Resumo da Notícia
O anúncio feito pelo prefeito Paulinho Freire nesta segunda-feira (23) encerra um dos capítulos mais sensíveis da recente história urbana e turística da zona Norte de Natal. Em pronunciamento na Câmara Municipal de Natal, durante a leitura da tradicional mensagem anual que marca a abertura do ano legislativo, o gestor confirmou que o Mercado da Redinha permanecerá aberto de forma definitiva, afastando a possibilidade de um novo fechamento.
A declaração tem peso político, administrativo e simbólico. O equipamento, reinaugurado em 2024, passou a maior parte do ano passado de portas fechadas enquanto aguardava a conclusão do processo de concessão à iniciativa privada. Em dezembro de 2025, a prefeitura autorizou uma reabertura temporária para atender à alta estação turística, mas, até então, o funcionamento tinha data para acabar. A fala de Paulinho Freire muda esse cenário.
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Segundo o prefeito, a manutenção do mercado em funcionamento não inviabiliza a modelagem da parceria público-privada. “Já foi autorizado. Ele vai continuar aberto. Isso não impede da gente estar trabalhando a concessão e a PPP (parceria público-privada), mas ele vai continuar aberto sim. É um mercado muito bonito para nossa cidade, turístico, e a gente não poderia fechar. O que houve anteriormente foi que a gente estava terminando a obra. A obra ainda falta poucas coisas para fazer, mas, mesmo com essas poucas coisas, dá para continuar aberto e tranquiliza de uma vez por toda os permissionários”, afirmou.
A fala dialoga diretamente com a principal cobrança dos antigos comerciantes do espaço, que comemoraram a reabertura em dezembro, mas insistiam na necessidade de segurança jurídica e previsibilidade para manter seus negócios funcionando. A indefinição sobre datas e prazos vinha gerando instabilidade econômica e desgaste político.
A retomada do funcionamento do Mercado da Redinha coincidiu com um movimento espontâneo que ampliou sua visibilidade. A iluminação noturna do espaço e do entorno acabou impulsionando o banho de mar à noite na praia da Redinha, prática que viralizou nas redes sociais em janeiro e colocou novamente o bairro no centro do debate turístico da capital. O fluxo de visitantes cresceu, reforçando o argumento de que manter o equipamento aberto é estratégico não apenas para os permissionários, mas para a economia local.
Mensagem anual e agenda de obras
A leitura da mensagem anual, onde o anúncio foi feito, havia sido adiada. Inicialmente prevista para a quinta-feira (19), a sessão acabou remarcada após o prefeito ser hospitalizado no dia anterior com sintomas de virose. Antes da solenidade, Paulinho Freire concedeu entrevista coletiva e aproveitou para detalhar prioridades do segundo ano de mandato.
Entre os compromissos apresentados, o prefeito afirmou que o novo Hospital Municipal será inaugurado em maio e destacou investimentos em infraestrutura viabilizados por meio do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento. De acordo com ele, R$ 60 milhões já foram disponibilizados e começarão a ser aplicados em obras estruturantes na cidade.
Histórico da obra e entraves da concessão
O Mercado da Redinha integra o projeto do Complexo Turístico da Redinha e passou por uma ampla reforma ao custo de R$ 25 milhões. A inauguração ocorreu em dezembro de 2024, com a proposta de que a administração fosse repassada à iniciativa privada. A primeira tentativa de licitação, no entanto, foi deserta, o que contribuiu para a sequência de abre-fecha do equipamento.
Após funcionar por cerca de um mês, o mercado reabriu novamente entre fevereiro e março de 2024, voltou a fechar e só retomou as atividades em 22 de dezembro do ano passado. Esse histórico de interrupções alimentou críticas e aumentou a pressão por uma decisão definitiva — agora atendida, ao menos no discurso oficial.
