Currais Novos concentra 83,7% dos royalties da mineração no RN e arrecada R$ 6,9 milhões

Especialistas e representantes do setor defendem que o avanço da receita mineral seja transformado em planejamento de longo prazo, diversificação econômica, qualificação profissional, infraestrutura e investimentos estruturantes.
Aura Minerals
Aura Minerals / Divulgação

Resumo da Notícia

  • Currais Novos foi responsável por 83,7% da arrecadação total de royalties da mineração no Rio Grande do Norte entre janeiro e abril.
  • O município arrecadou R$ 6,9 milhões de um total estadual de R$ 8,3 milhões, impulsionado principalmente pela extração de ouro.
  • A exploração de tungstênio e a operação da mineradora Aura Minerals no projeto Aura Borborema são fatores chave para o desempenho econômico.
  • O secretário municipal David Narwith destaca que a receita mineral tem sido fundamental para investimentos em serviços públicos e infraestrutura.
  • Especialistas do Sebrae sugerem que o município utilize os recursos como uma poupança estratégica para garantir o desenvolvimento sustentável a longo prazo.
  • A Aura Minerals planeja ampliar suas reservas de ouro após acordo para realocação de um trecho da BR-226, visando aumentar a vida útil da mina.
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Currais Novos concentrou 83,7% de toda a arrecadação do Rio Grande do Norte com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) entre janeiro e abril deste ano. Dos R$ 8,3 milhões gerados no Estado com os chamados royalties da mineração, R$ 6,9 milhões vieram apenas do município seridoense, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

O desempenho coloca Currais Novos em posição de destaque na economia mineral potiguar e reforça o peso da exploração de ouro no resultado. Nos quatro primeiros meses do ano, o valor arrecadado pelo município já corresponde a 89,2% de tudo o que Currais Novos recolheu com royalties em 2025, quando a receita chegou a R$ 7,8 milhões.

A principal fonte da receita mineral em Currais Novos foi a exploração de ouro. O levantamento aponta que o mineral respondeu por R$ 6,6 milhões em royalties no período analisado. Em seguida aparecem o minério de tungstênio, com R$ 299,8 mil, e o granito, com R$ 34,2 mil.

MineralValor arrecadado em royalties
OuroR$ 6,6 milhões
TungstênioR$ 299,8 mil
GranitoR$ 34,2 mil

Na avaliação do titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Currais Novos, David Narwith, o resultado reforça a ligação histórica entre a mineração e o desenvolvimento local.

Receber o maior volume de repasses do Rio Grande do Norte demonstra a relevância da atividade mineral local, a força do nosso potencial geológico e a confiança que as empresas têm depositado em nossa cidade”, destaca.

Segundo o secretário, a arrecadação tem ampliado a capacidade de investimento do município em áreas essenciais, com impacto no fortalecimento dos serviços públicos e no planejamento urbano.

Nós entendemos que a mineração gera riqueza, emprego, movimenta a economia local e fortalece diversos setores”, completa.

Desafio é transformar receita mineral em desenvolvimento duradouro

Apesar do avanço na arrecadação, David Narwith reconhece que o principal desafio de Currais Novos é fazer com que a riqueza gerada pela mineração deixe resultados permanentes para a população. A avaliação é de que o momento exige investimentos estruturantes, qualificação profissional, infraestrutura, diversificação econômica e melhoria da qualidade de vida.

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A leitura é semelhante à do especialista em finanças do escritório regional do Sebrae, Sheyson Medeiros. Para ele, a alta arrecadação abre uma oportunidade histórica de planejamento de longo prazo e desenvolvimento sustentável.

Vivemos um novo momento da nossa economia e esse momento pode ser muito positivo para o nosso futuro, especialmente se pensarmos esses recursos como uma espécie de poupança estratégica (fundo soberano), semelhante ao que fizeram países da Península Arábica e Nórdicos ao transformar riquezas naturais em investimentos estruturantes.

Currais Novos tem a oportunidade de planejar o amanhã, diversificar sua economia, fortalecer o empreendedorismo, investir em inovação, qualificação profissional e preparar as próximas gerações para um novo ciclo de desenvolvimento que já chegou”, destaca.

Aura Minerals e tungstênio ajudam a explicar crescimento

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte (Sindminerais/RN), Mário Tavares, o crescimento da receita mineral em Currais Novos pode ser explicado por dois fatores principais: o aumento progressivo da produção da mineradora Aura Minerals e a exploração de tungstênio.

No caso do tungstênio, o dirigente lembra que o metal extraído da xelita tem despertado interesse global pela sua importância na produção de armamentos militares.

O mundo todo está correndo atrás do tungstênio. Com essa [constância] na produção e venda, temos um aumento espetacular na nossa mineração”, completa Mário Tavares.

Sobre a atuação da Aura Minerals, Tavares afirma que a mineradora deve manter ritmo de crescimento na produção até outubro ou novembro, quando deve alcançar o planejamento inicial. A partir desse ponto, a expectativa é de estabilização dos números.

Projeto Aura Borborema prevê ampliação de reservas

A Aura Minerals oficializou a exploração comercial de ouro em Currais Novos em outubro de 2025, dentro do projeto Aura Borborema. Em fato relevante publicado em 26 de fevereiro, a empresa informou ter celebrado um acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a realocação de um trecho da BR-226, que atravessa parte da Mina Borborema.

De acordo com o documento, a realocação deve ampliar em 670 mil onças de ouro a base de reservas minerais da empresa no Rio Grande do Norte. A estimativa é que a Aura alcance uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro durante os 20 anos e 5 meses de vida útil da mina, volume 82% acima do estimado anteriormente.

Quais municípios mais arrecadaram com royalties da mineração no RN?

No Rio Grande do Norte, ouro e tungstênio também respondem pela maior fatia do recolhimento via CFEM. Além de Currais Novos, aparecem entre os municípios com maiores volumes arrecadados Parnamirim, Baraúna e João Câmara.

MunicípioArrecadação com royalties
Currais NovosR$ 6,9 milhões
ParnamirimR$ 301.119
BaraúnaR$ 201.458
João CâmaraR$ 109.427

A diferença entre Currais Novos e os demais municípios evidencia a concentração da receita mineral no Seridó. Enquanto o Estado somou R$ 8,3 milhões no período, apenas Currais Novos respondeu por quase todo o volume, impulsionado sobretudo pela exploração de ouro.

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