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Polícia Civil passa a intimar por WhatsApp quem está com celular roubado

Depois que a pessoa toma conhecimento de que o aparelho possui restrição, continuar deliberadamente com ele pode resultar em medidas criminais.
Polícia identifica celulares roubados em uso no RN e intima possuidores pelo WhatsApp
Polícia identifica celulares roubados em uso no RN e intima possuidores pelo WhatsApp - Crédito: PRIYO DWI SAPUTRO / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • A Polícia Civil do RN começou a intimar por WhatsApp pessoas que estão com celulares roubados ou furtados.
  • O único número informado para a Operação Última Chamada é +55 84 3190-0180.
  • Quem receber a intimação deve levar o aparelho voluntariamente à delegacia mais próxima.
  • A operação não cobra taxas nem solicita senhas, códigos bancários ou instalação de aplicativos.
  • O IMEI permite identificar o aparelho mesmo após a troca do chip e ajuda a localizar o atual possuidor.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte adotou uma nova estratégia para tentar recuperar celulares roubados e furtados que voltaram a circular no estado. Desde sexta-feira (7), pessoas identificadas como atuais possuidoras desses aparelhos começaram a receber intimações diretamente pelo WhatsApp, com orientação para comparecer a uma delegacia e entregar o dispositivo.

A iniciativa foi denominada Operação Última Chamada e é desenvolvida em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O objetivo não se limita à recuperação dos telefones: a polícia pretende atingir também o mercado que absorve aparelhos subtraídos e permite que celulares roubados ou furtados continuem sendo revendidos e utilizados.

Para o cidadão, o ponto que exige maior atenção é a autenticidade da mensagem. Segundo a Polícia Civil, o único número utilizado para as intimações dessa operação no Rio Grande do Norte é +55 84 3190-0180.

Recebi a mensagem da polícia. O que devo fazer?

A orientação da Polícia Civil é que a pessoa intimada compareça voluntariamente e o mais rapidamente possível à delegacia mais próxima, levando o telefone indicado na comunicação. Não é necessário procurar uma unidade policial específica mencionada na mensagem, já que a instituição informa que a entrega pode ser feita na delegacia mais próxima.

O aparelho será apresentado à autoridade policial para as providências cabíveis e posterior tentativa de devolução ao proprietário que registrou o roubo ou furto. A Polícia Civil informa que a apresentação espontânea e a entrega do celular demonstram a boa-fé de quem eventualmente adquiriu o equipamento sem conhecer sua procedência ilícita.

A medida é especialmente importante para quem comprou o telefone de outra pessoa, em feira, marketplace, rede social ou comércio de usados e não sabia que havia uma restrição. Depois de receber formalmente a informação de que o equipamento é produto de roubo ou furto, a situação passa a ser diferente: continuar deliberadamente com o aparelho pode levar à adoção de medidas legais.

Qual é o número oficial da Polícia Civil?

A Polícia Civil informou um único número para o envio das intimações da Operação Última Chamada:

InformaçãoDado oficial
CanalWhatsApp
Número+55 84 3190-0180
InstituiçãoPolícia Civil do Rio Grande do Norte
Motivo da mensagemAparelho identificado com registro de roubo ou furto
O que fazerLevar o celular à delegacia mais próxima
Pagamento pelo WhatsAppNão faz parte do procedimento anunciado

A identificação do número é importante porque criminosos podem tentar aproveitar a divulgação da operação para enviar mensagens falsas. A ação anunciada pela Polícia Civil tem como finalidade levar o aparelho a uma delegacia, e não cobrar multas, taxas ou valores por mensagem.

Por segurança, quem receber uma suposta intimação não deve fornecer senha bancária, código de autenticação, senha da conta Gov.br ou instalar aplicativos enviados por desconhecidos. Se a mensagem partir de outro telefone ou houver cobrança para “regularizar” o aparelho, a recomendação é não realizar qualquer pagamento e procurar diretamente uma unidade da Polícia Civil.

Como a polícia consegue saber quem está usando um celular roubado?

