Resumo da Notícia
A decisão que vinha sendo tratada nos bastidores ganhou contornos definitivos: a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), não disputará o Senado em 2026 e permanecerá no cargo até o fim do mandato, em 5 de janeiro de 2027.
O movimento, confirmado em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (17), altera o cenário político potiguar e redefine a estratégia do Partido dos Trabalhadores para o próximo ciclo eleitoral.
A mudança de rota não foi isolada. Ela ocorre após uma reunião estratégica em Brasília, realizada na segunda-feira (16), que reuniu Fátima com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o presidente nacional do partido, Edinho Silva.
Risco político na Assembleia pesou na decisão
O principal fator que levou à permanência de Fátima no governo foi o alto risco de perda de controle político caso deixasse o cargo. Pela legislação eleitoral, ela teria que renunciar até 4 de abril para disputar o Senado. No entanto, essa saída abriria caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa.
O problema: o PT não tem os votos necessários.
Atualmente, o partido conta com o apoio de apenas 8 deputados estaduais, enquanto seriam necessários 13 votos para garantir a eleição de um sucessor em mandato tampão. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte possui 24 parlamentares.
A avaliação interna é clara: havia risco real de a oposição assumir o comando do Estado, caso o governo não conseguisse maioria na Casa.
“Para viabilizar a candidatura ao Senado era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado“, citou Fátima.
Lula entra no jogo e define estratégia nacional do PT
Nos bastidores, a decisão de Fátima não foi apenas estadual — foi também nacional.
Segundo fontes do Executivo estadual, Lula pediu diretamente que a governadora permanecesse no cargo, justamente para evitar um cenário de instabilidade política no Rio Grande do Norte. A orientação foi clara: segurar o governo e fortalecer o projeto político do partido no Estado.
Como contrapartida, foi discutida a possibilidade de Fátima integrar um eventual novo governo federal a partir de 2027. Entre as opções ventiladas, está o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, pasta estratégica responsável por obras de segurança hídrica — tema diretamente ligado ao Nordeste.
Além disso, Lula também definiu prioridades eleitorais:
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Hoje, o PT tem 2 deputados federais — Fernando Mineiro e Natália Bonavides — e 3 estaduais — Divaneide Basílio, Francisco do PT e Isolda Dantas.
Disputa ao Senado muda completamente sem Fátima
Com a saída de Fátima da corrida, o PT precisa reorganizar sua estratégia para o Senado. A definição tomada na reunião é de que o partido terá uma outra candidata mulher.
Entre os nomes citados internamente estão:
- Samanda Alves, vereadora de Natal
- Thabatta Pimenta, também vereadora
- Natália Bonavides, deputada federal
Apesar disso, Natália já sinalizou que pretende disputar a reeleição para a Câmara, o que abre espaço para um novo protagonismo dentro do partido.
Samanda Alves ganha força e vira principal aposta do PT
Nos bastidores, o nome que mais cresce é o de Samanda Alves, atual presidente estadual do PT e vereadora de Natal.
Com trajetória diretamente ligada à governadora, Samanda acumulou funções estratégicas ao longo dos anos:
- Foi assessora pessoal de Fátima por mais de 20 anos
- Atuou como secretária-adjunta do Gabinete Civil do RN
- Foi subsecretária do Trabalho, Emprego e Renda
- Coordenou o SINE/RN
- Trabalhou no Ministério dos Direitos Humanos durante o governo Dilma Rousseff
Em 2022, disputou uma vaga de deputada federal pela federação Brasil da Esperança, obtendo 31.240 votos, mas não se elegeu. Já em 2024, conquistou seu primeiro mandato eletivo com 13.456 votos, sendo eleita vereadora em Natal.
Inicialmente cotada para disputar vaga na Câmara em 2026, Samanda agora surge como principal alternativa do PT ao Senado, especialmente diante da recusa de Natália Bonavides em deixar a disputa proporcional.