Pesquisa expõe aperto no RN: 33% dos bares e restaurantes já operam no prejuízo

O aperto financeiro tem relação direta com a alta de insumos e custos operacionais, somada à dificuldade de repassar esses aumentos ao consumidor, seja pelo receio de perder clientela, seja pelo limite imposto pelo poder de compra do público.
Bares e restaurantes do RN entram 2026 pressionados e 33% já operam no prejuízo
Crédito: Minase / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • 33% dos bares e restaurantes do Rio Grande do Norte operaram no prejuízo em fevereiro de 2026, segundo pesquisa da Abrasel.
  • O cenário é pior que em janeiro, quando 25% dos estabelecimentos registraram perdas.
  • Aumento dos custos operacionais e dificuldade em repassar preços ao consumidor pressionam o setor.
  • Consumidores sentem perda de poder de compra, limitando o aumento de preços pelos estabelecimentos.
  • Abrasel RN, representada por Thiago Machado, expressa preocupação, mas mantém cautela sobre a recuperação do setor ao longo do ano.
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O setor de bares e restaurantes do Rio Grande do Norte começou 2026 em um cenário pior do que o esperado. Pesquisa da Abrasel no RN mostra que 33% dos estabelecimentos operaram no prejuízo em fevereiro, ampliando um sinal de fragilidade que já havia aparecido em janeiro.

O dado expõe um problema direto para o caixa das empresas: o movimento segue pressionado, os custos continuam subindo e boa parte dos negócios não consegue repassar essa conta ao consumidor sem arriscar perder clientela.

O quadro se agrava quando os números dos dois primeiros meses do ano são colocados lado a lado. Em janeiro, 25% dos bares e restaurantes já haviam fechado o mês no vermelho. Naquele mesmo levantamento, 45% dos empresários relataram queda na receita em comparação com dezembro de 2025. Agora, com um terço do setor operando no prejuízo em fevereiro, o início de ano confirma que a recuperação ainda não chegou ao ritmo que os empresários precisavam.

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Pressão sobre custos e dificuldade para reajustar preços travam reação

O problema central não está apenas no faturamento mais fraco dos primeiros meses, algo que o setor já conhece historicamente. O peso maior vem da combinação entre inflação sobre insumos, aumento dos custos operacionais e dificuldade de repasse para o preço final.

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Na prática, muitos bares e restaurantes do RN seguem espremidos entre duas pressões. De um lado, a operação fica mais cara. De outro, elevar preços além de certo limite pode afastar um consumidor que também sente perda de poder de compra e já escolhe com mais cautela onde e quanto gastar.

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A pesquisa mostra isso com clareza. Nos últimos 12 meses, 48% dos negócios conseguiram reajustar preços apenas em linha com a inflação ou abaixo dela. Outros 47% não fizeram qualquer reajuste. Esse dado ajuda a explicar por que a margem encolhe tanto: quando o custo sobe mais rápido do que a capacidade de repasse, o prejuízo deixa de ser exceção e passa a rondar a operação com mais frequência.

Abrasel vê começo de ano ruim, mas ainda fala em recuperação cautelosa

Para o presidente da Abrasel no RN, Thiago Machado, o retrato é de preocupação, embora sem abandono da expectativa de melhora ao longo de 2026. Não é um bom início de ano para o setor. Os primeiros meses historicamente apresentam movimento mais fraco, o que se soma às pressões de custo e à mudança no comportamento do consumidor. Ainda assim, há expectativa de alguma recuperação ao longo do ano, afirma.

A leitura faz sentido porque o setor de alimentação fora do lar depende de uma equação sensível: fluxo de clientes, tíquete médio e controle de custos. Quando essas três frentes se desequilibram ao mesmo tempo, o impacto aparece rápido no resultado mensal. Foi exatamente isso que os levantamentos da entidade mostraram no RN.

O dado de fevereiro, portanto, não deve ser lido como um tropeço isolado. Ele se encaixa em uma sequência de meses difíceis e reforça que o setor entra em 2026 sob forte compressão financeira. O problema não é só vender menos; é vender em um ambiente em que reajustar virou risco e absorver custos virou rotina. Para bares e restaurantes, esse é o tipo de combinação que transforma um início de ano fraco em alerta econômico real.

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