Resumo da Notícia
A ofensiva da Polícia Civil do Rio Grande do Norte contra o crime organizado avançou nesta última semana de fevereiro com a deflagração da Operação Decreto, ação que mirou diretamente um grupo criminoso apontado como responsável por quatro homicídios registrados ao longo de 2024 na comunidade do Passo da Pátria, na Zona Leste de Natal. A investigação revelou não apenas execuções, mas um esquema estruturado de domínio territorial, tráfico de drogas e movimentação milionária de recursos ilícitos.
Ao longo das apurações, a Polícia Civil conseguiu identificar 12 integrantes da organização criminosa, todos com papéis definidos dentro do grupo. Segundo os investigadores, havia divisão clara entre quem comandava, quem executava os homicídios e quem atuava no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro. O grupo impunha suas ordens por meio de intimidação sistemática e violência, mantendo controle sobre a comunidade.
Não perca nada!
Faça parte da nossa comunidade:
Na operação realizada nesta quinta, três suspeitos foram presos, sendo um deles em flagrante delito, após ser encontrado com aproximadamente 500 gramas de maconha e R$ 1 mil em dinheiro. A polícia destacou que o material apreendido reforça o vínculo direto do grupo com o comércio de entorpecentes na região.
Ex-servidor público e tentativa de interferência política
Um dos pontos mais sensíveis revelados pela investigação envolve a atuação de um ex-funcionário da Câmara Municipal de Natal, que, de acordo com a Polícia Civil, estaria tentando viabilizar a destinação de emendas parlamentares para o carnaval de 2025.
A articulação, conforme apurado, ocorreria mediante ameaça de proibição de ações políticas no Passo da Pátria, evidenciando a tentativa do grupo de extrapolar o crime organizado tradicional e avançar sobre o campo político-institucional.
A Operação Decreto começou a ser executada ainda na segunda-feira (23), quando foi cumprido um mandado de prisão no Estado do Mato Grosso do Sul contra uma mulher de 33 anos, apontada como uma das líderes da organização criminosa. Além disso, a Justiça expediu mandado de prisão contra outro líder do grupo, um homem de 24 anos, que atualmente é considerado foragido no Estado do Rio de Janeiro.
Movimentação milionária e apelo à população
As investigações apontam que, em um intervalo de 18 meses, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 6 milhões, valor oriundo principalmente da venda de drogas e das atividades relacionadas ao domínio territorial da comunidade. Para a Polícia Civil, os números demonstram o grau de organização e o impacto direto da facção sobre a segurança pública local.
Ao final da operação, a corporação reforçou o pedido de colaboração da população. Informações que possam auxiliar nas investigações podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque Denúncia 181, canal considerado fundamental para o avanço de ações contra o crime organizado no estado.
