A obra de engorda da Praia de Ponta Negra, realizada na gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), voltou a gerar controvérsias. O vereador Daniel Valença (PT) anunciou que pretende propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução do projeto, que custou R$ 108 milhões e, segundo ele, foi feito “às pressas e sem fiscalização ambiental”.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Valença criticou a condução da obra e os impactos observados após sua conclusão. “Aqui interessa uma engorda a R$ 108 milhões feita às pressas e sem a fiscalização ambiental”, declarou. Para ele, a falta de acompanhamento adequado comprometeu o resultado do projeto e gerou consequências negativas para comerciantes e frequentadores da praia.
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A alta temporada de verão de 2025 tem sido considerada abaixo das expectativas por comerciantes e trabalhadores da região. Segundo um dos entrevistados no vídeo divulgado pelo vereador, a movimentação de turistas foi prejudicada. “Para nós aqui, a renda caiu muito. Adquiriu o pequeno comerciante e o grande comerciante também e os geradores ambulantes também”, afirmou. O entrevistado destacou que o número de visitantes foi bem menor do que o esperado. “Temporada de janeiro não foi uma temporada boa, porque devido à engorda”, completou.
Frequentadores também relataram mudanças na experiência da praia. Um morador apontou que as novas condições do mar afastam quem tem crianças ou receio de nadar. “A praia mudou para quem tem crianças e quem tem medo de mar, quem não sabe nadar, não entra”, relatou. “Ele tem a onda forte que te carrega, ele é pequeno, mas forte, te carrega. E quando te leva para lá, já não tem mais pé”, disse, reforçando que o mar ficou mais perigoso após a intervenção.
Cobrança por investigações
Diante desses relatos, Valença defende que a obra seja investigada para identificar falhas no planejamento e execução. Segundo ele, a intervenção impactou diretamente não só o comércio, mas também o lazer da população.
“A consequência da engorda é que o comércio da praia e da vila despencou, mesmo estando ainda antes do carnaval e em pleno verão. Assim como crianças e idosos não têm mais direito de tomar banho na praia”, declarou. O vereador reforçou que sua própria família também foi afetada: “Minhas filhas, meus pais, várias outras famílias não vão ter o direito”.
Além das críticas, Valença levantou questionamentos sobre a concepção do projeto. “A praia de Ponta Negra, como ela sempre existiu. Qual praia de Ponta Negra queremos, para quais usos, por quê e para quem?”, indagou. Para ele, é necessário que os responsáveis pela obra sejam cobrados. “O resultado é esse que nós estamos vendo e as pessoas têm de ser responsabilizadas”, afirmou.
Com o início do ano legislativo, o vereador garantiu que levará o tema para debate na Câmara. “E é por isso que, começando o ano legislativo, nós vamos trazer novamente a nossa proposta de CPI, de Comissão de Investigação, para apurar as responsabilidades, bem como que as pessoas paguem pelo que fizeram”, declarou.
Críticas à gestão municipal
Além das falhas apontadas na obra, Valença criticou a atual gestão municipal. Em uma publicação nas redes sociais, o vereador afirmou que “Ponta Negra está sendo destruída pela irresponsabilidade da elite política de Natal”, reforçando sua insatisfação com a falta de respostas da Prefeitura sobre os impactos da engorda.
Ele também ironizou a ausência do prefeito na cidade em meio a problemas como alagamentos e erosão na praia. “Enquanto a cidade sofre alagamentos, que comem de volta o aterro de mais de R$ 100 milhões, o prefeito Paulinho curte a vida em São Paulo, numa festa privativa”, escreveu.
Até o momento, a Prefeitura de Natal não se manifestou oficialmente sobre as críticas e a possível instalação da CPI. A expectativa agora é que o tema ganhe espaço no debate legislativo, podendo resultar em uma investigação mais aprofundada sobre a obra da engorda.
