Resumo da Notícia
Quem vive em Natal e depende do salário mínimo para sustentar a casa já percebeu na prática: uma parte considerável da renda mensal acaba direcionada à compra de alimentos básicos.
Um levantamento divulgado a partir de dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra exatamente quanto tempo de trabalho é necessário para garantir a cesta básica na capital potiguar.
Os números revelam um cenário que mistura alívio relativo em comparação com outras capitais e, ao mesmo tempo, pressão real no orçamento das famílias.
Segundo o estudo, o trabalhador de Natal precisa dedicar 83 horas e 43 minutos de trabalho por mês apenas para conseguir pagar os alimentos essenciais presentes na cesta básica.
Embora esse tempo ainda represente um peso significativo para quem vive de salário mínimo, o indicador coloca a capital do Rio Grande do Norte entre as cidades brasileiras onde o trabalhador precisa trabalhar menos horas para comprar comida.
Natal está entre as capitais com menor tempo de trabalho para comprar alimentos
No ranking nacional, Natal aparece como a quinta capital onde o trabalhador precisa dedicar menos horas mensais para adquirir os produtos da cesta básica.
O levantamento mostra que outras capitais apresentam uma exigência de trabalho muito maior para garantir os mesmos alimentos. O contraste mais evidente aparece em São Paulo, que lidera a lista.
Confira o ranking completo do tempo mensal de trabalho necessário para comprar a cesta básica:
- São Paulo — 115h45
- Rio de Janeiro — 112h14
- Florianópolis — 108h14
- Cuiabá — 107h44
- Porto Alegre — 106h47
- Campo Grande — 105h54
- Vitória — 102h37
- Curitiba — 101h11
- Belo Horizonte — 100h01
- Goiânia — 99h16
- Brasília — 96h38
- Palmas — 94h22
- Fortaleza — 94h03
- Belém — 91h29
- Macapá — 89h41
- Boa Vista — 89h28
- Teresina — 88h02
- Rio Branco — 85h45
- São Luís — 85h30
- Manaus — 85h21
- João Pessoa — 83h58
- Salvador — 83h52
- Natal — 83h43
- Recife — 83h04
- Maceió — 81h58
- Porto Velho — 81h40
- Aracaju — 76h23
Esses números são calculados considerando o valor médio da cesta básica em cada capital e o salário mínimo vigente.
Na prática, o indicador revela quanto da jornada mensal de trabalho é consumida exclusivamente pela compra de alimentos.
Preço da cesta básica em Natal aumentou em fevereiro
Apesar da posição relativamente favorável no ranking nacional, o levantamento aponta um dado que preocupa o consumidor potiguar.
O relatório de fevereiro mostra que Natal registrou a maior alta no preço da cesta básica entre as capitais brasileiras naquele mês.
De acordo com o Dieese, o custo da cesta básica na capital potiguar subiu 3,52% entre janeiro e fevereiro.
Esse aumento mensal ocorreu mesmo com uma tendência oposta na comparação anual. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve redução de quase 5% no preço da cesta básica.
Esse movimento revela como a inflação dos alimentos continua sendo um dos fatores mais sensíveis no orçamento das famílias brasileiras.
Quanto do salário mínimo é gasto com comida em Natal
Outro dado importante do levantamento mostra o impacto direto da alimentação no rendimento mensal dos trabalhadores.
Segundo o Dieese, a cesta básica em Natal custou em média R$ 616,84 em fevereiro.
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Esse valor representa 41,14% do salário mínimo líquido, já considerando o desconto de 7,5% da contribuição para a Previdência Social.
Ou seja, para um trabalhador que recebe o piso nacional, quase metade da renda mensal é comprometida apenas com os alimentos essenciais.
A média nacional registrada no estudo foi ainda mais alta: 46,13% do rendimento líquido nas 27 capitais pesquisadas.
Isso significa que, em termos proporcionais, Natal apresenta um comprometimento da renda ligeiramente menor que a média brasileira, embora ainda represente um peso considerável para o orçamento doméstico.
Capitais onde a comida pesa mais no salário
O estudo também comparou o percentual do salário mínimo necessário para comprar a cesta básica em cada capital.
Veja os dados completos:
- São Paulo — 56,88%
- Rio de Janeiro — 55,15%
- Florianópolis — 53,19%
- Cuiabá — 52,94%
- Porto Alegre — 52,48%
- Campo Grande — 52,04%
- Vitória — 50,43%
- Curitiba — 49,72%
- Belo Horizonte — 49,14%
- Goiânia — 48,77%
- Brasília — 47,49%
- Palmas — 46,37%
- Fortaleza — 46,22%
- Belém — 44,96%
- Macapá — 44,07%
- Boa Vista — 43,96%
- Teresina — 43,26%
- Rio Branco — 42,14%
- São Luís — 42,02%
- Manaus — 41,94%
- João Pessoa — 41,26%
- Salvador — 41,21%
- Natal — 41,14%
- Recife — 40,81%
- Maceió — 40,28%
- Porto Velho — 40,13%
- Aracaju — 37,54%
Os números mostram que São Paulo lidera o ranking de comprometimento da renda com alimentação, enquanto Aracaju aparece como a capital onde o peso da cesta básica é menor em relação ao salário mínimo.
Salário mínimo ideal seria quatro vezes maior
Além de medir o impacto da cesta básica no orçamento das famílias, o Dieese também realiza um cálculo que costuma chamar atenção: qual deveria ser o salário mínimo necessário para sustentar uma família brasileira com dignidade.
Esse valor considera despesas essenciais como:
- alimentação
- moradia
- saúde
- educação
- transporte
- vestuário
Com base na cesta básica mais cara do país — registrada em São Paulo naquele mês — o estudo aponta que o salário mínimo necessário em fevereiro deveria ter sido de R$ 7.164,94.
Isso representa aproximadamente quatro vezes o valor do piso salarial atual de R$ 1.621.
O cálculo evidencia a diferença entre o salário mínimo oficial e o rendimento considerado suficiente para atender às necessidades básicas de uma família brasileira.