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Riachuelo projeta cerca de 600 novas vagas e deve superar 10,3 mil colaboradores no RN em 2026

Mesmo com a projeção de crescimento no Estado, empresa vê risco no fim da “taxa das blusinhas” e defende isonomia tributária e regulatória entre empresas brasileiras e produtos importados.
Com fábrica e CD, Riachuelo projeta superar 10,3 mil colaboradores no RN em 2026
Com fábrica e CD, Riachuelo projeta superar 10,3 mil colaboradores no RN em 2026 - Crédito: Divulgação / Riachuelo

Resumo da Notícia

  • A Riachuelo projeta a criação de cerca de 600 novas vagas no Rio Grande do Norte até 2026.
  • Com a expansão, a companhia deve superar a marca de 10,3 mil colaboradores diretos no estado.
  • O CEO André Farber destacou que 40% da produção nacional da empresa está concentrada no RN.
  • O Instituto Riachuelo investirá R$ 8 milhões em projetos sociais e de capacitação profissional em 2026.
  • Programas como o Pró-Sertão continuam movimentando a economia e gerando empregos indiretos no interior.
  • A empresa manifestou preocupação com o impacto do fim da taxa de importação sobre a indústria têxtil nacional.

A Riachuelo projeta ampliar o quadro no Rio Grande do Norte em 2026 e superar 10,3 mil colaboradores no estado, considerando a fábrica Guararapes, na Região Metropolitana de Natal, e o Centro de Distribuição da companhia. Hoje, as duas unidades somam mais de 9,7 mil trabalhadores, o que indica uma expansão de aproximadamente 600 novas vagas ao longo do ano.

A previsão específica para a fábrica Guararapes é encerrar 2026 com 10 mil profissionais. A unidade terminou 2025 com 8,9 mil colaboradores. O movimento reforça o peso do Rio Grande do Norte dentro da operação nacional da companhia, já que cerca de 40% da produção da Riachuelo está no estado.

A projeção foi apresentada pelo CEO da empresa, André Farber, nesta segunda-feira (25). O Grupo Guararapes é hoje o que mais emprega no setor de moda no Brasil, com cerca de 33 mil funcionários diretos, sendo 46% deles no Nordeste.

A gente veio crescendo e dando muita importância para nossa fábrica. A gente vai aumentando o nível de investimento e de contratação de pessoas”, afirma Farber.

A ampliação do quadro também passa por investimento em capacitação. Segundo Farber, por atuar com uma operação intensiva em mão de obra, a empresa precisa fortalecer processos de treinamento para preparar profissionais para a cadeia produtiva da moda.

Um dos principais exemplos é o Trilhando com Fios, projeto desenvolvido pelo Instituto Riachuelo em parceria com o Senai-RN. A iniciativa será ampliada em 2026, com carga horária dobrada, e deve beneficiar mais de mil pessoas.

Em 2025, o projeto formou 800 pessoas e alcançou taxa de empregabilidade de 86%.

Ensinamos as operações de costura, a regulagem da máquina e a mecânica”, explica a diretora de Sustentabilidade da Riachuelo, Taciana Abreu.

Além dos empregos diretos na fábrica e no centro de distribuição, a Riachuelo mantém programas que movimentam a cadeia produtiva no interior do estado. Em 2025, a empresa gerou indiretamente mais 2,8 mil postos de trabalho em 94 oficinas de costura do programa Pró-Sertão.

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Segundo dados da companhia, o Pró-Sertão já injetou R$ 500 milhões na economia potiguar e gerou cerca de 3.500 empregos indiretos. O programa fortalece oficinas de costura espalhadas pelo interior e amplia a participação de pequenos negócios na produção ligada à moda.

Outra frente é o Agro-Sertão, que beneficiou 247 agricultores familiares desde 2021, com mais de R$ 1 milhão em renda gerada. A iniciativa, realizada junto ao Sebrae e à Embrapa, apoia a produção de algodão agroecológico.

O algodão foi exterminado do sertão no ano de 1986, depois teve a praga do bicudo e nunca mais foi plantado. Mais recentemente, voltamos a plantar algodão na região e temos aplicado isso nos nossos produtos”, explica Farber.

Instituto Riachuelo prevê R$ 8 milhões em investimentos

O Instituto Riachuelo, que completou cinco anos neste mês, investiu R$ 10 milhões em projetos nos últimos cinco anos. Para 2026, a previsão é de R$ 8 milhões em novos investimentos.

As ações também incluem iniciativas socioambientais, apoio ao empreendedorismo e valorização do artesanato potiguar. Entre os trabalhos citados está a atuação com as bordadeiras de Timbaúba dos Batistas, que ganharam visibilidade nacional por meio de projetos ligados à moda.

A gente tem levado isso muito a sério, desde as Olimpíadas, [até desfiles em semanas de moda]”, diz Taciana Abreu.

A diretora de Sustentabilidade também destaca o apoio da empresa a outras formas de artesanato local, com o objetivo de levar a moda potiguar a vitrines nacionais e valorizar a arte produzida no Rio Grande do Norte.

Fim da “taxa das blusinhas” preocupa a Riachuelo

Apesar da projeção de expansão no estado, a Riachuelo avalia que o fim da chamada “taxa das blusinhas” é prejudicial à indústria brasileira. Em entrevistas recentes à imprensa nacional, Farber mencionou o risco de demissões caso a medida persista.

Se a gente chegar à conclusão que esta decisão de acabar com a taxa das blusinhas será mantida, vamos ter que começar a demitir pessoas. Não tem milagre”, disse ao NeoFeed.

A medida provisória assinada pelo presidente Lula em 12 de maio acabou com a cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Na avaliação de entidades produtivas, a mudança beneficia empresas estrangeiras e prejudica a indústria brasileira.

Farber afirma que o setor têxtil nacional enfrenta uma carga tributária elevada. Segundo ele, o imposto de importação do setor é de 35%. Quando uma empresa brasileira importa materiais e produz seus itens no país, ainda incidem tributos como PIS/Cofins e ICMS.

O executivo disse que está “evitando responder que [o fim da taxa] vai afetar o emprego”.

Estamos lutando para continuar gerando empregos no Brasil, e hoje vivemos uma assimetria tributária que é muito grande”, afirmou.

Taciana Abreu também defende isonomia regulatória para os produtos importados, com exigências equivalentes às cumpridas pela produção nacional. “O mesmo cumprimento de legislação trabalhista, de legislação ambiental que o produto brasileiro precisa cumprir”.

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