Pular para o conteúdo
Brasil

Porto de Natal conclui dragagem e amplia capacidade para receber navios maiores

Canal recuperou 12,5 metros de profundidade e passa a comportar embarcações de até 232 metros; próxima intervenção vai alterar a bacia de evolução e aguarda autorização do Idema.

CompartilheWAfX

Resumo da Notícia

  • A primeira etapa retirou aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de sedimentos acumulados no canal de acesso pelo Rio Potengi e recuperou a profundidade operacional de 12,5 metros.
  • A Codern informa que o limite operacional passa de navios com cerca de 202 metros para embarcações de até 232 metros de comprimento, ampliando as opções de armadores e serviços marítimos.
  • A segunda etapa prevê deslocar a bacia de evolução, usada para as manobras dos navios, para uma área mais próxima da Ponte Newton Navarro. O início depende de licença de alteração do Idema.
  • A melhoria ocorre enquanto o porto amplia negócios: em 2025, movimentou 495 mil toneladas, alta de 21,1%, e um novo terminal de granéis minerais arrematado neste ano prevê R$ 55,17 milhões em investimentos.

O Porto de Natal concluiu a primeira etapa da dragagem do canal de acesso pelo Rio Potengi, recuperando uma condição que interfere diretamente no tamanho dos navios que conseguem operar no terminal. Cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram retirados desde o início dos trabalhos, em 24 de abril, e a profundidade voltou de 10,5 para 12,5 metros.

Com o canal mais profundo, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) informa que o porto passa de uma condição operacional para navios de aproximadamente 202 metros de comprimento e 30 metros de largura para embarcações de até 232 metros, com largura entre 35 e 40 metros.

A mudança não significa apenas acomodar navios fisicamente maiores. No transporte marítimo, as dimensões permitidas no canal e na área de manobra influenciam as embarcações que os armadores conseguem colocar em uma determinada rota, a quantidade de carga transportada por escala e as alternativas comerciais disponíveis para exportadores e importadores.

A ficha técnica oficial do Porto de Natal mantida pela Codern já apresenta o canal com calado máximo recomendável de 12,5 metros. O acesso tem aproximadamente três quilômetros, largura de 100 metros nos segmentos retilíneos e 120 metros nas curvas.

Dragagem devolveu profundidade perdida com o assoreamento

O serviço concluído em agosto foi uma dragagem de manutenção. Ao longo dos anos, sedimentos transportados e depositados no estuário do Potengi reduzem a profundidade disponível para a navegação, exigindo retiradas periódicas para conservar as dimensões do canal.

Antes da intervenção, a profundidade havia caído para cerca de 10,5 metros. Isso impunha restrições ao porte das embarcações e à forma como determinados navios poderiam operar no terminal.

A última grande dragagem de manutenção do canal havia sido realizada em 2009. Em 2025, o problema chegou a exigir uma intervenção emergencial para retirar um banco de areia que dificultava a entrada de navios justamente antes do período de escoamento da safra de frutas.

Naquele momento, o Portal N10 acompanhou a dragagem emergencial realizada para garantir a navegação e o escoamento da produção de frutas. Meses antes, a Codern já havia lançado a licitação para uma intervenção estrutural no canal, com orçamento inicialmente estimado em R$ 54,5 milhões.

A licitação de R$ 54,5 milhões em abril de 2025 previa justamente recuperar os 12,5 metros necessários à operação de embarcações de maior porte.

Obra começou em abril e investimento chegou a R$ 60 milhões

A execução da dragagem começou efetivamente em 24 de abril deste ano. Na abertura dos trabalhos, o investimento informado para a intervenção era de aproximadamente R$ 60 milhões, com recursos federais vinculados à modernização da infraestrutura portuária.

O Portal N10 registrou naquele momento o início da obra de dragagem e o conjunto de investimentos previstos para o Porto de Natal.

A retirada dos sedimentos foi concluída no fim de agosto, dentro do prazo previsto para essa primeira etapa. Após a passagem da draga, os trabalhos incluem levantamentos batimétricos e conferências técnicas para verificar as profundidades obtidas ao longo da área dragada.

A recuperação do canal resolve uma das limitações físicas do acesso ao porto. Há, porém, outra etapa diretamente relacionada à capacidade de receber embarcações maiores: a área em que os navios realizam as manobras para atracar e deixar o terminal.

