Natal lidera crescimento e reforça concentração do PIB do Rio Grande do Norte

A análise do PIB per capita revelou distorções profundas entre municípios, com cidades altamente especializadas superando R$ 100 mil por habitante, enquanto outras permanecem abaixo de R$ 12 mil, mostrando desigualdades internas expressivas.
Natal lidera crescimento e reforça concentração do PIB do Rio Grande do Norte
Bairro de Ponta Negra - Foto: Rafael Nicácio / Portal N10

Resumo da Notícia

Os novos dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), escancaram uma realidade que há anos molda a economia do Rio Grande do Norte: a forte concentração de riqueza em poucos municípios. Em 2023, apenas quatro cidades — Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante — responderam por 50,8% de toda a riqueza produzida no estado, que alcançou o recorde histórico de R$ 101,7 bilhões.

O dado não apenas confirma a centralização econômica como também revela movimentos importantes dentro desse grupo. Natal foi o município que mais ampliou sua participação no PIB potiguar entre 2022 e 2023, passando a concentrar 30,63% de toda a riqueza estadual, com um PIB calculado em R$ 31,162 bilhões. O crescimento representa ganho de 1,32 ponto percentual, o maior avanço proporcional entre todos os municípios do Rio Grande do Norte no período analisado.

Esse desempenho consolidou ainda mais o peso da capital na economia estadual e ampliou a distância em relação aos demais centros urbanos. Na sequência do crescimento proporcional aparecem Lajes, Caiçara do Rio do Vento, Pedro Avelino e Macaíba, mas com variações bem mais discretas.

Na outra ponta do levantamento, Parnamirim liderou as perdas de participação no PIB estadual, com retração de 0,50 ponto percentual. Também registraram queda Guamaré, Serra do Mel, Macau, Areia Branca e Mossoró, indicando uma reorganização interna na dinâmica econômica potiguar, especialmente em municípios com forte dependência de atividades específicas.

Mudanças no ranking das maiores economias do RN

Os dados de 2023 também provocaram alterações relevantes no ranking dos municípios com maior PIB do estado. São Gonçalo do Amarante assumiu a quarta colocação, ultrapassando Guamaré, enquanto Macaíba avançou para a sexta posição, trocando de lugar com Açu. Macau, por sua vez, deixou o grupo dos dez maiores PIBs do Rio Grande do Norte.

Somados, os cinco municípios com maior participação econômica concentraram 53,3% de toda a economia estadual, reforçando o grau elevado de concentração produtiva.

Ranking – Top 10 PIB dos Municípios do RN (2023)

PosiçãoMunicípioPIB (R$ bilhões)Participação no PIB do RN
Natal31,16230,63%
Mossoró10,32310,15%
Parnamirim7,6087,48%
São Gonçalo do Amarante2,5882,54%
Guamaré2,5812,54%
Macaíba2,4552,41%
Açu2,1702,13%
Caicó1,7351,71%
João Câmara1,5271,50%
10ºSão José de Mipibu1,4571,43%

No recorte nacional, Natal ocupou a 44ª posição entre os maiores PIBs do Brasil em 2023. No ranking regional do Nordeste, a capital potiguar ficou na sexta colocação, enquanto Parnamirim apareceu no 30º lugar. O levantamento também evidenciou desigualdades extremas: o Rio Grande do Norte teve dois municípios entre os menores PIBs do Nordeste, com Viçosa na quinta posição e João Dias na 12ª.

PIB per capita revela distorções profundas entre municípios

A análise do PIB per capita reforça ainda mais as disparidades internas. Em 2023, cinco municípios potiguares superaram a marca de R$ 100 mil por habitante, liderando o ranking estadual: Guamaré (R$ 168.808,24), Caiçara do Rio do Vento (R$ 145.099,23), São Bento do Norte (R$ 119.507,48), Parazinho (R$ 109.346,87) e Bodó (R$ 104.148,52).

No extremo oposto, Rafael Fernandes (R$ 11.389,04), Espírito Santo (R$ 11.928,61) e Januário Cicco (R$ 11.980,50) apresentaram os menores valores do estado, evidenciando realidades econômicas completamente distintas dentro do mesmo território.

Entre os municípios mais populosos, o PIB per capita foi de R$ 41.477,50 em Natal, R$ 39.019,51 em Mossoró e R$ 30.107,02 em Parnamirim. Para esse cálculo, o IBGE utilizou dados populacionais da Relação da População dos Municípios enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2023, metodologia que garante padronização e comparabilidade nacional.

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