Resumo da Notícia
O Rio Grande do Norte registrou 5.616 mortes em 2025 por três das principais doenças cardiovasculares que pressionam o sistema de saúde: 3.460 por infarto, 1.472 por AVC e 684 por insuficiência cardíaca. O dado reforça um problema que continua avançando de forma silenciosa, muitas vezes sem sintomas aparentes até a chegada de um quadro grave.
Nesse cenário, a hipertensão arterial segue como um dos gatilhos mais importantes para eventos que frequentemente terminam em internação, sequela permanente ou morte.
No plano nacional, o quadro também é pesado. Segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA) com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS), o Brasil registrou, em 2025, 156.981 mortes por infarto, 130.963 por AVC e 64.109 por insuficiência cardíaca.
Somadas, as três causas chegaram a 352.053 óbitos. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já apontam a manutenção de um cenário preocupante.
Hipertensão continua sendo uma das principais ameaças silenciosas
A hipertensão é descrita como uma doença silenciosa justamente porque, na maior parte dos casos, não provoca sintomas. Ainda assim, ela pode danificar progressivamente órgãos vitais antes mesmo de o paciente perceber qualquer alteração.
O intensivista e membro da ONA, dr. Fábio Basílio, resume o risco: “Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”.
Ao mesmo tempo, o especialista reforça ao Portal N10 que a pressão alta é um fator de risco modificável. “Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso”, afirma.
Ele também chama atenção para o impacto do diagnóstico tardio: “Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”.
As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas de Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia, reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já se associam ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em pessoas aparentemente saudáveis. “A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de hábitos e controle dos fatores de risco”, explica o doutor.
Como reconhecer um AVC rapidamente
Quando o assunto é AVC, tempo é decisivo. O SAMU usa a escala de Cincinnati como ferramenta de reconhecimento precoce. O protocolo é direto: pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar.
Se surgir qualquer sintoma novo, como assimetria no rosto durante o sorriso, perda de força em um dos braços ou fala enrolada, a orientação é buscar atendimento de urgência imediatamente.
Além desse reconhecimento inicial, os sinais de alerta para AVC incluem:
- alteração no equilíbrio e na coordenação
- dificuldade para falar ou compreender
- alteração na visão
- dor de cabeça súbita e intensa
- fraqueza ou paralisia em um lado do corpo
“Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, reforça o intensivista.
Existem dois tipos principais de AVC:
- Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro, e responsável por cerca de 85% dos casos
- Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, com sangramento, sendo mais grave e com maior risco de morte
Os fatores de risco que empurram os casos para cima
O AVC está diretamente associado a envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas com mais de 55 anos entram em faixa de maior risco, especialmente quando essas condições se acumulam.
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“É uma soma de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente”, destaca o dr. Fábio.
No caso do infarto, os principais sinais citados são:
- dor ou aperto no peito
- suor frio
- falta de ar
- náusea
- tontura
A dor pode irradiar para braço, mandíbula ou costas. Em alguns casos, os sintomas podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por atendimento. “Desconfortos abdominais, como náuseas e indigestão, também podem indicar infarto e não devem ser ignorados”, alerta o cardiologista.
“Muitos pacientes ainda chegam tarde ao hospital porque não reconhecem os sinais. Isso reduz drasticamente as chances de recuperação”, complementa.
Falhas no atendimento ainda agravam quadros de infarto e AVC
O material destaca que, embora o AVC seja uma condição tratável, ainda há falhas importantes — e muitas evitáveis — no cuidado em saúde. Na fase inicial, os problemas mais frequentes incluem dificuldade de reconhecer os sinais, subestimação do quadro e até confusão com outras doenças, como enxaqueca ou vertigem. Também há atrasos em exames essenciais, como a tomografia, o que compromete decisões rápidas.
Durante o atendimento, existem algumas falhas comuns para a perda da janela ideal para uso de medicamentos que dissolvem o coágulo e o controle inadequado da pressão arterial. Além disso, a ausência de encaminhamento para procedimentos destinados à retirada do coágulo quando isso é indicado. “Cada minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento falha, o impacto pode ser irreversível”, alerta o cardiologista.
Na internação, persistem problemas como erros de medicação, monitoramento insuficiente, falhas de comunicação entre equipes e prevenção inadequada de complicações como pneumonia e trombose. Após a alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação incompleta da causa do AVC elevam o risco de novos episódios.
No infarto, as falhas mais citadas são atraso no atendimento, problemas no uso de medicamentos, diagnóstico tardio e ausência de continuidade do cuidado depois da alta. “Não basta tratar o evento agudo. É fundamental garantir continuidade do cuidado para evitar novos episódios”, destaca o cardiologista.
Acreditação em saúde aparece como ferramenta para reduzir erros e salvar vidas
O levantamento também chama atenção para o papel de modelos estruturados de qualidade e segurança, como os de acreditação em saúde, a exemplo da própria ONA. Instituições acreditadas trabalham com protocolos mais rigorosos, capazes de identificar pacientes de risco mais cedo e responder com maior rapidez em situações críticas.
Isso se traduz em monitoramento mais eficiente, atendimento padronizado, redução de erros e integração entre equipes. “Quando falamos de infarto e AVC, tempo e precisão fazem toda a diferença. Serviços organizados conseguem agir mais rápido, reduzir complicações e salvar vidas”, conclui.
Números de óbitos por doenças cardiovasculares em 2025
| Região / Estado | Infarto | AVC | Insuficiência cardíaca | Total |
|---|---|---|---|---|
| SUDESTE 165.683 | ||||
| SP | 30.061 | 22.488 | 15.400 | 67.949 |
| MG | 12.278 | 9.695 | 8.320 | 30.293 |
| RJ | 17.234 | 10.136 | 7.312 | 34.682 |
| ES | 3.336 | 28.652 | 771 | 32.759 |
| SUL 49.103 | ||||
| PR | 7.612 | 6.617 | 4.183 | 18.412 |
| RS | 8.822 | 6.970 | 3.489 | 19.281 |
| SC | 5.786 | 3.548 | 2.076 | 11.410 |
| CENTRO-OESTE 21.144 | ||||
| DF | 1.194 | 869 | 485 | 2.548 |
| GO | 4.678 | 2.728 | 1.717 | 9.123 |
| MT | 2.450 | 1.360 | 825 | 4.635 |
| MS | 2.904 | 1.249 | 685 | 4.838 |
| NORTE 23.627 | ||||
| AC | 452 | 340 | 161 | 953 |
| AM | 1.930 | 1.459 | 935 | 4.324 |
| AP | 480 | 313 | 166 | 959 |
| PA | 6.796 | 3.738 | 1.932 | 12.466 |
| RO | 970 | 696 | 556 | 2.222 |
| RR | 364 | 231 | 113 | 708 |
| TO | 982 | 632 | 381 | 1.995 |
| NORDESTE 92.496 | ||||
| AL | 3.114 | 1.907 | 967 | 5.988 |
| BA | 10.556 | 8.054 | 4.005 | 22.615 |
| CE | 7.530 | 4.353 | 2.561 | 14.444 |
| MA | 5.626 | 3.800 | 1.763 | 11.189 |
| PB | 4.186 | 1.925 | 1.250 | 7.361 |
| PE | 10.118 | 4.602 | 1.959 | 16.679 |
| PI | 2.444 | 2.004 | 892 | 5.340 |
| RN | 3.460 | 1.472 | 684 | 5.616 |
| SE | 1.618 | 1.125 | 521 | 3.264 |
| BRASIL | 156.981 | 130.963 | 64.109 | 352.053 |
Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) – Ministério da Saúde
Atualizado em abril de 2026
