Resumo da Notícia
A recente sanção da Lei Complementar nº 778/2025, pelo Governo do Rio Grande do Norte, abriu caminho para uma reestruturação significativa na remuneração de servidores estaduais. A norma altera critérios de vencimentos, progressões e organização de carreiras no serviço público, o que pode resultar em revisões salariais e aumento real nos rendimentos de diversas categorias. Porém, especialistas em direito administrativo alertam que a correta aplicação da legislação será decisiva para que os benefícios cheguem efetivamente aos contracheques.
A legislação atinge servidores vinculados à administração direta e indireta do Estado. Entre os órgãos impactados estão estruturas estratégicas como Secretaria da Fazenda (Sefaz), Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Controladoria-Geral do Estado, Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Junta Comercial do Estado (Jucern), Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fundase), Fundação José Augusto e Gabinete Civil, além de outras áreas da máquina pública.
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Segundo a advogada Mylena Leite Ângelo, especialista em Direito do Servidor Público e fundadora do escritório Mylena Leite Advocacia, a lei representa uma mudança relevante na política remuneratória do funcionalismo estadual, mas exige atenção redobrada na etapa de implementação.
“A Lei Complementar nº 778 representa um avanço ao promover a recomposição salarial em diversas carreiras do serviço público estadual. No entanto, é essencial que cada servidor verifique se foi corretamente enquadrado na nova estrutura remuneratória, pois erros administrativos podem ocorrer na aplicação da norma”, afirma.
Reestruturação pode gerar aumento real nos vencimentos

A nova legislação estabelece atualizações salariais em diferentes carreiras, além de reorganizar critérios de desenvolvimento funcional. Na prática, isso significa que o servidor poderá experimentar impactos financeiros de duas formas: reajustes diretos nos vencimentos ou evolução mais favorável dentro das estruturas de carreira.
De acordo com a especialista, a reorganização da estrutura remuneratória tem potencial para produzir efeitos ao longo de toda a trajetória funcional.
“A lei traz reflexos importantes na remuneração, seja por meio de reajustes diretos, seja pela reorganização dos níveis da carreira. Isso pode significar aumento nos rendimentos mensais e também influenciar o desenvolvimento funcional do servidor ao longo do tempo”, destaca.
Atenção ao enquadramento funcional após a lei
Um dos pontos mais sensíveis da implementação da norma é o enquadramento funcional realizado pelos órgãos públicos. Esse procedimento define em qual nível da nova estrutura salarial o servidor será posicionado — e eventuais erros podem gerar perdas financeiras relevantes.
“É fundamental que o servidor analise se foi corretamente enquadrado na nova estrutura prevista pela legislação. Um erro administrativo pode resultar em perda financeira ao longo dos anos”, explica Mylena Leite Ângelo.
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Na prática administrativa, esse tipo de inconsistência não é incomum, especialmente em processos de reestruturação de carreira que envolvem grandes volumes de servidores e múltiplos critérios de progressão.
Impacto também pode atingir aposentados e pensionistas
Outro ponto destacado pela advogada envolve os efeitos da nova legislação para aposentados e pensionistas, um grupo que historicamente enfrenta dificuldades na aplicação correta de revisões remuneratórias.
“Muitos aposentados e pensionistas acabam sendo prejudicados porque os reajustes não são aplicados corretamente ou deixam de observar o que a lei determina. A própria legislação estabelece que os efeitos financeiros podem alcançar esses beneficiários, e isso precisa ser observado”, afirma.
Em situações desse tipo, a análise individual da situação funcional se torna ainda mais importante, já que a legislação pode gerar reflexos indiretos nos benefícios previdenciários vinculados às carreiras do serviço público.
Orientação jurídica pode evitar perdas salariais
Diante das mudanças trazidas pela nova legislação, a recomendação da especialista é clara: servidores ativos, aposentados e pensionistas devem analisar cuidadosamente sua posição funcional após a implementação da lei.
“Sempre que há mudanças legislativas que alteram vencimentos ou critérios de progressão, é importante buscar orientação especializada em Direito do Servidor Público. Uma análise jurídica pode identificar eventuais erros de enquadramento e garantir que o servidor receba exatamente o que a lei determina”, orienta.
A advogada ressalta que a aplicação correta da Lei Complementar nº 778/2025 dependerá de avaliações individuais, já que diferenças de carreira, tempo de serviço e progressões anteriores podem gerar efeitos distintos na remuneração.
Para acompanhar análises sobre direitos do funcionalismo, progressões de carreira e revisão salarial no serviço público, é possível acessar o perfil especializado da advogada no Instagram, disponível em @mylenaleiteadvocacia.