A prefeita de Parnamirim, professora Nilda Cruz (Solidariedade), foi vítima de ameaças de morte e injúria racial através de mensagens enviadas pelo WhatsApp. O autor dos ataques, que se apresentou como “Suprema Grazi”, utilizou um número com DDD 11, referente ao estado de São Paulo, para disseminar os ataques violentos e discriminatórios.
Segundo o material divulgado, as mensagens enviadas à prefeita são de extremo teor ofensivo. Prints revelam que Nilda foi chamada de “macaca“, enquanto o agressor afirmava que estava “contando as balas” para invadir o gabinete da chefe do Executivo municipal e assassiná-la. O autor ainda estipulou um prazo de até 10 dias para a suposta execução.
Diante da gravidade das ameaças, a prefeita procurou imediatamente a Segunda Delegacia de Polícia de Parnamirim, onde registrou um boletim de ocorrência relatando o caso. Ao mesmo tempo, o secretário municipal de Segurança, Givanildo Gomes, encaminhou a denúncia à Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED) para que as investigações fossem reforçadas.
Para garantir a integridade da prefeita e dos servidores municipais, medidas emergenciais de proteção foram adotadas. A Polícia Civil e a própria SESED estão atuando de forma conjunta para rastrear a origem das mensagens e identificar os responsáveis.
Até esta segunda-feira (28), a prefeita Nilda Cruz não havia feito declarações públicas sobre o caso. No entanto, tanto aliados políticos quanto adversários usaram as redes sociais para demonstrar solidariedade e cobrar rigor na apuração. O secretário de Planejamento de Parnamirim e líder do Solidariedade, Kelps Lima, também se pronunciou. Em suas palavras:
“E eu estou absolutamente impressionado com o nível de perseguição e agressão que essa grande mulher que é a Professora Nilda, vem sofrendo. Não é só fazer oposição porque fazer oposição é legítimo, é saudável e até colabora e estimula quem está na gestão de se manter aprumado, mas aqui os ataques são muito baixos“, declarou Kelps, reforçando que já atua na articulação para localizar o criminoso.
Crime de racismo e ameaças: o que diz a lei
As ameaças e injúrias direcionadas à prefeita configuram crimes previstos em legislação específica. De acordo com o Código Penal Brasileiro, o crime de ameaça está tipificado no artigo 147, que prevê pena de detenção de um a seis meses ou multa para quem ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto.
Já a injúria racial é crime previsto no Art. 140, §3º do Código Penal, além de ser equiparada a crime de racismo conforme a Lei 7.716/1989, cuja prática é inafiançável e imprescritível. Com a atualização recente pela Lei 14.532/2023, a injúria racial passou a ser considerada uma modalidade específica de racismo.
Sobre o caso, o advogado criminalista Rafael Almeida explicou ao Portal N10:
“As ameaças de morte e as ofensas de cunho racial representam não apenas crimes distintos, mas também violação de direitos fundamentais. Cabe às autoridades a investigação célere e a responsabilização dos envolvidos, garantindo a segurança da vítima e a proteção da dignidade humana.”
Investigação segue em curso
As equipes da Polícia Civil e da Secretaria de Estado da Segurança Pública continuam empenhadas em rastrear o autor das ameaças, com suporte da inteligência cibernética. As medidas de proteção seguem vigentes na sede da Prefeitura e no entorno dos principais órgãos municipais de Parnamirim.
O episódio reforça a necessidade de combate a crimes de ódio e à intolerância, principalmente em ambientes políticos onde a diversidade e a representatividade precisam ser garantidas e respeitadas.
Confira nota da Polícia Civil:
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte informa que procederá com investigação para apurar ameaças de morte e ofensas racistas dirigidas à prefeita do município de Parnamirim, na Grande Natal, Professora Nilda.
Caso de extrema gravidade e repulsa receberá tratamento prioritário pela instituição. Ressalte-se que recentemente foi criada na estrutura da Polícia Civil do Rio Grande do Norte a Delegacia Especializada no Combate a Crimes Raciais, Intolerância e Discriminação (DECRID), que deverá ficar à frente dos trabalhos investigativos.
A instituição destaca ainda que denúncias podem ser realizadas, de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181.
Trajetória de Nilda Cruz
A prefeita de Parnamirim carrega uma história marcada por conquistas. De origem humilde, Nilda Cruz rompeu com um ciclo de poder que dominava a política local há décadas. Sua eleição foi histórica: ela foi a primeira mulher e também a primeira vereadora negra a alcançar o comando da terceira maior cidade do Rio Grande do Norte.
Desde que assumiu o cargo, a professora tem promovido avanços importantes nos primeiros 100 dias de gestão, mas também enfrenta intensa resistência, que em diversas ocasiões extrapola o campo político e atinge esferas pessoais, principalmente nas redes sociais.
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