O que sabemos sobre o caso do jovem morto por leoa após invadir recinto em zoológico de João Pessoa

A vítima foi identificada como Gerson de Melo Machado, de 19 anos. Ele tinha transtornos mentais e era conhecido por "vaqueirinho".
Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa
Parque Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa - Crédito: Direitos Reservados / Rafael Nicácio / Portal N10

Resumo da Notícia

A morte de um homem de 19 anos depois de invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa, no domingo (30/11), ocorreu durante o horário de funcionamento do parque e desencadeou questionamentos sobre a segurança do local e sobre as circunstâncias que possibilitaram o acesso ao espaço do animal.

O ataque foi registrado por visitantes que estavam no zoológico. Segundo a prefeitura de João Pessoa, o homem escalou uma parede de mais de 6 metros, passou por grades de proteção e usou uma árvore como apoio para acessar o recinto do animal. A leoa, que ficou “estressada” e em “choque” após o episódio, foi contida pela equipe técnica e segue em monitoramento.

O Portal N10 reuniu as principais informações sobre o caso para recapitular o que se sabe até o momento. Veja a seguir.

Como o homem entrou no recinto?

Caso do jovem morto por leoa em João Pessoa expõe falhas de acesso e acende alerta na Bica
Caso do jovem morto por leoa em João Pessoa expõe falhas de acesso e acende alerta na Bica

Vídeos feitos por visitantes mostram o homem subindo por uma estrutura lateral do recinto da leoa e, em seguida, usando a árvore interna da área do animal como apoio para entrar no recinto. Logo depois, ele é atacado pelo animal.

A versão oficial repete essa dinâmica. A prefeitura de João Pessoa informou, em nota, que o homem escalou uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança e alcançou o recinto utilizando a árvore como ponto de apoio. Ou seja, ele superou barreiras físicas que, em tese, deveriam impedir a aproximação do público à área de risco.

Qual a situação do parque no momento do incidente?

O ataque aconteceu enquanto o parque funcionava normalmente. O parque estava aberto desde as 8h e visitantes presenciaram o ataque, inclusive alguns fizeram vídeos do momento em que o homem entrou no local onde a leoa fica. O incidente ocorreu por volta das 10h do domingo.

Assim, havia circulação de público, com testemunhas em diferentes pontos da estrutura, o que ajudou a documentar a sequência de eventos desde a escalada até o ataque.

Quem é o homem morto por leoa em João Pessoa?

Vaqueirinho
Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu após entrar na jaula de uma leoa na Paraíba. — Foto: Reprodução

A vítima foi identificada como Gerson de Melo Machado, de 19 anos. De acordo com apuração da TV Cabo Branco, ele tinha transtornos mentais e era conhecido por “vaqueirinho”.

O poder público também se manifestou. A prefeitura também lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade à família da vítima, afirmando que o espaço segue normas técnicas e de segurança. Esse posicionamento coloca em foco o contraste entre a existência de normas e o fato de o acesso ao recinto ter sido concretizado.

Qual a causa da morte?

De acordo com o Instituto de Polícia Científica (IPC), o homem morreu por choque hemorrágico causado por ferimentos perfurantes e contundentes na região do pescoço.

A descrição aponta para a gravidade dos ferimentos sofridos e ajuda a explicar por que não houve possibilidade de reversão do quadro após o ataque da leoa.

Reação da leoa e monitoramento

Leona está saudável e não apresenta comportamento agressivo fora do contexto do ataque
Leona está saudável e não apresenta comportamento agressivo fora do contexto do ataque

No momento da invasão, a leoa estava deitada próxima ao vidro onde os visitantes observam o recinto. Ao perceber o homem entrando no espaço, ela contornou a área de água e avançou em direção a ele.

Quando o invasor descia pela árvore e alcançou uma altura ao alcance do animal, a leoa o puxou para o chão. O homem ainda corre por alguns metros, cai, e em seguida o animal aparece com o focinho sujo de sangue.

Após o ataque, a leoa ficou “estressada” e em “choque”, segundo o veterinário do parque, Thiago Nery. Ele explicou que o animal respondeu aos comandos de treinamento e pôde ser contido sem o uso de armas ou tranquilizantes, embora o processo tenha demorado devido ao estado de estresse.

A leoa está sendo monitorada por veterinários, biólogos e zootecnistas, e deverá seguir em acompanhamento nas próximas semanas. Esse acompanhamento envolve o comportamento, o nível de estresse e a resposta da leoa à rotina.

A leoa será sacrificada?

A direção do parque afastou essa possibilidade. Segundo a direção do Parque Arruda Câmara, a leoa, chamada Leona, está bem, foi avaliada imediatamente após o ataque e segue em observação devido ao alto nível de estresse causado pela invasão.

O parque reforçou que em nenhum momento houve a possibilidade de sacrificar o animal. De acordo com a equipe técnica, Leona está saudável e não apresenta comportamento agressivo fora do contexto do ataque, considerado uma reação instintiva diante da entrada de um intruso no recinto.”

Ainda segundo o parque, o protocolo para situações desse tipo prevê exatamente o que está sendo feito: monitoramento contínuo, avaliação comportamental e cuidados especializados.

Quais foram as medidas adotadas pelo parque?

Em resposta imediata, o funcionamento do zoológico foi interrompido. Após o ataque, o Parque Arruda Câmara teve as atividades no local suspensas por tempo indeterminado. O zoológico foi evacuado após as autoridades chegarem.

A suspensão da visitação garante espaço para as apurações e para a revisão de rotinas internas.

Quais os posicionamentos oficiais?

As autoridades municipais e os órgãos de fiscalização detalharam os próximos passos. A Prefeitura de João Pessoa abriu investigação para apurar as circunstâncias da invasão. Em nota, informou que a visitação ao parque está suspensa até a conclusão das apurações e dos procedimentos oficiais. O município reiterou que o invasor escalou uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança e usou uma árvore como apoio para acessar o recinto do animal.

A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) foram acionados e estiveram no local.

O caso também chegou ao Conselho Regional de Medicina Veterinária. O Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) também se pronunciou, lamentando a morte e afirmando que buscará esclarecimentos sobre os protocolos de segurança adotados no parque. O órgão informou que criará uma comissão técnica para avaliar as condições estruturais e operacionais da Bica e dialogar com a Prefeitura para reforçar medidas preventivas.

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