O Rio Grande do Norte apresenta um dos quadros mais preocupantes em relação à obesidade adulta no Brasil. Dados recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, revelam que 42,09% da população adulta do estado, atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enfrenta algum grau de obesidade.
Esse índice coloca o RN como o segundo estado com maior prevalência, superado apenas pelo Rio Grande do Sul (43,06%) e em patamar semelhante ao do Rio de Janeiro (42,07%) e Mato Grosso do Sul (42,01%). A média nacional, de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, é de 31%. Em contrapartida, o Maranhão registra o menor índice, com 27,06%.
O Atlas Mundial da Obesidade estima que, até 2030, 33,4% dos homens e 46,2% das mulheres brasileiras poderão ser diagnosticados com obesidade.
O endocrinologista Pedro Henrique Dantas, do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), aponta que a alta taxa de obesidade no RN está intrinsecamente ligada à insegurança alimentar e ao elevado consumo de alimentos ultraprocessados, especialmente entre a população de baixa renda. Ele destaca que o Sisvan coleta dados do SUS, refletindo a realidade de uma parcela mais vulnerável da sociedade.
Marília Farache, também endocrinologista, da Maternidade Escola Januário Cicco, ressalta que a obesidade impacta mais as mulheres devido a fatores hormonais. Ela enfatiza que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, com um significativo impacto emocional nos pacientes.
O diagnóstico da obesidade é realizado através do Índice de Massa Corporal (IMC), sendo considerado obeso o indivíduo com IMC igual ou superior a 30. A condição é classificada em três graus:
- Grau I: IMC entre 30 e 34,9
- Grau II: IMC entre 35 e 39,9
- Grau III: IMC acima de 40
Tratamento e desafios
O tratamento da obesidade demanda uma abordagem multidisciplinar, com o acompanhamento de médicos, nutricionistas, educadores físicos, psicólogos e psiquiatras. A prevenção passa por atividades físicas regulares, alimentação saudável e políticas públicas que visem combater a insegurança alimentar.
No SUS, o atendimento inicial é realizado nas unidades básicas de saúde, que encaminham os pacientes para serviços especializados quando necessário. No HUOL, o acompanhamento inclui a avaliação detalhada dos hábitos do paciente, como alimentação, prática de exercícios, qualidade do sono e possíveis doenças associadas.
Um dos grandes desafios apontados por Pedro Dantas é a dificuldade de acesso a medicamentos eficazes para o tratamento da obesidade, já que nenhum dos cinco principais fármacos para a condição é atualmente fornecido pelo SUS.
Reeducação alimentar
A nutricionista Áthina Bezerra destaca a importância de uma alimentação equilibrada, combinada com a prática regular de exercícios físicos. A inclusão de alimentos ricos em fibras, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras saudáveis – como azeite, abacate e castanhas – é fundamental para a prevenção e o controle do peso.
De acordo com o Sisvan, o Rio Grande do Norte possui 129.130 adultos obesos. Desses, 25,31% estão no grau I, 11,07% no grau II e 5,71% no grau III. No entanto, é importante ressaltar que esses dados podem subestimar a realidade, uma vez que se referem apenas à população atendida pelo SUS.
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