RN soma 5.616 mortes por infarto, AVC e insuficiência cardíaca em 2025

Quando o assunto é AVC, tempo é decisivo. O SAMU usa a escala de Cincinnati como ferramenta de reconhecimento precoce. O protocolo é direto: pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar.
Infarto, AVC e insuficiência cardíaca mataram 5.616 pessoas no RN em 2025
Infarto, AVC e insuficiência cardíaca mataram 5.616 pessoas no RN em 2025 - Crédito: NAKHARIN / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O Rio Grande do Norte registrou 5.616 mortes em 2025 por infarto, AVC e insuficiência cardíaca, doenças cardiovasculares que afetam o sistema de saúde.
  • A hipertensão arterial é apontada como um dos principais gatilhos para esses eventos, muitas vezes sem sintomas aparentes até quadros graves.
  • No Brasil, as três causas somaram 352.053 óbitos em 2025, com números preocupantes se mantendo para 2026.
  • Especialistas alertam para o caráter silencioso da hipertensão e a importância do diagnóstico precoce para reduzir riscos.
  • O reconhecimento rápido de sintomas de AVC, utilizando protocolos como a escala de Cincinnati, é crucial para o atendimento de urgência.
  • Falhas no atendimento e diagnóstico tardio de infarto e AVC agravam os quadros, impactando as chances de recuperação.
  • Modelos de acreditação em saúde, como o da ONA, são ferramentas importantes para reduzir erros e salvar vidas através de protocolos rigorosos.
Continua após o anúncio

O Rio Grande do Norte registrou 5.616 mortes em 2025 por três das principais doenças cardiovasculares que pressionam o sistema de saúde: 3.460 por infarto, 1.472 por AVC e 684 por insuficiência cardíaca. O dado reforça um problema que continua avançando de forma silenciosa, muitas vezes sem sintomas aparentes até a chegada de um quadro grave.

Nesse cenário, a hipertensão arterial segue como um dos gatilhos mais importantes para eventos que frequentemente terminam em internação, sequela permanente ou morte.

No plano nacional, o quadro também é pesado. Segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA) com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS), o Brasil registrou, em 2025, 156.981 mortes por infarto, 130.963 por AVC e 64.109 por insuficiência cardíaca.

Continua após o anúncio

Somadas, as três causas chegaram a 352.053 óbitos. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já apontam a manutenção de um cenário preocupante.

Hipertensão continua sendo uma das principais ameaças silenciosas

A hipertensão é descrita como uma doença silenciosa justamente porque, na maior parte dos casos, não provoca sintomas. Ainda assim, ela pode danificar progressivamente órgãos vitais antes mesmo de o paciente perceber qualquer alteração.

O intensivista e membro da ONA, dr. Fábio Basílio, resume o risco: Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave.

Ao mesmo tempo, o especialista reforça ao Portal N10 que a pressão alta é um fator de risco modificável. Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso, afirma.

Ele também chama atenção para o impacto do diagnóstico tardio: Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas de Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia, reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já se associam ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em pessoas aparentemente saudáveis. A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de hábitos e controle dos fatores de risco, explica o doutor.

Como reconhecer um AVC rapidamente

Quando o assunto é AVC, tempo é decisivo. O SAMU usa a escala de Cincinnati como ferramenta de reconhecimento precoce. O protocolo é direto: pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar.

Se surgir qualquer sintoma novo, como assimetria no rosto durante o sorriso, perda de força em um dos braços ou fala enrolada, a orientação é buscar atendimento de urgência imediatamente.

Cobertura relacionadaAvenida João Medeiros Filho terá interdição de 30 dias para obra de esgotamento sanitário

Além desse reconhecimento inicial, os sinais de alerta para AVC incluem:

  • alteração no equilíbrio e na coordenação
  • dificuldade para falar ou compreender
  • alteração na visão
  • dor de cabeça súbita e intensa
  • fraqueza ou paralisia em um lado do corpo

Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte, reforça o intensivista.

