Resumo da Notícia
A compra dos ovos de Páscoa em Natal vai exigir mais atenção do consumidor em 2026. Pesquisa realizada pelo Procon Natal identificou aumento de até 31,68% nos preços dos produtos em comparação com 2025, percentual muito acima da inflação oficial do país no mesmo período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que foi de 4,26%. O levantamento também encontrou diferenças expressivas de preço para um mesmo item, com variações que, em alguns casos, passam de 40% entre estabelecimentos da capital.
A pesquisa foi conduzida pelo Núcleo de Pesquisa do Procon Natal entre os dias 9 e 20 de março, com visitas a 24 estabelecimentos comerciais da capital, entre supermercados, hipermercados, atacarejos e lojas especializadas. Ao todo, foram analisados 40 tipos de ovos de chocolate das marcas Garoto, Lacta, Nestlé e Arcor, com gramaturas que variam entre 45 g e 560 g, além de caixas de bombons das mesmas marcas, com pesos entre 146 g e 250 g.
O objetivo do estudo foi orientar o consumidor para as compras da Páscoa e, ao mesmo tempo, mapear as diferenças de preços praticadas no mercado local. A íntegra do levantamento, com os endereços dos estabelecimentos visitados, está disponível na pesquisa completa do Procon Natal.
Os dados chamam atenção porque, além da alta anual, foi encontrada uma ampla oscilação de valores dentro da própria cidade. Isso reforça um ponto que o órgão destaca de forma prática: pesquisar antes de comprar deixou de ser uma recomendação genérica e passou a ser uma necessidade real para economizar.
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Produtos infantis e licenciados seguem entre os mais caros
Entre os itens mais procurados pelas crianças, continuam em destaque os ovos com embalagens coloridas, produtos licenciados e aqueles que vêm acompanhados de brinquedos. Justamente por isso, esses produtos também aparecem entre os de maior preço nas prateleiras.
Um dos exemplos citados no levantamento é o ovo Lacta Hot Wheels, encontrado por R$ 119,99 no maior preço e por R$ 84,99 no menor. A diferença chega a R$ 35,00, o que representa uma variação de 41,18%.
Esse tipo de oscilação ajuda a explicar por que o Procon insiste na comparação entre lojas. Em datas sazonais como a Páscoa, itens voltados ao público infantil costumam concentrar forte apelo comercial, o que amplia a distância entre os menores e maiores preços.
Exemplos mostram como o mesmo ovo pode custar muito diferente em Natal
A pesquisa traz casos concretos que mostram o tamanho dessa diferença. O ovo Garoto Negresco 240 g, por exemplo, foi encontrado por R$ 72,99 em um estabelecimento e por R$ 52,99 em outro. A distância entre os dois preços é de R$ 20,00, o equivalente a 37,74%. Em 2025, esse mesmo item era vendido entre R$ 43,99 e R$ 67,99.
Entre os produtos de maior valor, aparecem o Diamante Negro Laka 500 g e o Lacta Favorito 560 g, ambos localizados pelo maior preço de R$ 149,00. Ainda assim, o levantamento também registrou preços menores para os dois itens: R$ 114,00 e R$ 99,99, respectivamente. Nesse cenário, a diferença pode chegar a R$ 49,01 para o mesmo produto.
Mesmo com a elevação no quadro geral, o estudo registrou uma leve redução de 0,06% entre as semanas pesquisadas, movimento que pode estar ligado a promoções que costumam ganhar força nos dias que antecedem a Páscoa.
Custo por 100 gramas também subiu em 2026
Outro recorte importante da pesquisa foi o cálculo do preço médio do chocolate por 100 g. Em 2025, esse valor era de R$ 23,62. Em 2026, passou para R$ 27,13, o que representa aumento médio de R$ 3,50 a cada 100 g.
No detalhamento por marcas, a maior variação foi observada nos produtos da Lacta, seguida pela Nestlé e pela Garoto. Já a Arcor apresentou a menor variação.
O levantamento também verificou aumento nos preços médios das caixas de chocolate em praticamente todas as marcas. A maior alta foi registrada nos produtos da Garoto, seguida pela Nestlé e pela Lacta. A única exceção foi a Arcor, que apresentou leve redução, associada também à diminuição da gramatura.
Produção menor e custo do cacau ajudam a explicar a alta
Para o Núcleo de Pesquisa do Procon Natal, a elevação dos preços está ligada a uma combinação de fatores que pressionam o custo final dos produtos. Entre eles estão o aumento do custo do cacau, a variação cambial, o repasse de custos da indústria, além de problemas climáticos nas regiões produtoras.
O levantamento cita ainda dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), segundo os quais a produção de ovos de Páscoa caiu 22,4%, saindo de 58 milhões para 45 milhões de unidades em 2026. Esse encolhimento na produção também aparece como um dos elementos capazes de influenciar a alta dos preços ao consumidor final.
O Procon Natal orienta que o consumidor vá além do preço e observe detalhes essenciais no momento da compra. O órgão recomenda atenção ao prazo de validade, peso líquido, composição, condições da embalagem, presença do selo do Inmetro nos brinquedos, compatibilidade com a faixa etária e rotulagem em português nos produtos importados.
Como alternativa para gastar menos, o órgão sugere a escolha por ovos de chocolate caseiros, caixas de bombons ou o uso de aplicativos de comparação de preços. Também reforça uma regra importante nas relações de consumo: em caso de divergência entre o valor anunciado e o registrado no caixa, deve prevalecer sempre o menor preço.
O Procon informou ainda que seguirá monitorando o mercado durante todo o período da Páscoa e orienta o consumidor a denunciar eventuais irregularidades. O atendimento pode ser feito pelo e-mail do Procon Natal ou presencialmente na sede do órgão, na Rua Ulisses Caldas, 181, no bairro Cidade Alta.
