Coqueluche tem aumento de 75% no RN e baixa vacinação acende sinal vermelho

A coqueluche é uma infecção respiratória grave e de fácil transmissão, mas pode ser evitada com a vacina pentavalente, aplicada aos dois, quatro e seis meses de idade.
Coqueluche tem aumento de 75% no RN e baixa vacinação acende sinal vermelho
Casos de coqueluche disparam no RN e acendem alerta entre autoridades de saúde - Foto: MDS

Resumo da Notícia

A coqueluche, infecção respiratória grave e altamente transmissível, voltou a preocupar autoridades de saúde no Rio Grande do Norte. Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) indicam aumento expressivo nas notificações e confirmações da doença, especialmente entre bebês menores de seis meses — faixa etária mais vulnerável às complicações.

De janeiro a 15 de outubro deste ano, foram notificados 72 casos de coqueluche no estado, dos quais 21 foram confirmados, 14 permanecem em investigação, 29 foram descartados e oito classificados como inconclusivos. No mesmo período do ano passado, haviam sido 25 notificações, com 12 confirmações. O crescimento, portanto, representa alta de 75% nos casos confirmados em apenas um ano.

Entre as ocorrências mais recentes, está a de uma bebê de dois meses, diagnosticada com a doença e que apresentava crises de tosse tão severas que chegou a desmaiar. Uma decisão judicial determinou sua transferência para o Hospital Pediátrico Maria Alice, na zona Norte de Natal.

Segundo a Sesap, a criança já não estava mais indicada para leito de UTI desde o fim da semana anterior e foi transferida para um leito clínico de isolamento, onde segue em acompanhamento.

Tendência nacional de aumento

O cenário potiguar acompanha a tendência observada em todo o país. Levantamento do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância) — uma parceria entre a Fiocruz e a Unifase — apontou que, em 2024, o Brasil registrou 2.152 casos de coqueluche em crianças menores de cinco anos, número 1.353% maior que o de 2023, quando foram registrados apenas 159 casos.

Entre 2020 e 2024, o país somou 8.205 confirmações, enquanto o Rio Grande do Norte notificou 101 casos suspeitos, com 35 confirmações no mesmo período, segundo a Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (Suvige).

Esse aumento de casos de coqueluche no Brasil como um todo preocupa. É o ressurgimento de doenças preveníveis com vacinação e que podem apresentar quadros graves em crianças, e isso sempre aumenta nossa preocupação, principalmente por ser uma doença de transmissão interpessoal”, destacou Gisele Borba, médica infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Ebserh.

Entre 2020 e 2024, não houve registro de óbitos por coqueluche no RN. O último ocorreu em 2014. A vacina pentavalente, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o principal meio de prevenção e deve ser aplicada aos dois, quatro e seis meses de idade. Mesmo assim, a cobertura vacinal segue abaixo da meta recomendada de 95%: foi de 67,87% em 2020, 72,21% em 2021, 75,79% em 2022, 83,84% em 2023 e 89,18% em 2024.

É uma doença prevenível com vacina. O ressurgimento dela se deve diretamente à queda na cobertura vacinal. Estamos experimentando essa queda desde um pouco antes da pandemia. Na pandemia, reduziu mais ainda e, infelizmente, não conseguimos retomar os níveis necessários para garantir proteção global contra a doença”, acrescentou Gisele Borba.

Fatores que explicam o aumento

Para Patrícia Boccolini, uma das coordenadoras do Observa Infância, a alta recente da doença no país está associada a um conjunto de fatores.

A alta recente de coqueluche no país pode decorrer de coberturas vacinais ainda abaixo da meta de 95%, e muito desiguais entre municípios, com atrasos nos reforços e baixa adesão à dTpa durante a gestação; retomada dos ciclos naturais da doença no pós-pandemia; intensificação da vigilância e do uso de PCR, elevando a detecção de quadros leves — sem, contudo, explicar sozinha o aumento de internações e óbitos”, afirmou.

Ela ainda acrescentou que condições ambientais e sociais também contribuem: “Há possível contribuição de fatores ambientais e sociais — desastres, aglomerações e interrupções de serviços —, que criam condições para focos locais, além do aumento de casos registrados em toda a região das Américas entre 2023 e 2024”.

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