Existem dois tipos principais de AVC:

  • Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro, e responsável por cerca de 85% dos casos
  • Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, com sangramento, sendo mais grave e com maior risco de morte
Continua após o anúncio

Os fatores de risco que empurram os casos para cima

O AVC está diretamente associado a envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas com mais de 55 anos entram em faixa de maior risco, especialmente quando essas condições se acumulam.

É uma soma de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente, destaca o dr. Fábio.

No caso do infarto, os principais sinais citados são:

  • dor ou aperto no peito
  • suor frio
  • falta de ar
  • náusea
  • tontura

A dor pode irradiar para braço, mandíbula ou costas. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por atendimento. Desconfortos abdominais, como náuseas e indigestão, também podem indicar infarto e não devem ser ignorados, alerta o cardiologista.

Muitos pacientes ainda chegam tarde ao hospital porque não reconhecem os sinais. Isso reduz drasticamente as chances de recuperação, complementa.

Falhas no atendimento ainda agravam quadros de infarto e AVC

O material destaca que, embora o AVC seja uma condição tratável, ainda há falhas importantes — e muitas evitáveis — no cuidado em saúde. Na fase inicial, os problemas mais frequentes incluem dificuldade de reconhecer os sinais, subestimação do quadro e até confusão com outras doenças, como enxaqueca ou vertigem. Também há atrasos em exames essenciais, como a tomografia, o que compromete decisões rápidas.

Durante o atendimento, existem algumas falhas comuns para a perda da janela ideal para uso de medicamentos que dissolvem o coágulo e o controle inadequado da pressão arterial. Além disso, a ausência de encaminhamento para procedimentos destinados à retirada do coágulo quando isso é indicado. Cada minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento falha, o impacto pode ser irreversível, alerta o cardiologista.

Na internação, persistem problemas como erros de medicação, monitoramento insuficiente, falhas de comunicação entre equipes e prevenção inadequada de complicações como pneumonia e trombose. Após a alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação incompleta da causa do AVC elevam o risco de novos episódios.

No infarto, as falhas mais citadas são atraso no atendimento, problemas no uso de medicamentos, diagnóstico tardio e ausência de continuidade do cuidado depois da alta. “Não basta tratar o evento agudo. É fundamental garantir continuidade do cuidado para evitar novos episódios”, destaca o cardiologista.

Acreditação em saúde aparece como ferramenta para reduzir erros e salvar vidas

O levantamento também chama atenção para o papel de modelos estruturados de qualidade e segurança, como os de acreditação em saúde, a exemplo da própria ONA. Instituições acreditadas trabalham com protocolos mais rigorosos, capazes de identificar pacientes de risco mais cedo e responder com maior rapidez em situações críticas.

Isso se traduz em monitoramento mais eficiente, atendimento padronizado, redução de erros e integração entre equipes. Quando falamos de infarto e AVC, tempo e precisão fazem toda a diferença. Serviços organizados conseguem agir mais rápido, reduzir complicações e salvar vidas, conclui.

Números de óbitos por doenças cardiovasculares em 2025

Região / EstadoInfartoAVCInsuficiência cardíacaTotal
SUDESTE 165.683
SP30.06122.48815.40067.949
MG12.2789.6958.32030.293
RJ17.23410.1367.31234.682
ES3.33628.65277132.759
SUL 49.103
PR7.6126.6174.18318.412
RS8.8226.9703.48919.281
SC5.7863.5482.07611.410
CENTRO-OESTE 21.144
DF1.1948694852.548
GO4.6782.7281.7179.123
MT2.4501.3608254.635
MS2.9041.2496854.838
NORTE 23.627
AC452340161953
AM1.9301.4599354.324
AP480313166959
PA6.7963.7381.93212.466
RO9706965562.222
RR364231113708
TO9826323811.995
NORDESTE 92.496
AL3.1141.9079675.988
BA10.5568.0544.00522.615
CE7.5304.3532.56114.444
MA5.6263.8001.76311.189
PB4.1861.9251.2507.361
PE10.1184.6021.95916.679
PI2.4442.0048925.340
RN3.4601.4726845.616
SE1.6181.1255213.264
BRASIL156.981130.96364.109352.053

Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) – Ministério da Saúde
Atualizado em abril de 2026

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.