Médicas são internadas em UTI após comerem peixe Dourado em restaurante de Natal

Médicas são internadas em UTI após comerem peixe Dourado em restaurante de Natal
Foto: Reprodução / Blog Camping

Duas médicas encontram-se internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Natal, após apresentarem um quadro grave de mal-estar. O incidente ocorreu na noite da última terça-feira, dia 6, depois de jantarem em um restaurante da capital potiguar, onde consumiram peixe da espécie Dourado. Horas após a refeição, ambas começaram a manifestar sintomas de intoxicação.

Além das duas médicas hospitalizadas, outras três pessoas que integravam o grupo e também consumiram o peixe apresentaram sintomas, embora mais leves e sem necessidade de internação.

Os sintomas apresentados pelas pacientes levantam a suspeita de Ciguatera, uma intoxicação causada por toxinas naturais encontradas em peixes de recife, como o Dourado, a garoupa e o badejo. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) esclarece que a Ciguatera não está relacionada ao preparo ou à conservação do alimento, mas sim à presença de toxinas que esses peixes acumulam naturalmente ao longo da cadeia alimentar marinha.

O Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Natal já tomou medidas, enviando técnicos ao restaurante para coletar amostras do peixe consumido. O material será analisado pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) para confirmar a presença da toxina.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel no RN) manifestou-se em nome do restaurante, informando que aguarda a conclusão dos exames para tomar as medidas cabíveis. O nome do estabelecimento não foi divulgado até o momento.

Rio Grande do Norte: área de risco para Ciguatera

Embora ainda pouco conhecida no Brasil, a Ciguatera tem se tornado mais comum. A Sesap emitiu uma nota informativa em abril deste ano, alertando que o Rio Grande do Norte é considerado uma área de risco devido à sua extensa costa e ao alto consumo de pescado, especialmente em datas religiosas como a Semana Santa. É importante que a população esteja ciente dos riscos e das medidas preventivas.

A Ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com ciguatoxinas, toxinas produzidas por algas que crescem em recifes de corais. Essas toxinas não têm cheiro, sabor e não são destruídas pelo cozimento ou congelamento.

Os sintomas incluem dores abdominais, vômitos, diarreia, sensação de formigamento, inversão térmica (a sensação de frio parece quente e vice-versa) e problemas cardíacos. O diagnóstico é clínico, pois não há teste específico, e o atendimento médico imediato é essencial.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) informou que a doença é rara no Brasil, mas já foi registrada em Fernando de Noronha a partir de 2022. A Sesap alerta que não existe tratamento específico para a condição, reforçando a importância da notificação e da análise laboratorial dos casos suspeitos.

Não há tratamento específico para a ciguatera. O manejo é feito com hidratação e cuidados sintomáticos. Também não há teste laboratorial em humanos — o diagnóstico é clínico, com base nos sintomas e na história alimentar”, afirma o documento da Sesap.

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