Vilma Batista alerta para risco de novo confronto entre facções em Alcaçuz

O Complexo de Alcaçuz carrega a memória do massacre que, há oito anos, expôs a fragilidade completa da segurança penitenciária do Rio Grande do Norte.
Vilma Batista alerta para risco de novo confronto entre facções em Alcaçuz
Penitenciaria de Alcaçuz

Os sinais de que o sistema penitenciário do Rio Grande do Norte permanece à beira de uma nova convulsão interna voltam a se acumular. Segundo alerta do Sindicato dos Policiais Penais do RN (Sindppen-RN), o risco de novos confrontos entre facções dentro do Complexo Penitenciário de Alcaçuz é iminente.

As apreensões recentes de armas artesanais em revistas de rotina indicam que os grupos criminosos seguem se organizando para retomar o controle das unidades, reacendendo temores de episódios violentos semelhantes ao que ocorreu em 2017, quando um massacre entre facções deixou dezenas de mortos em Alcaçuz.

Estamos finalizando um mês bastante violento dentro do sistema prisional. Tivemos execuções, tentativas de motins e várias armas artesanais encontradas”, alertou a presidente do Sindppen-RN, Vilma Batista, voz cada vez mais presente nas discussões de segurança pública do estado.

Somente em maio, foram registradas pelo menos duas mortes em presídios do RN, além da apreensão de armas improvisadas em diversas unidades. Em uma das ocorrências mais recentes, agentes penitenciários retiraram facas artesanais fabricadas com partes arrancadas de camas e paredes da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, anexa ao Complexo de Alcaçuz.

Poucos dias antes, no próprio Alcaçuz, objetos perfurantes já haviam sido encontrados durante revista no dia 13, o que demonstra a continuidade do movimento de preparação interna por parte dos detentos.

Críticas à gestão penitenciária

O Sindppen-RN vem denunciando reiteradamente a ausência de estrutura adequada, a insuficiência de efetivo e o enfraquecimento da atuação dos policiais penais, que, segundo o sindicato, trabalham sob forte pressão interna e perseguições administrativas. Vilma Batista não poupou críticas à condução da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP):

Revistamos o Rogério Coutinho Madruga e retiramos facas feitas com ferramentas arrancadas de paredes e camas. No dia 13, em Alcaçuz, já havíamos apreendido objetos perfurantes porque os presos ameaçam novo confronto.”

Continuamos fazendo nossa parte, mesmo diante da inoperância e do abandono da secretaria.”

O discurso expõe a tensão que se forma não apenas entre as facções rivais, mas também no embate interno entre os agentes e a atual gestão penitenciária. Segundo o sindicato, a omissão administrativa acaba favorecendo o fortalecimento do crime organizado dentro das unidades.

O fantasma de 2017 ainda paira

O Complexo de Alcaçuz carrega a memória do massacre que, há oito anos, expôs a fragilidade completa da segurança penitenciária do Rio Grande do Norte. Em janeiro de 2017, durante dias de confronto aberto, pelo menos 26 detentos foram brutalmente assassinados durante a guerra entre facções dentro da unidade.

Desde então, mesmo com investimentos em contenção estrutural e instalação de muralhas físicas, o problema da gestão diária e do enfrentamento à organização criminosa dentro das celas nunca foi integralmente solucionado. O controle interno dos blocos ainda permanece, em grande medida, condicionado ao equilíbrio instável entre os grupos rivais.

Agora, o acúmulo de apreensões e mortes dentro das unidades aponta para um cenário de risco real de retomada dos conflitos.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) não havia se manifestado sobre as denúncias.

Uma liderança firme em meio ao silêncio oficial

Em meio à omissão dos gestores, Vilma Batista tem se consolidado como uma das poucas vozes firmes e técnicas dentro do debate sobre o sistema penitenciário potiguar. Sua atuação vai além das críticas administrativas: ela coloca em pauta o verdadeiro risco social envolvido, sempre com base no que ocorre dentro das celas, longe da visão política de gabinete.

Enquanto o Estado insiste em não encarar o problema de frente, as organizações criminosas seguem aproveitando cada brecha. A diferença entre repetir 2017 ou evitar um novo massacre pode estar, justamente, na capacidade de escutar — ou não — os alertas que partem de quem está dentro do sistema todos os dias.

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