Um dos principais instrumentos utilizados é o IMEI, código numérico que funciona como uma identificação individual do aparelho. Diferentemente do número da linha, que muda quando um chip é substituído, o IMEI está associado ao próprio equipamento.

A nova estrutura do Programa Nacional Celular Seguro reúne informações no Banco Nacional de Celulares com Restrição. A base integra registros relacionados a aparelhos roubados, furtados ou extraviados e pode ser utilizada pelas forças de segurança na recuperação dos dispositivos.

Quando um telefone com restrição volta a se conectar à rede móvel com outro chip, informações vinculadas ao uso podem ajudar a identificar que o equipamento voltou a circular. A partir daí, as forças de segurança conseguem desenvolver procedimentos para localizar o aparelho e chegar ao atual possuidor.

Isso explica uma situação que pode surpreender quem comprou um telefone usado meses depois do crime: trocar o chip não elimina a identificação do aparelho pelo IMEI.

O que é IMEI e onde encontrar?

O IMEI, sigla para International Mobile Equipment Identity, possui normalmente 15 dígitos e funciona como uma espécie de identidade do aparelho na rede de telefonia móvel. Alguns telefones, especialmente modelos com dois chips ou eSIM, podem possuir mais de um IMEI.

A forma mais simples de consultar o código é abrir o aplicativo de telefone e digitar *#06#. O número também costuma aparecer na embalagem original, na nota fiscal e nas configurações do próprio dispositivo.

O Ministério da Justiça permite consultar gratuitamente se um celular possui restrição. O recurso é especialmente útil antes da compra de aparelhos usados.

Comprei o celular sem saber que era roubado. Posso ser preso?

A origem da compra e o conhecimento do comprador são elementos relevantes na análise de uma possível receptação. O Código Penal diferencia situações em que a pessoa sabe que o objeto é produto de crime daquelas em que, pelas circunstâncias da negociação, deveria desconfiar da origem.

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Na Operação Última Chamada, a Polícia Civil afirma que a pessoa que atender à comunicação e fizer a devolução voluntária do aparelho poderá demonstrar que estava de boa-fé e que desconhecia a restrição. É por isso que a instituição orienta o comparecimento imediato depois do recebimento da mensagem.

A própria estratégia cria uma espécie de marco importante: antes da intimação, o possuidor pode alegar que desconhecia a procedência; depois de ser oficialmente informado de que o telefone tem registro de roubo ou furto, insistir em permanecer com o equipamento passa a ter uma avaliação jurídica muito mais delicada.

Pena por receptação aumentou em 2026

Há uma atualização importante que deve ser considerada. O artigo 180 do Código Penal foi alterado em 2026 e a receptação simples passou a prever pena de dois a seis anos de reclusão e multa.

O texto atualmente considera receptação adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em benefício próprio ou de outra pessoa, um objeto que se sabe ser produto de crime. A legislação atualizada pode ser consultada diretamente no Código Penal publicado pelo Palácio do Planalto.

Existe ainda a chamada receptação culposa, aplicável quando alguém adquire ou recebe um objeto que, pela natureza, diferença entre preço e valor real ou pelas condições de quem está vendendo, deveria presumir ter origem criminosa. Por isso, comprar um celular muito abaixo do preço normal, sem documentação e de procedência duvidosa pode gerar problemas mesmo quando o comprador afirma que não sabia do roubo.

E quem tem nota fiscal ou comprovante da compra?

Quem adquiriu o celular acreditando que a negociação era legítima deve guardar todos os documentos disponíveis. Nota fiscal, recibo, comprovante de Pix, conversa com o vendedor, anúncio, perfil utilizado na negociação e demais registros podem ser importantes para demonstrar como o aparelho chegou às suas mãos.

Esses documentos também podem ajudar a polícia a investigar a cadeia anterior de comercialização. Uma pessoa pode ter sido enganada ao comprar um telefone usado e, ao mesmo tempo, possuir informações capazes de levar ao vendedor que colocou o aparelho roubado novamente no mercado.

