Natal registra a maior alta do país no preço da cesta básica, aponta levantamento do Dieese

Departamento também calcula que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro, valor que representa mais de quatro vezes o salário mínimo atual de R$ 1.621,00.
Cesta básica sobe em Natal e capital registra maior alta entre capitais brasileiras
Cesta básica sobe em Natal e capital registra maior alta entre capitais brasileiras - Crédito: poravute / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • Natal registra a maior alta no preço da cesta básica no país, segundo o Dieese.
  • O valor da cesta básica em Natal chegou a R$ 616,84 em fevereiro.
  • Tomate lidera os aumentos, com alta de 31% no período.
  • Nordeste domina o ranking de maiores aumentos nos preços da cesta básica.
  • O salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas seria mais de quatro vezes o valor atual.
  • Apesar das altas, alguns produtos tiveram queda de preço, como café e óleo de soja.
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O custo da cesta básica voltou a pesar no bolso do trabalhador em Natal. Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a capital potiguar registrou a maior alta do país no preço da cesta básica no mês de fevereiro, superando todas as demais capitais brasileiras monitoradas pela pesquisa.

De acordo com os dados do estudo divulgado pelo Dieese, o conjunto de alimentos essenciais subiu 3,52% entre janeiro e fevereiro, colocando Natal no topo do ranking nacional de aumento de preços. No período analisado, 14 capitais apresentaram alta no custo da cesta básica, enquanto 13 registraram queda.

Com o reajuste registrado no mês, o valor médio da cesta básica na capital do Rio Grande do Norte passou a custar R$ 616,84 – aumento equivalente de R$ 20,97. No acumulado de 2026 até fevereiro, a elevação já soma 3,30%, demonstrando uma tendência de pressão inflacionária sobre itens essenciais de alimentação.

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Apesar da alta recente, a comparação com fevereiro de 2025 mostra um cenário diferente. Na avaliação interanual, o preço médio da cesta básica em Natal apresenta queda de 4,89%, indicando que, mesmo com oscilações mensais, o custo total ainda permanece abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Nordeste domina ranking de maiores aumentos no mês

Além de Natal, outras capitais nordestinas também aparecem entre os maiores reajustes registrados no levantamento. A sequência das maiores altas no país ficou distribuída da seguinte forma:

  • Natal (3,52%)
  • João Pessoa (2,03%)
  • Recife (1,98%)
  • Maceió (1,87%)
  • Aracaju (1,85%)

O movimento revela uma pressão regional sobre os preços de alimentos básicos, especialmente em cidades do Nordeste, onde o custo de itens essenciais costuma ser mais sensível a variações de oferta e logística.

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Salário mínimo necessário seria mais de quatro vezes o atual

Outro dado que chama atenção na pesquisa diz respeito ao poder de compra do trabalhador brasileiro. Considerando o valor da cesta básica e as necessidades de uma família composta por quatro pessoas, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para garantir alimentação, moradia, saúde, transporte, educação e lazer deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro.

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Esse valor representa mais de quatro vezes o salário mínimo vigente em 2026, atualmente em R$ 1.621,00, evidenciando o descompasso entre renda e custo de vida enfrentado por milhões de brasileiros.

Tomate lidera disparada de preços na cesta básica de Natal

Entre os produtos analisados, o tomate foi o grande responsável pela pressão inflacionária registrada no mês. O item apresentou alta de 31%, sendo disparado o maior aumento entre os alimentos monitorados.

Outros produtos que também registraram aumento no período foram:

  • feijão carioca: 6,63%
  • carne bovina de primeira: 1,08%
  • leite integral: 0,98%
  • farinha de mandioca: 0,61%
  • banana: 0,14%

No total, seis dos 12 produtos que compõem a cesta básica apresentaram aumento de preço em Natal entre janeiro e fevereiro, segundo os dados da pesquisa.

Alguns alimentos tiveram queda e ajudaram a conter impacto maior

Apesar do aumento expressivo em parte dos itens, outros seis produtos apresentaram redução de preços, ajudando a evitar uma alta ainda mais significativa no custo final da cesta básica.

Entre os alimentos que registraram queda estão:

  • café em pó (-2,78%)
  • óleo de soja (-2,38%)
  • açúcar cristal (-2,27%)
  • manteiga (-2,19%)
  • arroz agulhinha (-1,34%)
  • pão francês (-0,13%)

Mesmo com essas reduções pontuais, o impacto das altas em produtos como tomate e feijão acabou puxando o resultado geral da cesta básica para cima na capital potiguar.

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