A utilização da telemedicina em cuidados paliativos tem ampliado as possibilidades de assistência médica humanizada e acessível no Rio Grande do Norte. Desde fevereiro de 2024, o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e à Rede Ebserh, passou a oferecer atendimento remoto a pacientes em fase avançada de doenças, sobretudo em localidades mais distantes dos centros urbanos.
A iniciativa é conduzida por meio da Unidade de E-Saúde, em parceria com a Comissão de Cuidados Paliativos do Huol. Ao permitir consultas diretamente do domicílio dos pacientes, o projeto evita deslocamentos cansativos, possibilita um acompanhamento contínuo e respeita o tempo e o bem-estar de pessoas em situações delicadas de saúde. Até agosto de 2024, cerca de 68 consultas foram realizadas com aproximadamente 25 pacientes, alcançando residentes de 15 municípios diferentes no estado.
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A ferramenta adotada para os atendimentos é o STT – Sistema de Telemedicina e Telessaúde, uma plataforma adquirida pela Ebserh por oferecer integração com o AGHU (Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários), sistema que reúne os dados clínicos dos pacientes atendidos nas unidades hospitalares universitárias do país.
“A plataforma usada foi a STT – Sistema de Telemedicina e Telessaúde. Ela foi adquirida pela Ebserh por realizar a integração com o Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU). A adoção dessa plataforma se justifica pela segurança, já que está integrada ao AGHU, permitindo que os profissionais acessem os dados dos pacientes diretamente pelo aplicativo. Os profissionais podem fazer anotações, anamnese, receitas e receber arquivos dos pacientes, como exames e fotos”, detalhou Wagner Tomaz dos Santos Barros, chefe da Unidade de E-saúde do Huol-UFRN/Ebserh.
A escolha por iniciar os atendimentos pelos pacientes em cuidados paliativos não foi por acaso. Muitos deles apresentam dificuldades físicas severas que limitam o deslocamento até o hospital. Nesse cenário, a tecnologia aparece como uma aliada ao conforto, à segurança e à continuidade do atendimento. “A teleconsulta se mostrou essencial para pacientes em cuidados paliativos que vivem longe, pois garante acesso contínuo ao cuidado, conforto e acolhimento, sem a necessidade de deslocamentos que podem ser exaustivos”, afirmou Wagner.
Além dos aspectos técnicos, a dimensão emocional e humana da prática também tem sido ressaltada pela equipe envolvida. Segundo o presidente da Comissão de Cuidados Paliativos do Huol, Juliano Silveira de Araújo, as vantagens da telemedicina vão além da praticidade: ela fortalece o vínculo com os pacientes e torna o processo de cuidado mais acolhedor.
“A telemedicina é uma ferramenta que humaniza e reduz a necessidade de deslocamentos, que muitas vezes são cansativos, dolorosos e dispendiosos, permitindo que o cuidado aconteça no ambiente mais íntimo e confortável: o lar. Isso preserva a dignidade e alivia o sofrimento físico e emocional dos pacientes”, declarou Juliano.
A iniciativa, ainda em fase de expansão, teve seus resultados apresentados no X Congresso Brasileiro de Cuidados Paliativos. O impacto positivo foi reconhecido pela comunidade científica, que ressaltou a capacidade da telemedicina em melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, garantindo suporte clínico e psicológico sem romper com a intimidade e a dignidade do ambiente familiar.
Outro dado importante compartilhado pela equipe do Huol refere-se à duração média das consultas, que variam entre 30 e 40 minutos. Os atendimentos são destinados a pacientes da Oncologia e de outros setores do hospital, previamente abordados e que assinam um termo de consentimento antes de ingressarem no programa.
Embora no início tenham sido enfrentadas algumas barreiras — como a adaptação de pacientes e familiares ao uso das ferramentas digitais —, a evolução foi evidente. Tanto os profissionais quanto os usuários passaram a operar com mais naturalidade as ferramentas tecnológicas. Esse progresso, inclusive, foi citado em estudo internacional apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), por Joseph Greer, validando os avanços do modelo brasileiro de cuidado remoto.
Para Juliano Silveira, a telemedicina tem potencial para se tornar um recurso transversal nas mais variadas especialidades médicas, principalmente quando o vínculo e a escuta são partes essenciais do tratamento. “A telemedicina é uma tecnologia simples, acessível e extremamente replicável. Com pouco, é possível fazer muito. Ela não exige grandes estruturas, mas sim sensibilidade, escuta ativa e compromisso ético. Pode ser uma aliada valiosa em diversas especialidades, especialmente nos casos em que o vínculo e a escuta são centrais”, enfatizou o médico.
Desde 2013, o Huol está integrado à Rede Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação (MEC). A rede foi criada em 2011 com a finalidade de gerenciar hospitais universitários federais e hoje responde por 45 unidades em todo o Brasil, promovendo a integração entre o ensino, a assistência à saúde e a pesquisa científica. As unidades da Ebserh são voltadas prioritariamente para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo também a formação de novos profissionais da área da saúde.