Entregar o celular à polícia não impede o comprador de buscar posteriormente seus direitos contra quem lhe vendeu o produto de origem ilícita. Dependendo da situação, poderá haver tentativa de ressarcimento ou outras providências contra o vendedor.

Não tente esconder, revender ou repassar o aparelho

Depois de receber a intimação, vender o telefone para outra pessoa, escondê-lo ou tentar repassá-lo não resolve a situação. Além de o IMEI continuar identificado, essas condutas podem aumentar o problema jurídico.

O procedimento anunciado pela Polícia Civil oferece justamente uma oportunidade para que quem recebeu o aparelho sem conhecer sua origem interrompa voluntariamente a posse e apresente o equipamento à autoridade policial. A tentativa de continuar utilizando ou comercializando o celular depois da ciência da restrição pode ser considerada durante uma investigação.

O mesmo vale para tentativas de alterar identificadores do dispositivo. O cidadão intimado deve preservar o aparelho e apresentá-lo no estado em que se encontra.

Operação Última Chamada mira a cadeia de receptação

A recuperação do telefone é apenas uma parte da estratégia. A Polícia Civil pretende identificar também como aparelhos roubados ou furtados deixam as mãos dos autores dos crimes e reaparecem no comércio informal ou com novos usuários.

Esse mercado é relevante para a segurança pública porque a existência de compradores alimenta economicamente os roubos e furtos de celulares. Se aparelhos subtraídos deixam de encontrar compradores ou passam a ser rapidamente localizados quando voltam à rede, o valor comercial do crime tende a diminuir.

A Operação Última Chamada integra o Projeto Celular Seguro e aproveita uma estrutura nacional desenvolvida pelo Ministério da Justiça para reunir informações dos estados, operadoras e registros de aparelhos com restrição.

Como evitar comprar um celular roubado

A principal prevenção deve acontecer antes do pagamento. O comprador de um telefone usado pode exigir nota fiscal ou outro comprovante de procedência, conferir se os dados do vendedor são verdadeiros e desconfiar quando o preço estiver muito abaixo daquele encontrado normalmente para o mesmo modelo.

O passo mais importante é consultar o IMEI. No Celular Seguro, existe uma ferramenta gratuita que informa se há alerta de roubo, furto ou extravio associado ao aparelho. Se o telefone possuir dois IMEIs, todos devem ser verificados.

Uma consulta sem restrição reduz o risco, mas não substitui os demais cuidados. Um crime muito recente pode ainda não ter sido registrado pela vítima ou integrado à base. Por isso, procedência, documentação e identificação de quem vende continuam importantes.

E quem teve o celular roubado?

O Programa Celular Seguro também pode ser utilizado pela própria vítima. O sistema permite registrar o telefone, informar roubo, furto ou extravio e acionar mecanismos de proteção destinados ao aparelho, linha e serviços de instituições participantes.

O Ministério da Justiça também passou a reunir essas informações no banco nacional utilizado para consultas e recuperação. Registrar corretamente o IMEI no boletim de ocorrência aumenta a capacidade de relacionar o aparelho encontrado ou posteriormente utilizado ao verdadeiro proprietário.

Quem sofreu roubo ou furto não deve tentar recuperar sozinho um aparelho eventualmente localizado. A abordagem deve ser feita pelas autoridades policiais, evitando riscos de confronto com quem estiver na posse do dispositivo.

Quem receber a comunicação deve primeiro verificar se ela foi enviada pelo número oficial +55 84 3190-0180. Confirmada a origem, a orientação da Polícia Civil é comparecer o quanto antes à delegacia mais próxima, levando o celular mencionado na mensagem e, se disponíveis, documentos relacionados à compra ou à forma como o aparelho foi adquirido.

Não é necessário fazer pagamento pelo WhatsApp para devolver ou “regularizar” o dispositivo. Em caso de dúvida sobre a autenticidade da comunicação, a medida mais segura é procurar presencialmente uma unidade policial antes de fornecer dados adicionais.

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