Resumo da Notícia
Um vídeo do pastor Silas Malafaia passou a circular com força nas redes sociais nesta segunda-feira (30/3) e provocou forte repercussão entre internautas. No trecho que ganhou mais destaque, o líder religioso afirma que está orando para que Deus “abra porta e toque pessoas” com o objetivo de viabilizar doações para a compra de um novo avião.
A fala reacendeu críticas, gerou debates sobre o uso de recursos ligados ao meio religioso e levou o próprio pastor a apresentar uma defesa pública sobre sua trajetória, sua relação com dinheiro e a necessidade de manter uma aeronave.
A declaração, no entanto, não apareceu isolada. Segundo o próprio Malafaia, a aeronave ligada à Associação Vitória em Cristo está “defasada”, e a troca seria necessária porque o avião funciona como uma “ferramenta de trabalho”. O trecho está em um vídeo publicado pelo pastor em suas redes sociais na quarta-feira, mas a repercussão ganhou força apenas no início desta semana.
“Na verdade, o avião que eu comprei, ele é bem velho. Ele é de 1985. Eu estou precisando trocar e estou orando a Deus para me abrir portas para tocar em pessoas porque eu preciso de um avião mais novo”, declarou.
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Pastor rebate críticas e diz que aeronave não foi comprada para lazer
Na gravação, Malafaia também responde a acusações de que teria usado dinheiro da igreja ou doações de fiéis para custear despesas pessoais. Ao tratar especificamente do avião, ele afirma que a compra ocorreu em 2009, em parceria com a Associação Vitória em Cristo. O veículo, de acordo com informações divulgadas à época, teria sido negociado por R$ 12 milhões.
Ao justificar a aquisição, o pastor sustenta que a aeronave nunca teve finalidade de lazer familiar. “Eu precisava de uma ferramenta não para passear com a minha família, mas para trabalho. O engraçado é o seguinte: comprar um carro não é erro, mas comprar um avião é pecado, porque o dinheiro é maior. Que lógica ilógica é essa?”, disparou.
O Portal N10 buscou a assessoria do pastor Silas Malafaia para comentar o trecho que ganhou repercussão nas redes sociais, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.
Reação veio após comentário sobre programas de governo e força de trabalho
Segundo Malafaia, a onda de críticas começou depois de uma declaração em que ele afirmou que nenhuma nação prospera quando a força de trabalho é menor do que o número de pessoas beneficiadas por programas de governo. O pastor disse que sua fala tem fundamento sociológico e econômico e insistiu que seu comentário foi interpretado de forma distorcida.
Ao mencionar “o comunismo que faliu na União Soviética e está falindo em Cuba e na Coreia do Norte”, Malafaia afirmou que o Estado busca colocar as pessoas “numa linha abaixo economicamente” para que elas se tornem dependentes de programas do governo. Na visão do líder religioso, há uma elite política interessada em manter parte da população em condição de dependência econômica.
De acordo com o pastor, isso se daria quando pessoas que teriam condições de trabalhar acabam mantidas vinculadas a benefícios governamentais. Ele ressalvou, porém, que não se referia à população que realmente precisa de assistência, mas a situações em que, na avaliação dele, o benefício seria utilizado como mecanismo de manipulação política. Para Malafaia, isso configura uma “verdadeira compra de voto disfarçada”.
Malafaia relembra trajetória e nega enriquecimento com recursos da igreja
Em meio à controvérsia, o pastor também usou o vídeo para relembrar sua trajetória como conferencista e responder às críticas sobre o uso de recursos religiosos para “comprar mansões e aviões”. Segundo ele, foram 28 anos vivendo de ofertas voluntárias recebidas em ministrações e da comercialização de materiais próprios.
Malafaia estimou ter vendido mais de 10 milhões de livros e cerca de 4 milhões de palestras em DVD. Ainda de acordo com ele, a maior parte do dinheiro arrecadado nesse período foi destinada ao trabalho de evangelização. O pastor afirmou que 90% dos recursos foram doados para a expansão da obra evangelística, enquanto os 10% restantes serviram para sustentar sua família e comprar a casa onde mora até hoje.
Esse trecho do pronunciamento foi apresentado como forma de sustentar sua versão de que não houve uso indevido do dinheiro da igreja para enriquecimento pessoal. No centro da defesa está a tentativa de separar patrimônio, trabalho ministerial, doações e manutenção de suas atividades públicas.
Em outro momento, Malafaia classificou como “aberração teológica” a ideia de que o dinheiro arrecadado com ofertas e dízimos seria destinado aos fiéis. Segundo ele, o “pastor esquerdopata” que o confrontou com essa tese estaria “fazendo confusão”.
Na fala, ele rebate diretamente esse entendimento: “Você está de brincadeira, onde é que está isso na Bíblia? Que doutrina é essa? Você está fazendo uma confusão. Os cristãos da igreja primitiva resolveram voluntariamente doar propriedades, riquezas com aqueles que não tinham. Uma decisão pessoal do cristianismo, obras são pessoais. O dinheiro da igreja, biblicamente falando, é para a manutenção da casa e para a expansão do reino de Deus na Terra.“
