Cesta básica consome mais de 40% do salário mínimo em Natal, aponta estudo

O Dieese estima ainda que o salário mínimo necessário para sustentar uma família brasileira deveria ser de R$ 7.164,94, valor calculado com base na cesta básica mais cara do país. Esse montante representa aproximadamente quatro vezes o piso salarial atual de R$ 1.621.
Preço da cesta básica aumenta 11% em 2024 em Natal, aponta Dieese
Joédson Alves/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • Estudo revela que a cesta básica em Natal consome mais de 40% do salário mínimo.
  • Natal está entre as capitais com menor tempo de trabalho para comprar alimentos.
  • Preço da cesta básica em Natal aumentou em fevereiro.
  • O custo da cesta básica em Natal representa 41,14% do salário mínimo líquido.
  • São Paulo lidera o ranking de comprometimento da renda com alimentação.
  • O salário mínimo ideal, segundo o Dieese, seria quatro vezes maior.
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Quem vive em Natal e depende do salário mínimo para sustentar a casa já percebeu na prática: uma parte considerável da renda mensal acaba direcionada à compra de alimentos básicos.

Um levantamento divulgado a partir de dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra exatamente quanto tempo de trabalho é necessário para garantir a cesta básica na capital potiguar.

Os números revelam um cenário que mistura alívio relativo em comparação com outras capitais e, ao mesmo tempo, pressão real no orçamento das famílias.

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Segundo o estudo, o trabalhador de Natal precisa dedicar 83 horas e 43 minutos de trabalho por mês apenas para conseguir pagar os alimentos essenciais presentes na cesta básica.

Embora esse tempo ainda represente um peso significativo para quem vive de salário mínimo, o indicador coloca a capital do Rio Grande do Norte entre as cidades brasileiras onde o trabalhador precisa trabalhar menos horas para comprar comida.

Natal está entre as capitais com menor tempo de trabalho para comprar alimentos

No ranking nacional, Natal aparece como a quinta capital onde o trabalhador precisa dedicar menos horas mensais para adquirir os produtos da cesta básica.

O levantamento mostra que outras capitais apresentam uma exigência de trabalho muito maior para garantir os mesmos alimentos. O contraste mais evidente aparece em São Paulo, que lidera a lista.

Confira o ranking completo do tempo mensal de trabalho necessário para comprar a cesta básica:

  • São Paulo — 115h45
  • Rio de Janeiro — 112h14
  • Florianópolis — 108h14
  • Cuiabá — 107h44
  • Porto Alegre — 106h47
  • Campo Grande — 105h54
  • Vitória — 102h37
  • Curitiba — 101h11
  • Belo Horizonte — 100h01
  • Goiânia — 99h16
  • Brasília — 96h38
  • Palmas — 94h22
  • Fortaleza — 94h03
  • Belém — 91h29
  • Macapá — 89h41
  • Boa Vista — 89h28
  • Teresina — 88h02
  • Rio Branco — 85h45
  • São Luís — 85h30
  • Manaus — 85h21
  • João Pessoa — 83h58
  • Salvador — 83h52
  • Natal — 83h43
  • Recife — 83h04
  • Maceió — 81h58
  • Porto Velho — 81h40
  • Aracaju — 76h23

Esses números são calculados considerando o valor médio da cesta básica em cada capital e o salário mínimo vigente.

Na prática, o indicador revela quanto da jornada mensal de trabalho é consumida exclusivamente pela compra de alimentos.

Preço da cesta básica em Natal aumentou em fevereiro

Apesar da posição relativamente favorável no ranking nacional, o levantamento aponta um dado que preocupa o consumidor potiguar.

O relatório de fevereiro mostra que Natal registrou a maior alta no preço da cesta básica entre as capitais brasileiras naquele mês.

De acordo com o Dieese, o custo da cesta básica na capital potiguar subiu 3,52% entre janeiro e fevereiro.

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Esse aumento mensal ocorreu mesmo com uma tendência oposta na comparação anual. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve redução de quase 5% no preço da cesta básica.

Esse movimento revela como a inflação dos alimentos continua sendo um dos fatores mais sensíveis no orçamento das famílias brasileiras.

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Quanto do salário mínimo é gasto com comida em Natal

Outro dado importante do levantamento mostra o impacto direto da alimentação no rendimento mensal dos trabalhadores.

Segundo o Dieese, a cesta básica em Natal custou em média R$ 616,84 em fevereiro.

Esse valor representa 41,14% do salário mínimo líquido, já considerando o desconto de 7,5% da contribuição para a Previdência Social.

Ou seja, para um trabalhador que recebe o piso nacional, quase metade da renda mensal é comprometida apenas com os alimentos essenciais.

A média nacional registrada no estudo foi ainda mais alta: 46,13% do rendimento líquido nas 27 capitais pesquisadas.

Isso significa que, em termos proporcionais, Natal apresenta um comprometimento da renda ligeiramente menor que a média brasileira, embora ainda represente um peso considerável para o orçamento doméstico.

Capitais onde a comida pesa mais no salário

O estudo também comparou o percentual do salário mínimo necessário para comprar a cesta básica em cada capital.

Veja os dados completos:

  • São Paulo — 56,88%
  • Rio de Janeiro — 55,15%
  • Florianópolis — 53,19%
  • Cuiabá — 52,94%
  • Porto Alegre — 52,48%
  • Campo Grande — 52,04%
  • Vitória — 50,43%
  • Curitiba — 49,72%
  • Belo Horizonte — 49,14%
  • Goiânia — 48,77%
  • Brasília — 47,49%
  • Palmas — 46,37%
  • Fortaleza — 46,22%
  • Belém — 44,96%
  • Macapá — 44,07%
  • Boa Vista — 43,96%
  • Teresina — 43,26%
  • Rio Branco — 42,14%
  • São Luís — 42,02%
  • Manaus — 41,94%
  • João Pessoa — 41,26%
  • Salvador — 41,21%
  • Natal — 41,14%
  • Recife — 40,81%
  • Maceió — 40,28%
  • Porto Velho — 40,13%
  • Aracaju — 37,54%

Os números mostram que São Paulo lidera o ranking de comprometimento da renda com alimentação, enquanto Aracaju aparece como a capital onde o peso da cesta básica é menor em relação ao salário mínimo.

Salário mínimo ideal seria quatro vezes maior

Além de medir o impacto da cesta básica no orçamento das famílias, o Dieese também realiza um cálculo que costuma chamar atenção: qual deveria ser o salário mínimo necessário para sustentar uma família brasileira com dignidade.

Esse valor considera despesas essenciais como:

  • alimentação
  • moradia
  • saúde
  • educação
  • transporte
  • vestuário

Com base na cesta básica mais cara do país — registrada em São Paulo naquele mês — o estudo aponta que o salário mínimo necessário em fevereiro deveria ter sido de R$ 7.164,94.

Isso representa aproximadamente quatro vezes o valor do piso salarial atual de R$ 1.621.

O cálculo evidencia a diferença entre o salário mínimo oficial e o rendimento considerado suficiente para atender às necessidades básicas de uma família brasileira.

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