Resumo da Notícia
Mesmo com a alta recente da gasolina no país, o etanol segue sem competitividade na maior parte dos estados brasileiros — e o Rio Grande do Norte lidera o pior cenário nacional. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que o estado registrou a maior diferença entre os preços dos combustíveis, tornando o álcool a opção menos vantajosa do país.
Os dados consideram a semana entre 9 e 13 de março, período em que a gasolina teve aumento médio de 2,54%, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio.
RN tem a pior relação do país e distancia ainda mais o etanol da vantagem
Segundo a ANP, o Rio Grande do Norte apresentou relação de 84% entre o preço do etanol e o da gasolina, índice muito acima do limite considerado economicamente viável.
A regra usada no mercado é clara: o etanol só compensa quando custa até 70% do valor da gasolina.
Acima disso, o motorista paga mais por quilômetro rodado — e é exatamente esse o cenário enfrentado no RN, que aparece isolado na pior posição do país.
Mesmo com o aumento de 2,54% na gasolina no período analisado, o etanol não ganhou competitividade. O levantamento nacional mostra que a disparidade continua ampla na maioria dos estados.
Na prática, o impacto da valorização do petróleo internacional não foi suficiente para equilibrar os preços nos postos.
Apenas dois estados oferecem vantagem real para o etanol
Entre as 26 unidades da federação analisadas pela ANP (o Amapá não entrou por ausência de dados), apenas dois estados ficaram dentro ou abaixo do limite de vantagem:
- Mato Grosso — 70%
- Mato Grosso do Sul — 69%
Ou seja, são os únicos cenários onde o etanol, na média, pode competir diretamente com a gasolina.
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Lista completa dos estados e relação etanol x gasolina
Abaixo, os dados detalhados divulgados pela ANP:
- Acre: 76%
- Alagoas: 78%
- Amazonas: 76%
- Bahia: 75%
- Ceará: 77%
- Distrito Federal: 79%
- Espírito Santo: 77%
- Goiás: 73%
- Maranhão: 80%
- Mato Grosso: 70%
- Mato Grosso do Sul: 69%
- Minas Gerais: 75%
- Pará: 75%
- Paraíba: 73%
- Paraná: 71%
- Pernambuco: 79%
- Piauí: 77%
- Rio de Janeiro: 80%
- Rio Grande do Norte: 84%
- Rio Grande do Sul: 80%
- Rondônia: 78%
- Roraima: 74%
- Santa Catarina: 76%
- São Paulo: 71%
- Sergipe: 73%
- Tocantins: 78%
Como o motorista deve calcular na prática
Apesar da média estadual, a recomendação continua sendo individual. O cálculo é simples:
👉 Divida o preço do etanol pelo da gasolina
👉 Se o resultado for inferior a 0,7, compensa abastecer com etanol
Em estados próximos do limite, como São Paulo e Paraná (71%), pode haver variação entre postos. No Rio Grande do Norte, porém, a margem é tão alta que a escolha pela gasolina se mantém praticamente inevitável na média.
O que o dado revela para o consumidor do RN
O levantamento da ANP não deixa margem para interpretação: o Rio Grande do Norte é hoje o estado menos vantajoso do Brasil para abastecer com etanol.
Isso significa que, mesmo diante de aumentos na gasolina, o consumidor local segue sem alternativa competitiva no curto prazo — um cenário que pesa diretamente no bolso e limita a liberdade de escolha do motorista.