Falhas repetidas nos tomógrafos do Walfredo Gurgel interrompem mais de 4 mil exames por mês

Apesar dos trâmites em andamento, ainda não há previsão para a efetivação da compra nem para a normalização completa dos exames.
Tomógrafos quebrados interrompem exames no Walfredo Gurgel e escancaram crise estrutural na saúde
Tomógrafos quebrados interrompem exames no Walfredo Gurgel e escancaram crise estrutural na saúde - Foto: Thiago César/Inter TV Cabugi

Resumo da Notícia

Os dois tomógrafos do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, principal unidade pública de saúde do Rio Grande do Norte, voltaram a quebrar pela segunda vez em menos de um mês, interrompendo os exames de imagem e prejudicando o diagnóstico de pacientes. O problema, que já havia ocorrido em setembro, voltou a afetar o funcionamento do hospital nos últimos dias e reacende o alerta sobre a precariedade estrutural do setor de diagnóstico por imagem.

Um dos tomógrafos, com nove anos de uso, está em manutenção e depende da substituição de peças importadas. O segundo, ainda mais antigo — com 15 anos de funcionamento — chegou a ser reativado na segunda-feira (13), mas voltou a apresentar falhas durante os testes, interrompendo novamente o serviço.

Os dois equipamentos são essenciais para o atendimento diário e, juntos, realizam mais de quatro mil exames por mês. A paralisação, portanto, afeta diretamente a rotina de pacientes e equipes médicas, que dependem do exame para definir diagnósticos e condutas clínicas.

Direção reconhece obsolescência e limitações orçamentárias

O diretor do hospital, Geraldo Neto, explicou que o problema não é novo e reflete a fragilidade da estrutura de imagem da unidade.

Quando a gente chegou aqui no Walfredo, a gente identificou, na verdade, a fragilidade que já existia na estrutura, voltada para essa parte do setor de tomografia, do setor de imagem. E aí, na verdade, já existe um termo de obsolescência de uma dessas máquinas e a gente pediu à empresa que faz manutenção preventiva e corretiva para estender um pouco mais, sabendo justamente das limitações de orçamento que o Estado tem. Não é novidade para ninguém a nossa dificuldade de orçamento”, afirmou.

De acordo com o gestor, a manutenção emergencial tem sido a única saída enquanto o hospital tenta viabilizar a compra de um novo equipamento.

O projeto orçamentário para aquisição de um tomógrafo moderno já foi elaborado, com valor estimado em R$ 2,5 milhões, mas ainda aguarda liberação de verba.

O Estado vive nessa situação delicada financeira, o que nos impediu de fazer uma aquisição de forma mais tempestiva, mas a direção, assim que enxergou a necessidade de fazer a substituição desses equipamentos, nós já disparamos processos de compra para que nós fizéssemos a aquisição de um equipamento maior, mais robusto”, explicou o diretor.

O novo modelo em processo de compra terá 64 canais, enquanto o atual possui 16. Segundo ele, a diferença tecnológica deve garantir agilidade e precisão no diagnóstico.

Ele é um equipamento muito mais completo e que a gente com certeza vai conseguir dar uma resposta muito mais rápida para fechar diagnóstico e realmente para tomar a decisão”, acrescentou.

Sem previsão de normalização

Apesar dos trâmites em andamento, ainda não há previsão para a efetivação da compra nem para a normalização completa dos exames. Enquanto isso, o hospital tenta reorganizar a demanda, priorizando os casos de urgência. A falta de equipamentos adequados, contudo, mantém o risco de sobrecarga e atrasos no atendimento, especialmente em uma unidade que concentra grande parte das emergências de Natal e do estado.

A recorrência do problema, em menos de 30 dias, reforça a urgência de investimento em infraestrutura hospitalar e planejamento para reposição tecnológica em setores essenciais.

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