Resumo da Notícia
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) deu um passo histórico na consolidação da ciência no Nordeste ao inaugurar, nesta sexta-feira (27), o Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto (CPPH).
Trata-se do primeiro centro do Brasil concebido para integrar, em um mesmo espaço institucional, pesquisas em arqueologia e paleontologia, com estrutura própria, acervo autorizado e atuação reconhecida nacionalmente.
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A solenidade reuniu autoridades acadêmicas, representantes institucionais e familiares de pesquisadores que ajudaram a construir essa trajetória. A programação contou ainda com apresentação cultural dos Ursos da Baixinha, reforçando o diálogo entre ciência, memória e identidade cultural.
Um centro autorizado e pensado para guardar a memória científica
O CPPH nasce com uma função estratégica: atuar como guarda oficial de acervos científicos, com autorização formal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Atualmente, a Reserva Técnica abriga 80 acervos científicos, que somam cerca de 50 mil artefatos culturais, entre materiais arqueológicos e paleontológicos.
A sede própria foi viabilizada por meio de convênio firmado em 18 de maio de 2022, envolvendo o Iphan-RN, a Uern e a Companhia Paranaense de Energia. O investimento total estimado foi de R$ 1,2 milhão, destinado à construção de uma estrutura moderna, com laboratório arqueológico, laboratório de informática e pesquisa, salas de guarda de material paleontológico, sala de datações, salas para professores e ambientes de apoio às atividades acadêmicas.

A implantação do CPPH é resultado de uma luta construída ao longo de anos, tendo o professor Valdeci Santos como um de seus principais articuladores. Emocionado durante a cerimônia, ele relembrou a decisão de deixar a carreira bancária para seguir a vida acadêmica na Uern há 28 anos e dedicou a conquista ao colega e parceiro de jornada, João de Araújo (in memoriam), que dá nome ao Centro.
“Gratidão imensa ao meu amigo João. Onde ele estiver, está aplaudindo essa conquista”, afirmou.
A homenagem também foi celebrada pela família do professor. A viúva, D. Maria Neusa, destacou o alcance simbólico e educacional da iniciativa: “Hoje está sendo concretizada essa obra que será importante para todos os estudantes. É uma pena ele não estar aqui, mas seu nome será eternizado por todo trabalho que ele realizou. Ele acreditava no poder transformador da educação”.
Reconhecimento institucional e impacto nacional
Durante o evento, a reitora da Uern, Cicília Maia, ressaltou o papel do professor Valdeci Santos e a projeção que o CPPH passa a ter no cenário científico. “Precisamos aqui registrar o nome do professor Valdeci, coordenador geral desse equipamento, que tem um trabalho implicado nacionalmente e internacionalmente. Aqui com certeza será um espaço para a formação acadêmica dos nossos estudantes em nível de graduação e pós-graduação, e estamos muito felizes com essa parceria”, declarou.
Representando a presidência do Iphan, Deyvesson Gusmão destacou o significado da entrega. “Temos o desafio de internalizar a pesquisa no Estado e a Uern faz muito bem isso. Então essa entrega tem uma importância muito grande para a Universidade e também para o Iphan”.
O superintendente do Iphan no RN, João Gentil, classificou a inauguração como um marco histórico: “Isso é mais que a entrega de um equipamento, é o compromisso com a ciência e com a memória de um povo”.
Já o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Alexandre Lima, representando o Governo do RN, enfatizou o papel do CPPH no resgate histórico: “Para isso é preciso pesquisas, e essa iniciativa é fundamental para que essa história negada e esquecida possa ser recolocada no centro, para que assim o país possa ter um projeto de desenvolvimento pleno”.
Formação acadêmica e experiência prática para estudantes
Além do impacto institucional, o CPPH amplia de forma concreta as possibilidades de formação. Segundo o professor Valdeci Santos, o Centro será decisivo para estudantes de História e Biologia. “Será muito útil aos alunos de graduação e pós-graduação, tanto no curso de História, como no curso de Biologia, que a partir de agora vão ter também, além das atividades de ensino que já têm na graduação e pós-graduação, terão um centro onde eles poderão aprofundar suas pesquisas para elaboração de dissertação de mestrado, tese de doutorado e monografias”.
O estudante João Lucas Linhares, do 9º período de História e bolsista de iniciação científica, reforçou esse caráter prático: “Eu acho que um prédio desse contribui à medida de que ele proporciona a experiência prática de lidar com o material, fazer a curadoria de materiais arqueológicos, tendo essa experiência também multidisciplinar”.
Durante a solenidade, a reitora Cicília Maia entregou um ofício ao Iphan solicitando apoio para a criação do Centro de Preservação das Memórias dos Povos Originários e Afrodescendentes. A proposta prevê um espaço permanente voltado à preservação de acervos documentais, orais, imagéticos e audiovisuais, além de ações conjuntas com comunidades tradicionais, movimentos sociais, escolas e órgãos públicos.
A líder indígena Lúcia Paiacu acompanhou a cerimônia e discursou em defesa dos povos originários, reforçando a importância de iniciativas que reconheçam e preservem memórias historicamente invisibilizadas.
