Poda do maior cajueiro do mundo é adiada para fevereiro de 2026

Com aproximadamente 10 mil metros quadrados de copa, o Cajueiro de Pirangi é um dos pontos turísticos mais visitados do Rio Grande do Norte.
Poda do maior cajueiro do mundo é adiada para fevereiro de 2026
Cajueiro de Pirangi (Foto: Ney Douglas)

Resumo da Notícia

A intervenção no Cajueiro de Pirangi, localizado em Parnamirim e reconhecido desde 1994 pelo Guinness Book como o maior do mundo, será realizada apenas em fevereiro do próximo ano. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) informou que o adiamento ocorreu porque a árvore entrou no período de floração, que se estende até novembro, seguido da frutificação entre dezembro e janeiro — fases nas quais não é possível executar a poda.

A decisão de poda foi determinada pela Justiça em um processo que tramita há mais de dez anos. Conforme o Idema, o novo cronograma também levou em conta a necessidade de apresentar, a órgãos como a Câmara Municipal de Parnamirim, Ministério Público, representantes do turismo e comerciantes, um planejamento detalhado das ações. O investimento estimado é de R$ 200 mil, com previsão de execução em até seis meses.

Durante o período em que a poda estiver suspensa, o instituto fará manejo fitossanitário para combater pragas como cupins, que vêm sendo identificadas na planta.

Entenda a disputa judicial e o embate de opiniões

A ação judicial foi movida por moradores que alegam que a expansão da copa da árvore compromete a circulação de veículos e pedestres, além de avançar sobre propriedades privadas. Estima-se que cerca de 1,2 mil metros da copa extrapolem a área cercada, chegando a ocupar metade de uma via em alguns trechos.

O juiz Airton Pinheiro determinou a poda para “garantir o livre trânsito de automóveis, transeuntes e residentes nas proximidades do Cajueiro de Pirangi”. Parte dos galhos já foi sustentada por estruturas metálicas instaladas anteriormente para evitar bloqueios no tráfego.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), entretanto, recorreu em junho, pedindo que a decisão fosse complementada com um estudo técnico mais detalhado. Para o órgão, o termo “estudo prévio” presente na sentença original é “excessivamente aberto e impreciso” e deveria especificar os elementos mínimos a serem considerados.

Defesa do Idema

Nas audiências públicas, o diretor técnico do Idema, Thales Dantas, sustentou que o procedimento é necessário para preservar a longevidade da árvore.

O mais importante que a gente quer deixar para a população é que esse manejo fitossanitário é importante para cuidar da planta. São 137 anos e ela nunca passou por um processo realmente de poda fitossanitária”, afirmou. Ele acrescentou que a medida evita riscos de acidentes e contribui para a saúde do cajueiro.

A bióloga Mica Carboni, que já trabalhou no cajueiro, afirmou em audiência que uma poda de contenção pode representar uma “catástrofe” para a árvore.

Essa poda pode limitar o crescimento, pode atrofiar ele, pode gerar o envelhecimento acelerado dele, que rejuvenesce enquanto os seus galhos periféricos enraízam novamente”, disse.

Ela explicou que o crescimento e vigor do cajueiro estão ligados ao processo natural de galhos que tocam o solo e criam raízes — fenômeno que libera hormônios de muda, rejuvenescendo a planta. Segundo a especialista, é por isso que o Cajueiro de Pirangi, com mais de 140 anos, continua produzindo frutos, algo incomum em cajueiros comuns, cuja frutificação geralmente vai até os 50 anos de idade.

Relevância turística e ambiental

Com aproximadamente 10 mil metros quadrados de copa, o Cajueiro de Pirangi é um dos pontos turísticos mais visitados do Rio Grande do Norte. Em 2024, mais de 350 mil pessoas conheceram o local, segundo dados do Idema. O debate sobre a poda envolve não apenas questões ambientais, mas também impactos para o turismo e a economia da região.

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