Dois pitbulls são mortos a tiros após suposto ataque a PM em São Gonçalo do Amarante

A apuração dos fatos será determinante para definir se o policial agiu em legítima defesa, sob risco iminente, ou se houve excesso.
Dois pitbulls são mortos a tiros após suposto ataque a PM em São Gonçalo do Amarante
Foto: Przemyslaw Iciak / Adobe Stock

Resumo da Notícia

Dois cães da raça pitbull foram mortos a tiros na tarde desta segunda-feira (4), no conjunto Cidade das Rosas, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal. O caso, que envolveu um policial militar e o tutor dos animais, está sob investigação da Polícia Civil e tem gerado comoção e questionamentos sobre os limites do uso da força em situações envolvendo animais.

O episódio aconteceu por volta das 17h e, segundo o policial envolvido, tudo começou enquanto ele passeava com a filha e dois cães da família pela rua. Conforme o depoimento prestado pelo PM, dois pitbulls teriam saído de uma casa com o portão aberto e atacado um dos seus cães. Durante a tentativa de separar os animais, o policial afirmou ter se ferido no rosto e no braço e que, em meio à confusão, sua arma caiu no chão.

Ainda segundo o relato do policial, o tutor dos pitbulls apareceu e os chamou de volta para dentro da residência. O policial afirmou que, ao se levantar e pegar a arma, atirou nos cães do lado de fora do portão da casa, alegando que temeu novo ataque, inclusive contra a filha que o acompanhava.

Versão do tutor dos cães

Já o tutor dos pitbulls apresentou uma versão diferente. Ele declarou que estava dentro da residência quando ouviu os latidos e, ao sair, percebeu que o portão estava entreaberto. Chamou os cães, que retornaram para dentro. O tutor contou que questionou o policial se estava tudo bem e se prontificou a pagar os eventuais custos veterinários. De acordo com o depoimento, o PM teria deixado o local sem demonstrar mais reação naquele momento.

Contudo, o tutor afirmou que, poucos minutos depois, o policial retornou armado, entrou em sua casa e disparou contra os dois cães, que morreram no local. A divergência entre as duas versões será um dos focos principais da investigação.

Investigação e próximos passos

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia Civil de São Gonçalo do Amarante. A equipe policial pretende ouvir testemunhas e analisar imagens de câmeras de segurança instaladas na vizinhança, que poderão esclarecer o comportamento de ambas as partes e o momento dos disparos.

Segundo a legislação brasileira, o uso de arma de fogo por policiais é regulamentado e deve respeitar os princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade e moderação. Em casos que envolvem o abate de animais, especialmente em ambientes residenciais, é comum que haja apuração rigorosa para verificar se houve excesso ou violação de direitos, inclusive da inviolabilidade do domicílio.

Caso gera repercussão

A morte dos dois pitbulls rapidamente gerou repercussão nas redes sociais e entre moradores da região. O debate gira em torno do comportamento dos cães, da responsabilidade do tutor em manter os animais seguros dentro da residência e da atitude do policial após o primeiro contato.

Organizações de defesa dos direitos dos animais acompanham o caso e aguardam os desdobramentos da investigação. Há expectativa quanto à possível responsabilização por maus-tratos, seja em relação à conduta do tutor, pelo portão aberto, ou do policial, caso se confirme a entrada na residência para matar os cães já contidos.

O que diz a lei sobre animais soltos e uso de arma por policial

De acordo com a legislação vigente, tutores são responsáveis por manter seus animais em locais seguros, especialmente em áreas urbanas. Animais de grande porte ou de raças consideradas potencialmente perigosas, como pitbulls, devem ser mantidos sob vigilância, com o devido controle de acesso à rua.

Já em relação ao policial, o uso de arma de fogo fora de serviço segue regras específicas. Se confirmado que os disparos ocorreram dentro da residência, o ato poderá ser considerado invasão de domicílio, agravado por eventual abuso de autoridade e maus-tratos a animais.

A apuração dos fatos será determinante para definir se o policial agiu em legítima defesa, sob risco iminente, ou se houve excesso.

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