Resumo da Notícia
A força-tarefa montada para localizar os cinco presos que fugiram da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, já recapturou dois fugitivos. As ações envolveram equipes da Polícia Penal e da Polícia Militar, após a fuga registrada na madrugada do dia 2 de maio, na maior unidade prisional do Rio Grande do Norte.
O primeiro preso recapturado foi Pedro Gabriel da Silva, de 20 anos. Ele foi encontrado na tarde desta quarta-feira (20), no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste de Natal, onde estava escondido na casa de parentes.
Em outra ação bem-sucedida da operação, também foi recapturado Jefferson Cleyton Lima da Silva, de 25 anos. Ele estava escondido em um sítio no município de Japi, localizado a 139 km de Natal.
Com as duas capturas, três fugitivos seguem sendo procurados:
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- Carlos Soares Alves da Silva;
- Maycon Dias Mora;
- Rodrigo da Silva Nascimento.
Pedro Gabriel foi levado à Central de Flagrantes
A recaptura de Pedro Gabriel da Silva contou com a participação de policiais da Central de Monitoramento Eletrônico (CEME), do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChoque).
Após ser localizado em Felipe Camarão, ele foi conduzido para a Central de Flagrantes da Polícia Civil e para a Polícia Científica. Em seguida, a previsão era de retorno ao sistema penitenciário.
A localização de Jefferson Cleyton Lima da Silva, em Japi, representou a segunda ação bem-sucedida em um intervalo de 12 horas dentro da operação criada para capturar os fugitivos de Alcaçuz.

A fuga aconteceu na madrugada de sábado, 2 de maio, entre 0h e 1h, mas só foi descoberta pela manhã, durante a contagem dos apenados nas celas.
Imagens divulgadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) registraram a movimentação dos cinco presos já do lado de fora do pavilhão 1 da penitenciária. No momento da fuga, chovia forte na região.
Segundo a Seap, os detentos danificaram a estrutura do sistema de ventilação para sair da cela. Depois, atravessaram um muro interno e usaram uma corda improvisada com lençóis, conhecida como “teresa”, para pular o muro principal da unidade, que tem mais de 5 metros de altura.
Uma semana antes da fuga em Alcaçuz, dois presos já haviam tentado escapar pelo sistema de ventilação de uma cela no presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica ao lado. Na ocasião, policiais penais de plantão e da Central de Rádio e Videomonitoramento impediram a fuga.
Secretário disse que fuga foi uma “surpresa”
O secretário de Estado da Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte, Helton Edi Xavier, afirmou que a fuga dos cinco presos foi uma “surpresa” para o sistema prisional.
Segundo a Seap, Alcaçuz não registrava fugas havia quase cinco anos. Já o presídio Rogério Madruga Coutinho, localizado ao lado, teve uma fuga em 2024.
“Apesar de ser uma unidade antiga, a gente vem fazendo alguns reparos na unidade e foi realmente uma surpresa para a gente“, disse.
Dois memorandos, enviados nos dias 20 de março e 2 de abril, pediram à Seap a manutenção de câmeras de monitoramento dos pavilhões 1, onde ocorreu a fuga, e 4.
Helton Edi Xavier afirmou que, apesar das falhas, não há áreas sem cobertura de imagem na unidade.
“Temos centenas de câmeras. Algumas podem ficar fora do ar, mas não há áreas sem cobertura de imagem. Quando uma falha, há outros ângulos que permitem o monitoramento“, completou.
A presidente do Sindicato de Policiais Penais do RN, Vilma Batista, afirmou que as 10 guaritas desativadas de Alcaçuz podem ter contribuído para que a fuga não fosse detectada no momento em que ocorreu.
“Os policiais, pelo baixo efetivo que tinha no posto, não tinham condições de visualizações. Também facilitou para essa fuga foram essas guaritas desativadas“, disse.
A fala reforça um ponto sensível da discussão sobre a segurança da unidade: mesmo com câmeras de monitoramento, a estrutura física e o efetivo disponível seguem no centro das cobranças após a fuga.
Alcaçuz foi palco da maior rebelião do RN
A Penitenciária de Alcaçuz carrega um histórico de forte impacto no sistema prisional potiguar. Em 2017, a unidade foi palco da maior rebelião da história do Rio Grande do Norte. Ao todo, 26 presos morreram, quase todos decapitados, e outros 56 fugiram. O episódio ficou conhecido como Massacre de Alcaçuz.
Criada em 1998, a penitenciária foi planejada como uma solução para os problemas da antiga Penitenciária Central Doutor João Chaves, conhecida como “Caldeirão do Diabo”, na Zona Norte de Natal.
Agora, com dois presos recapturados e três ainda foragidos, a operação segue concentrada na localização dos demais fugitivos e na apuração das circunstâncias que permitiram a saída dos detentos pelo pavilhão 1.
