Resumo da Notícia
O policial militar Ronaldo Cabral Torres foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão pelo assassinato do personal trainer Paulo Henrique Araújo da Silva, morto aos 33 anos, em 29 de abril de 2022, após uma discussão de trânsito em Natal.
A sentença foi proclamada por volta das 16h20 desta segunda-feira, 4 de maio, ao fim da sessão do Tribunal do Júri realizada no Fórum Miguel Seabra Fagundes, na capital potiguar.
A sessão foi presidida pela juíza Eliana Marinho, titular da 1ª Vara Criminal de Natal. A pena deverá ser cumprida, inicialmente, em regime fechado. Os jurados reconheceram a culpa do réu após um dia de julgamento, que começou pela manhã e terminou no fim da tarde, depois dos debates entre acusação e defesa.
Paulo Henrique deixou três filhos, que atualmente têm 17, 8 e 6 anos.
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Como foi o julgamento no Fórum Miguel Seabra Fagundes
O Júri popular começou por volta das 9h desta segunda-feira (4/5), no Salão do Júri do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. A primeira etapa foi a escolha do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.
Ainda durante a manhã, foram ouvidas cinco testemunhas e o próprio réu. Por volta das 12h10, a sessão foi interrompida para o almoço e retomada cerca de uma hora depois.
À tarde, ocorreram os debates entre o Ministério Público e a defesa de Ronaldo Cabral Torres. Após a manifestação inicial da acusação, a defesa apresentou sua tese. Encerrada essa fase, os jurados se reuniram para deliberar. O resultado foi anunciado por volta das 16h20.
O crime aconteceu após discussão de trânsito
De acordo com a denúncia, Paulo Henrique Araújo da Silva trafegava de motocicleta com a namorada pela ponte de Igapó quando se envolveu em uma discussão após uma colisão com um carro ocupado pelo policial militar Ronaldo Cabral Torres, pela esposa dele e pelo filho do casal.
A briga de trânsito se estendeu até o bairro Nordeste, na Zona Oeste de Natal, onde Paulo Henrique foi baleado e morreu.
A esposa do réu, que também é policial militar, chegou a ser denunciada pelo Ministério Público sob a acusação de ter dado cobertura ao companheiro. No entanto, ela não foi julgada. A Justiça entendeu que não havia indícios suficientes nos autos de que ela tivesse contribuído para a morte da vítima, e o próprio Ministério Público requereu sua impronúncia.
Defesa alegou legítima defesa
Do lado de fora do fórum, policiais, familiares e amigos de Ronaldo Cabral Torres fizeram uma manifestação pedindo a absolvição do réu. O grupo usava faixas, cartazes e camisetas com mensagens de apoio.
A defesa sustentou, durante o caso, que o sargento teria agido em legítima defesa, alegando comportamento agressivo por parte da vítima.
“Passou, quebrou o retrovisor do carro. A moto estava sem placa. Ronaldo pediu para a esposa anotar a placa. Como não tinha placa, ele foi atrás dele para pagar o retrovisor. E foi atrás com essa finalidade, para que ele ressarcisse o dano causado. Quando entraram no bairro Nordeste, o indivíduo caiu, veio pra cima com a mão na cintura e Ronaldo desceu e efetuou um disparo de advertência“, disse o advogado de defesa Rodrigues Barreto.
O advogado também afirmou que Ronaldo teria pedido para Paulo Henrique tirar a mão da cintura antes do segundo disparo.
“Ronaldo disse que ele tinha um volume na cintura. E ele disse: ‘tire a mão da cintura, bote na cabeça, eu só quero o ressarcimento dos meus danos’. Ele baixou as mãos e correu para cima. Ronaldo efetuou o segundo disparo, o que culminou com o resutado da morte“, completou.
Mãe de Paulo Henrique relata sofrimento desde a morte do filho

A mãe de Paulo Henrique, Terezinha Pinheiro Araújo, afirmou que vive em sofrimento desde o assassinato do filho e que faz tratamento psicológico desde então.
“Meu filho era jovem de 33 anos, filho único, pai de 3 filhos, um homem trabalhador, sonhador. O sonho dele era uma academia, porque desde muito jovem esse era o trabalho dele. Serviu a Aeronáutica. Foi sempre uma pessoa do bem“, falou Terezinha Pinheiro Araújo.
A fala da mãe reforçou o impacto familiar deixado pela morte do personal trainer, que era filho único e sustentava projetos ligados à área em que trabalhava desde jovem.
Linha do tempo do julgamento
| Horário aproximado | Etapa |
|---|---|
| 9h | Início do Júri popular no Fórum Miguel Seabra Fagundes |
| Manhã | Escolha dos sete jurados, oitivas de cinco testemunhas e interrogatório do réu |
| 12h10 | Intervalo para almoço |
| Cerca de 1h depois | Retomada da sessão |
| Tarde | Debates entre Ministério Público e defesa |
| 16h20 | Resultado proclamado com condenação do réu |
