MPF recomenda remoção de homenagens à ditadura militar em 80 espaços públicos do RN

Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF)
Sede da Procuradoria da República do RN — Foto: MPF/Divulgação
Continua após o anúncio

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendações para que o Governo do Rio Grande do Norte, a Assembleia Legislativa e as prefeituras e câmaras de dez municípios do estado retirem homenagens a figuras e alusões ao período da ditadura militar (1964-1985).

De acordo com a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), a medida visa alterar nomes de logradouros que reverenciam ex-ditadores ou fazem referência ao golpe de 1964. Em Natal, a Ponte Costa e Silva, popularmente conhecida como Ponte de Igapó, é um dos exemplos citados.

O levantamento do MPF identificou 542 locais públicos com homenagens similares em todo o estado, incluindo edifícios, auditórios, centros culturais, escolas, vias, bairros e monumentos. As recomendações atuais abrangem os municípios de Natal, Extremoz, Goianinha, Macaíba, Monte Alegre, Nísia Floresta, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu e Vera Cruz.

Continua após o anúncio

Prazos estabelecidos pelo MPF:

Cobertura relacionadaMulher é presa por suspeita de matar companheiro a facadas em Currais Novos
Continua após o anúncio
  • 90 dias para apresentação de um levantamento completo dos locais públicos que homenageiam a ditadura militar.
  • 120 dias para a modificação dos nomes desses espaços.
  • 180 dias para a entrega de um relatório com os nomes de pessoas mortas, desaparecidas ou torturadas durante o regime militar em cada município.

O objetivo, segundo o MPF, é munir os procuradores da República com informações para a adoção de medidas adequadas em outras regiões do estado. A instituição ressalta que poderá recorrer a ações judiciais caso as recomendações não sejam cumpridas.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Emanuel Ferreira, argumenta que a manutenção de homenagens a colaboradores da ditadura militar “favorece a naturalização e a aceitação de um período autoritário, promovendo continuidades que normalizam tentativas de golpe ainda hoje no Brasil”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já proibiu o uso de recursos públicos em comemorações relativas ao golpe de 1964. A PRDC entende que a manutenção das homenagens em espaços públicos pode configurar ato de improbidade administrativa.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.