelo cargo de chefia suba de R$ 8.987,39 para R$ 12.132,98 por mês.

Abaixo, veja como ficam os valores das gratificações em alguns dos principais níveis propostos na reorganização:

No mesmo temaFlávio Bolsonaro inclui fim da reeleição presidencial no plano de governo
Nível da Função de ConfiançaValor Atual (R$)Valor Proposto com Reajuste (R$)Tipo de Atribuição Prevista
Nível 1 (Base da estrutura)1.554,422.176,19Funções auxiliares de assistência
Nível 8 (Topo da estrutura)8.987,3912.132,98Direção superior e coordenação técnica

A discussão em torno das verbas extras, frequentemente apelidadas no debate público como penduricalhos, esbarra diretamente no artigo 37 da Constituição Federal. O texto constitucional determina de forma expressa que todas as parcelas de caráter remuneratório recebidas por agentes públicos federais devem obrigatoriamente se submeter ao teto estipulado pelo subsídio mensal dos ministros do STF.

O projeto de lei que reajusta os valores foi assinado e enviado pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, no mesmo dia em que o plenário da corte deliberou de forma favorável à quebra do teto unificado para o Poder Legislativo e para o próprio tribunal de contas. A medida atende a uma demanda histórica de associações de servidores públicos de alta renda, sob a justificativa de alinhar os ganhos aos de outras carreiras jurídicas e de fiscalização da administração federal.

Justificativa oficial apresentada ao Poder Legislativo

No ofício encaminhado para a análise dos parlamentares no Congresso Nacional, a presidência da Corte de Contas apresentou duas linhas de argumentação técnica para legitimar a necessidade do reajuste das gratificações e cargos em comissão:

  • Defasagem Remuneratória: O órgão aponta uma progressiva defasagem nos valores de suas funções de confiança quando confrontados com a complexidade das responsabilidades atuais e com os padrões praticados por outros órgãos federais equivalentes.
  • Governança Institucional: O tribunal defende que a atualização das tabelas é orientada por parâmetros de governança, com o objetivo de fortalecer os postos responsáveis pela supervisão de auditorias complexas e implementação de diretrizes estratégicas de fiscalização do dinheiro público.

A matéria agora inicia sua tramitação regular nas comissões temáticas do Congresso. O texto precisa passar pela análise da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, além da Comissão de Finanças e Tributação, que avaliará a conformidade da despesa com as metas fiscais vigentes. Por fim, a proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de ser submetida à votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.