Próxima etapa vai alterar a bacia de evolução

A segunda fase prevê uma mudança na bacia de evolução, espaço utilizado pelos navios para girar e executar as manobras de entrada e saída do cais.

Hoje, essa área fica praticamente em frente às instalações portuárias. O projeto pretende deslocá-la para uma posição mais próxima da Ponte Newton Navarro, criando uma configuração mais adequada às dimensões das embarcações que a Codern busca incorporar às operações.

O início depende de uma licença de alteração ambiental do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema). A expectativa informada pela direção técnica da Codern é obter a autorização no começo de outubro.

Após o licenciamento, a previsão apresentada pela companhia é de até quatro meses para execução da segunda etapa.

Essa intervenção é particularmente importante porque profundidade e espaço de manobra precisam funcionar em conjunto. Recuperar o calado permite que um navio de maior porte atravesse o canal; a configuração da bacia determina as condições para que essa embarcação consiga manobrar com segurança dentro do estuário.

Capacidade maior chega quando movimentação do porto cresce

A dragagem ocorre em um momento de expansão da movimentação portuária em Natal. Dados oficiais do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que o terminal movimentou 495 mil toneladas em 2025, crescimento de 21,1% na comparação com o ano anterior.

O avanço foi ainda maior nas exportações, que cresceram 76,14%. A movimentação de longo curso — feita entre portos de países diferentes — atingiu 487 mil toneladas, alta de 38,2%.

O perfil das cargas ajuda a mostrar por que a capacidade do canal tem impacto econômico para além da área física do porto. Em 2025, o trigo respondeu por 50,2% da movimentação, seguido por frutas, com 27,6%, contêineres, com 14,5%, e açúcar, com 6%.

Melão, melancia, manga, mamão e uva estão entre os produtos exportados pelo terminal. Na direção contrária, o trigo ocupa posição central entre as importações. A Codern mantém ainda uma linha regular ligada ao mercado europeu e estrutura para contêineres refrigerados, importantes para a fruticultura exportadora.

Novo terminal prevê outros R$ 55 milhões em investimentos

A recuperação do canal também coincide com outra mudança estrutural no complexo portuário.

Em março, o terminal NAT01 foi arrematado pela Fomento do Brasil Mineração S.A. em leilão realizado pelo Governo Federal. O projeto prevê R$ 55,17 milhões em investimentos privados ao longo de um contrato de 15 anos.

A área terá 20,3 mil metros quadrados e será destinada principalmente à movimentação de granéis sólidos minerais. A capacidade dinâmica projetada chega a 1,8 milhão de toneladas por ano, volume várias vezes superior à movimentação total registrada pelo porto em 2025.

O projeto prevê pavimentação, sistema de drenagem para efluentes de minério, barreira contra vento, edificações de apoio, carregadores móveis de navios, balanças e outros equipamentos. Os detalhes constam no balanço oficial do Ministério de Portos e Aeroportos sobre o leilão do NAT01.

A entrada dessa operação acrescenta uma nova demanda à infraestrutura do Porto de Natal. Se o perfil atual é fortemente associado ao trigo, às frutas e aos contêineres, o novo terminal pretende abrir espaço para uma movimentação de granéis minerais em escala muito maior.

Canal mais profundo amplia opções, mas capacidade depende de todo o sistema

O Porto de Natal possui três berços de atracação, cerca de 600 metros de cais, área de 33 mil metros quadrados para armazenagem de contêineres e 448 tomadas destinadas a unidades refrigeradas. A Codern também trabalha na recuperação de armazéns, substituição de defensas do cais e implantação de geração fotovoltaica.

A dragagem atua na porta de entrada desse conjunto. Sem profundidade suficiente, navios maiores precisam operar com limitações de carga ou simplesmente não conseguem ser escalados para o terminal.

Com 12,5 metros novamente disponíveis no canal, a restrição diminui. A próxima mudança relevante será na área de manobras, que ainda depende do licenciamento ambiental.

A conclusão dessa segunda etapa permitirá avaliar o efeito completo da intervenção sobre as embarcações que efetivamente passarão a escalar Natal e sobre as novas cargas que o porto conseguirá disputar.

Continua após a publicidade
Rafael Nicácio
Sobre o autor

Rafael Nicácio

Proprietário, redator e editor

Co-fundador e redator do Portal N10, sou responsável pela administração e produção de conteúdo do site, consolidando mais de uma década de experiência em comunicação digital. Minha trajetória inclui passagens por assessorias de comunicação…

Ver perfil, credenciais e matérias