Os dados mais recentes do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta sexta-feira (6) pelo IBGE, revelam um retrato detalhado da diversidade religiosa no Rio Grande do Norte. Apesar do avanço da população evangélica nas últimas duas décadas, o estado mantém uma posição de destaque no cenário nacional como uma das unidades federativas com maior proporção de católicos.
De acordo com o levantamento, 67,01% da população potiguar se declara católica, percentual superior à média nacional, que atualmente está em 56,75%. Com esse índice, o Rio Grande do Norte ocupa a quinta posição entre os estados mais católicos do Brasil, ficando atrás apenas de Piauí (77,4%), Ceará (70,4%), Paraíba (69%) e Sergipe (67,8%).
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Por outro lado, o crescimento evangélico também é expressivo. Em 2022, os evangélicos representaram 21,42% da população do estado, ainda abaixo da média nacional, que chegou a 26,9%. Com isso, o RN aparece na 22ª posição nacional em proporção de evangélicos.
A análise histórica também mostra uma mudança gradual no perfil religioso potiguar. Em 2000, os católicos correspondiam a 83,58% da população, caindo para 75,96% em 2010 e chegando aos atuais 67,01% em 2022. No sentido inverso, a presença evangélica saltou de 8,92% em 2000 para 15,4% em 2010, alcançando 21,42% em 2022.
Este movimento acompanha a tendência nacional de pluralização religiosa e avanço das igrejas evangélicas, mas o ritmo de transformação no RN segue abaixo da média brasileira.
Panorama nos municípios
O levantamento do IBGE também revela disparidades relevantes quando observados os dados por município:
- Ipueira lidera o ranking de municípios com maior percentual de católicos no estado, atingindo 90,27% da população.
- Felipe Guerra apresenta o maior percentual de pessoas sem religião, com 23,08% dos moradores.
- Parnamirim registra a maior concentração de espíritas, com 2,27% da população.
- Baía Formosa se destaca como o município com maior percentual de evangélicos, com 34,28%, além de liderar também entre adeptos de tradições indígenas (0,93%) e de outras religiosidades (10,41%).
- Venha Ver concentra o maior percentual de seguidores de umbanda e candomblé, com 2,59%.
Na capital Natal, os católicos correspondem a 58,63%, seguidos pelos evangélicos (24,62%). Os espíritas representam 2,08%, adeptos da umbanda ou candomblé somam 0,54%, enquanto 9,91% declararam não possuir religião.
Diversidade religiosa por raça e etnia
Os dados do Censo 2022 também mostram como a distribuição das religiões se comporta de acordo com a cor ou raça da população:
- Entre os católicos, a maior proporção foi observada entre os brancos (68,57%) e a menor entre os amarelos (58,7%).
- Os evangélicos mantiveram presença proporcional estável em todos os grupos, com maior representação entre os amarelos (22,32%) e pardos (22,37%).
- Os espíritas concentraram-se principalmente entre os brancos (1,26%).
- Adeptos de umbanda e candomblé tiveram maior presença entre amarelos (1,39%) e pretos (0,56%).
- As tradições indígenas foram mais significativas entre aqueles que se declararam indígenas (1,21%).
- A população sem religião alcançou os maiores percentuais entre amarelos (12,01%) e pretos (9,24%).
O levantamento também relacionou as crenças com o nível de alfabetização da população potiguar:
- Espíritas apresentam o maior índice de alfabetização (98,7%), seguidos pelos adeptos de outras religiosidades (95,1%) e das religiões de matriz africana (93,89%).
- Entre católicos, a taxa de alfabetização foi de 85,9%, o menor índice entre os grupos analisados.
- Os evangélicos registraram uma taxa de alfabetização de 91,91%.
- A população sem religião apresentou índice de 90,01% e os que não declararam religião ficaram em 91,18%.
- A taxa de não alfabetizados foi maior entre os católicos (14,1%) e menor entre os evangélicos (8,09%).
Religiões por faixa etária no RN
As diferenças também são perceptíveis quando se analisa a distribuição das religiões por idade:
- Entre os católicos, as maiores concentrações estão nas faixas etárias de 30 a 39 anos (17,53%) e 40 a 49 anos (16,47%).
- Entre os evangélicos, a maior representatividade ocorre nas faixas de 30 a 39 anos (19,31%) e 40 a 49 anos (17,25%), mas o grupo apresenta presença superior aos católicos nas faixas etárias mais jovens.
Os dados apontam que, embora o catolicismo ainda mantenha predominância, o avanço evangélico entre os jovens pode modificar o perfil religioso do estado nas próximas décadas.
