Mercado
Dólar R$ 5,1853 BCB Euro R$ 5,9674 Frankfurter Bitcoin R$ 329.001,00 0,17% Ethereum R$ 9.772,61 0,02% Solana R$ 394,43 0,32% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal Dólar R$ 5,1853 BCB Euro R$ 5,9674 Frankfurter Bitcoin R$ 329.001,00 0,17% Ethereum R$ 9.772,61 0,02% Solana R$ 394,43 0,32% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal

Operação Exchange: PF mira rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e bloqueia R$ 10,4 bilhões

PF deflagra Operação Exchange contra lavagem do tráfico, prende alvos de sanções dos EUA e bloqueia R$ 10,4 bilhões. Shimada segue foragido.
Agente da Polícia Federal de costas usando colete tático com a inscrição Polícia Federal
Foto: Divulgação/PF

Resumo da Notícia

  • A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange para desarticular rede de lavagem de dinheiro do tráfico internacional.
  • Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens e criptoativos dos investigados.
  • Ação cumpre mandados em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
  • Alvos da operação, Victor Shimada e Stella Stefanie, foram sancionados pelo governo dos EUA por ligação com o PCC.
  • Defesa de Victor Shimada nega envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3/7) a Operação Exchange, voltada a desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A Justiça determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.

Segundo a PF, mais de 50 policiais cumprem 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. As ações se concentram em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Até a manhã desta sexta, sete das onze prisões haviam sido cumpridas.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, incluída na quarta-feira (1º) na lista de sanções do governo dos Estados Unidos. O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também sancionado pelos EUA e apontado como líder do esquema, é considerado foragido.

De acordo com as investigações, os dois usavam codinomes para dificultar o rastreamento: Shimada era “o Japa” e Stella, “Lara Croft”. A apuração sustenta que ela organizava a coleta de dinheiro, enquanto ele fazia a ligação com traficantes ligados à facção no Brasil.

A conexão com o PCC vem das sanções dos EUA

Um ponto merece atenção: em sua nota oficial, a Polícia Federal não mencionou, nesta etapa, qualquer ligação da organização com facções criminosas. A associação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece nas sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA, que classificou os alvos como parte de uma rede internacional de lavagem investigada na Flórida.

Segundo as autoridades norte-americanas, Shimada seria o elo entre membros do PCC nos EUA e traficantes internacionais, tendo movimentado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 155 milhões) em recursos ilícitos por meio de criptomoedas. Stella é descrita como intermediária na coleta de valores e no apoio logístico às operações. Foram sancionados dois cidadãos brasileiros e empresas ligadas a eles.

No mesmo temaFlávio Bolsonaro inclui fim da reeleição presidencial no plano de governo

Como o esquema funcionava

Ainda de acordo com a PF, os investigados usavam um sistema estruturado para movimentar recursos: transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. A análise preliminar identificou movimentações superiores a R$ 10 bilhões.

No Brasil, Shimada já é investigado no caso VaideBet, que apura suposto desvio de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Ele também já foi alvo de um processo envolvendo o antigo Banco Votorantim, atual BV, relacionado a movimentações irregulares em serviços financeiros.

Por meio de nota, a defesa de Victor Shimada, representada pelo advogado Yuri Cruz, afirmou não ter tido acesso às decisões judiciais nem aos elementos que embasaram as medidas, o que impediria qualquer manifestação sobre o conteúdo. O empresário “nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”, diz o texto. A reportagem não localizou representantes de Stella Stefanie.

As investigações prosseguem. Os envolvidos poderão, em tese, responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de outros delitos eventualmente identificados no curso da apuração. Vale lembrar que se trata de fase investigativa e que os citados não foram condenados por esses fatos.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.