Nova lei no RN impede condenados por feminicídio de ocupar cargos no governo

Norma atinge órgãos da administração direta, além de autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, ampliando o alcance da restrição dentro da estrutura governamental.
Nova lei no RN impede condenados por feminicídio de ocupar cargos no governo
Governadoria do RN - Palácio de Despachos de Lagoa Nova / Foto: Sandro Menezes

Resumo da Notícia

  • O Governo do Rio Grande do Norte implementou uma nova lei que proíbe condenados por feminicídio de ocupar cargos em comissão e funções de confiança na administração pública estadual.
  • A legislação, nomeada Lei Márcia Anália, foi oficializada no Diário Oficial do Estado e já está em vigor.
  • A medida se aplica a toda a estrutura do Poder Executivo estadual, incluindo órgãos da administração direta, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.
  • A restrição é válida para condenações definitivas, ou seja, em decisão judicial transitada em julgado, sem possibilidade de recurso.
  • Para garantir o cumprimento, todos os indicados a cargos deverão apresentar certidões de antecedentes criminais da Justiça Estadual e Federal.
  • A proibição permanece enquanto a pena não for totalmente cumprida e até que ocorra a reabilitação penal.
  • A lei homenageia Márcia Anália, uma jovem de 23 anos vítima de feminicídio em Parnamirim em abril de 2024, cujo caso gerou grande comoção.
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O Governo do Rio Grande do Norte passou a impedir a nomeação de pessoas condenadas por feminicídio para cargos em comissão e funções de confiança dentro da administração pública estadual. A medida foi oficializada nesta quinta-feira (12), com a publicação da norma no Diário Oficial do Estado, e já está em vigor.

A legislação recebeu o nome de Lei Márcia Anália, uma homenagem a uma jovem de 23 anos assassinada em Parnamirim em 2024, caso que provocou grande comoção no estado e reforçou o debate público sobre a violência contra mulheres.

A nova regra se aplica a toda a estrutura do Poder Executivo estadual, incluindo órgãos da administração direta, autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.

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Restrição vale para condenações definitivas

Segundo o texto da lei, a proibição atinge pessoas condenadas por feminicídio em decisão judicial transitada em julgado, situação em que não há mais possibilidade de recurso no processo.

O feminicídio está previsto no Código Penal brasileiro e caracteriza o homicídio cometido contra a mulher em razão da condição de gênero, sendo considerado uma forma extrema de violência motivada por discriminação ou menosprezo à condição feminina.

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Para assegurar o cumprimento da nova norma, o governo estadual determinou que todos os indicados a cargos comissionados ou funções de confiança deverão apresentar certidões de antecedentes criminais no momento da posse.

Essas certidões deverão ser emitidas tanto pela Justiça Estadual quanto pela Justiça Federal.

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De acordo com a legislação, a vedação permanece válida enquanto a pena imposta ao condenado não for totalmente cumprida e até que ocorra a reabilitação penal, procedimento judicial que restabelece formalmente os direitos do condenado após determinado período.

Lei homenageia jovem assassinada em Parnamirim

Márcia Anália
Márcia Anália — Foto: Cedida

A legislação recebeu o nome de Lei Márcia Anália em memória de uma jovem de 23 anos que foi vítima de feminicídio em abril de 2024, no município de Parnamirim, na Grande Natal.

O crime ocorreu no bairro Santa Tereza, onde a jovem foi encontrada morta dentro de casa na quarta-feira, 24 de abril daquele ano. Ela estava desaparecida desde o fim de semana anterior.

Preocupados com a falta de resposta às tentativas de contato por telefone e à ausência de movimentação na residência, familiares decidiram entrar no imóvel pelo telhado. No interior da casa, encontraram a jovem de bruços e com marcas de golpes de faca.

Márcia Anália morava na Rua Heitor de Góis com o marido, com quem mantinha um relacionamento de aproximadamente dez anos. Após o crime, o homem desapareceu.

A jovem trabalhava como vendedora em um shopping localizado na Zona Leste de Natal. O caso gerou forte repercussão no Rio Grande do Norte e mobilizou familiares, amigos e movimentos sociais que atuam no combate à violência contra a mulher.

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