Dnit autoriza mudança no traçado da BR-226 para ampliar exploração de ouro em Currais Novos

A decisão foi tomada após estudos identificarem reservas de ouro abaixo do trecho atual da estrada. Com a realocação da rodovia, cerca de 670 mil onças adicionais do metal passam a ser consideradas economicamente viáveis para exploração.
Descoberta de ouro sob BR-226 leva Dnit a autorizar mudança no traçado da rodovia
Linha vermelha mostra novo trecho da BR-226 que será construído por mineradora — Foto: Dnit/Cedido

Resumo da Notícia

  • O Dnit autorizou a Aura Minerals a alterar o traçado da BR-226 em Currais Novos para expandir a exploração de ouro na Mina Borborema.
  • A mudança permitirá à mineradora acessar novas reservas de ouro localizadas sob a pista atual da rodovia federal.
  • A Aura Minerals estima que a alteração do traçado aumentará significativamente a capacidade de exploração da mina, que iniciou operações em outubro de 2025.
  • As reservas da Mina Borborema cresceram 82%, totalizando cerca de 1,5 milhão de onças de ouro, com a realocação da rodovia tornando 670 mil onças adicionais economicamente viáveis.
  • A mina tem previsão de operar por mais de 20 anos, com produção anual média de 65 mil onças de ouro.
  • A execução das obras depende da aprovação dos projetos de engenharia pelo Dnit, licenciamento ambiental e conclusão das desapropriações, com custos arcados pela mineradora.
  • A Aura Minerals será responsável por estudos, projetos, licenças ambientais e aquisição de áreas para o novo trecho da BR-226.
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A exploração de ouro na região do Seridó potiguar deve ganhar novo impulso após um acordo firmado entre a mineradora Aura Minerals e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O entendimento autoriza a alteração do traçado da BR-226, que passa ao lado da Mina Borborema, na zona rural de Currais Novos, permitindo que a empresa avance sobre áreas onde foram identificadas reservas do metal precioso.

A mudança envolve a construção de um novo trecho da rodovia, desviando o fluxo da estrada federal da área onde hoje se encontra a pista atual. O objetivo é liberar o espaço para exploração mineral, já que estudos geológicos indicaram a existência de ouro abaixo do atual traçado da via.

Segundo comunicado enviado pela Aura Minerals a investidores, o redirecionamento da rodovia cria condições para ampliar significativamente a capacidade de exploração da Mina Borborema, operação iniciada em outubro de 2025. Na ocasião da abertura da mina, a empresa já havia informado ao Portal N10 que buscava um acordo com as autoridades federais para viabilizar a alteração do traçado da BR-226.

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Reservas de ouro aumentam com a realocação da rodovia

A reconfiguração do projeto também impactou diretamente as estimativas de reservas minerais. Conforme atualização do relatório técnico divulgada pela companhia em 26 de fevereiro, a base de reservas da mina teve crescimento de 82%, alcançando aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro.

Cada onça equivale a 31,1 gramas do metal, o que representa um volume expressivo de recursos minerais disponíveis na região.

De acordo com a empresa, cerca de 670 mil onças adicionais passaram a ser consideradas economicamente viáveis justamente após a autorização para deslocar o traçado da rodovia federal.

O estudo de viabilidade do projeto aponta reservas prováveis de 40,7 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 1,13 grama de ouro por tonelada, totalizando aproximadamente 1,479 milhão de onças do metal.

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A expectativa da companhia é que a Mina Borborema opere por 20 anos e cinco meses, com produção média anual estimada em 65 mil onças de ouro, volume que ultrapassa 20 mil quilos do metal por ano.

Obras dependem de licenciamento e aprovação técnica

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Em nota oficial, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) confirmou que o acordo com a mineradora foi formalizado no dia 3 de março. O documento autoriza a empresa a desenvolver projetos de engenharia e executar as obras necessárias para o novo traçado da BR-226.

No entanto, a execução da obra ainda depende de etapas técnicas e ambientais.

O início das obras está condicionado à aprovação dos projetos de engenharia pelo Dnit, à obtenção das licenças ambientais pertinentes e à conclusão das etapas de desapropriação necessárias, informou o órgão federal.

O acordo possui vigência de 730 dias, contados a partir da assinatura, podendo ser prorrogado caso seja necessário para a conclusão das etapas previstas.

Embora os valores totais do empreendimento não tenham sido divulgados, o Dnit esclareceu que todo o investimento para alteração do traçado da rodovia será realizado pela própria mineradora.

Responsabilidades assumidas pela mineradora

Pelo acordo firmado com o órgão federal, a Aura Minerals ficará responsável por uma série de etapas técnicas e administrativas necessárias para a implantação do novo trecho rodoviário.

Entre as obrigações previstas estão:

  • elaborar os estudos e projetos de engenharia necessários para a mudança do traçado da rodovia;
  • obter todas as licenças ambientais exigidas pelos órgãos competentes;
  • realizar a aquisição das áreas necessárias para implantação do novo trecho da estrada;
  • garantir que os projetos sejam desenvolvidos em conformidade com normas técnicas e regulatórias.

Até a última atualização desta reportagem, a mineradora não havia enviado posicionamento adicional ao Portal N10 sobre os detalhes da mudança no traçado da rodovia federal.

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