Mercado
Dólar R$ 5,2230 BCB Euro R$ 5,9910 Frankfurter Bitcoin R$ 327.914,00 -0,47% Ethereum R$ 9.785,98 -0,50% Solana R$ 388,04 -1,64% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal Dólar R$ 5,2230 BCB Euro R$ 5,9910 Frankfurter Bitcoin R$ 327.914,00 -0,47% Ethereum R$ 9.785,98 -0,50% Solana R$ 388,04 -1,64% Selic 14,00% a.a. BCB IPCA 0,07% mensal

Novo polo de petróleo pode elevar em até 30% o PIB do RN e recolocar estado no centro dos investimentos

Esse processo pode provocar a abertura de milhares de empregos diretos e indiretos. Só na fase de perfuração, a estimativa é de 500 a 1.000 pessoas envolvidas.
RN pode viver virada histórica com novo polo de petróleo e impacto bilionário na economia
Por intermédio de uma sonda, a Petrobras deve iniciar a perfuração do poço em junho, ação que deve durar até três meses| Foto: Divulgação/Petrobras

Resumo da Notícia

  • A renovação da licença para o poço Mãe de Ouro reacendeu as expectativas para a formação de um novo cluster petrolífero no Rio Grande do Norte.
  • O governo estadual estima que a produção de petróleo pode aumentar em até 30% o PIB do estado.
  • A Petrobras renovou a licença para perfuração dos poços Mãe de Ouro, Inhame e Taianga.
  • A construção de uma plataforma pode levar de três a quatro anos, com operações a partir de 2030.
  • O investimento no setor pode ultrapassar R$ 5 bilhões, impulsionando a cadeia de petróleo e gás.
  • A retomada do setor pode gerar demanda por profissionais de áreas como automação, mecânica e segurança do trabalho.

A possibilidade de formação de um novo cluster petrolífero no Rio Grande do Norte voltou a ganhar força após a renovação da licença de operação para o poço Mãe de Ouro, localizado a 52 quilômetros da costa de Areia Branca.

A avaliação do governo estadual é de que, se a viabilidade comercial do projeto for confirmada, o impacto econômico da produção de petróleo poderá chegar a 30% do Produto Interno Bruto do estado, numa mudança de escala capaz de recolocar o RN em posição estratégica no setor de óleo e gás.

A projeção foi apresentada por Hugo Fonseca, secretário interino de Desenvolvimento Econômico do RN, em um momento em que o estado tenta reverter um quadro de forte perda de produção. Em dezembro de 2025, o Rio Grande do Norte registrou o pior patamar de produção de petróleo e gás em 40 anos, com 33 mil barris, segundo a Agência Nacional do Petróleo. Se o novo cluster offshore se confirmar, a produção poderá alcançar até 100 mil barris por dia, volume de até três vezes maior que o registrado naquele período.

Renovação da licença reacende expectativa sobre o cluster offshore

Na última quinta-feira (26/03), a Petrobras renovou a licença de operação junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a perfuração dos poços Mãe de Ouro, Inhame e Taianga. Essas descobertas em águas profundas, somadas aos poços Pitu Oeste e Anhangá, são vistas como a base para a possível formação do novo polo petrolífero no estado.

Fonseca afirmou que a estatal já havia sinalizado ao Governo do Estado a presença de ocorrência de petróleo e a necessidade de avançar na perfuração para verificar a consistência econômica do projeto. A Petrobras já tinha indicado para o Governo do Estado que tinha encontrado ocorrência de petróleo e que precisava perfurar um terceiro poço para dar viabilidade. Para isso, precisava da autorização do Ibama, mas tinha a discussão ambiental, relata Fonseca.

A Petrobras deve iniciar em junho a perfuração do poço, utilizando uma sonda. O cronograma prevê até três meses de perfuração, seguidos por seis meses de análises técnicas e pela validação da viabilidade comercial junto à Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Caso a capacidade de produção seja confirmada, a expectativa é que a Petrobras avance para a construção de uma plataforma voltada à produção esperada. Esse movimento é apontado pelo governo como um marco no retorno dos investimentos mais robustos da companhia no Rio Grande do Norte.

Cobertura relacionadaCNH pode ser suspensa por 10 anos em acidente fatal com motorista alcoolizado

Segundo Hugo Fonseca, a construção dessa plataforma teria um prazo estimado entre três e quatro anos, o que pode abrir caminho para o início das operações entre 2030 e 2031, a depender da velocidade dos contratos e da logística de fabricação da unidade. A expectativa mencionada é de que as operações comecem em 2030, embora o cenário também admita avanço até 2031 conforme o andamento do projeto.

Investimento pode superar R$ 5 bilhões e abrir nova frente industrial

O volume de recursos projetado para esse novo momento do setor pode ultrapassar R$ 5 bilhões. A movimentação deve impulsionar a cadeia de petróleo e gás em duas frentes principais. A primeira é o aporte de R$ 1,5 bilhão destinado ao arrasamento de mais de mil poços terrestres, anunciado em reunião entre a Petrobras e o Governo do Estado na última semana. A segunda envolve outros R$ 2 bilhões voltados ao desenvolvimento do cluster offshore na Margem Equatorial potiguar.

O peso desse projeto ganha ainda mais relevância quando comparado à estrutura econômica já existente. Hoje, o setor de óleo e gás onshore, isto é, em terra, responde por cerca de 40% do PIB industrial do Rio Grande do Norte e participa com 23% da arrecadação de ICMS no estado, segundo levantamento do Sebrae-RN.

Empregos, qualificação e impacto na Costa Branca entram no radar

A possível retomada do protagonismo petrolífero do RN também projeta efeitos diretos sobre o mercado de trabalho. Segundo Rodrigo Mello, diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, o empreendimento pode abrir demanda por profissionais de áreas como automação, mecânica e segurança do trabalho.

Estamos aguardando o desenrolar da conclusão desses estudos de que trata a licença para que a companhia que vai explorar faça uma previsão de início de suas atividades. Assim que fizer, nós temos uma capacidade instalada muito interessante de profissionais voltados a esse setor, diz Mello.

A visão é semelhante à do SindiPetro-RN, que enxerga o poço Mãe de Ouro como possível “redenção do estado” em termos de produção e investimentos em óleo e gás. De acordo com o coordenador-geral da entidade, Marcos Brasil, a expectativa é que, após o início da exploração em junho e a confirmação do potencial produtivo, a Petrobras realize Testes de Longa Duração (TLD) para validar a consistência do reservatório.

Esse processo pode provocar a abertura de milhares de empregos diretos e indiretos. Só na fase de perfuração, a estimativa é de 500 a 1.000 pessoas envolvidas. Em uma etapa posterior, uma eventual produção comercial deve exigir sondas permanentes, construção de oleodutos e a contratação de fretes marítimos para transportar o óleo até as refinarias de Guamaré (RN) ou Abreu e Lima (PE).

Marcos Brasil também projeta um efeito em cadeia sobre outros segmentos da economia regional. Esse movimento vai aquecer o setor hoteleiro e de alimentação na Costa Branca, além de mais que dobrar a arrecadação de royalties e aumentar o ICMS e o ISS para o estado e municípios, projeta Marcos Brasil.

A leitura que se impõe hoje é clara: o projeto ainda depende da confirmação de viabilidade, mas o potencial econômico já recolocou o Rio Grande do Norte no mapa dos grandes debates sobre petróleo e gás. Se o cluster se consolidar, o estado pode não apenas recuperar parte da força perdida nos últimos anos, mas inaugurar uma nova fase de investimentos, arrecadação, empregos e peso industrial.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.