O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Polícia Civil investigam um caso de possíveis ofensas raciais contra um menino que vendia paçocas em um semáforo em Mossoró, na região Oeste potiguar. O episódio ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais.
A gravação mostra um grupo em um carro se aproximando do menino. Em determinado momento, um dos ocupantes simula interesse em comprar os doces, estende a mão para fora do veículo e tenta pegar as paçocas sem realizar o pagamento. Parte dos produtos acaba caindo no chão. Durante a ação, também são proferidas ofensas raciais contra a vítima, que seria menor de idade.
Após a divulgação das imagens, o caso provocou forte repercussão e passou a ser acompanhado por órgãos de proteção à infância e pela segurança pública.
O Conselho Tutelar informou que acionou a Polícia Civil e o Ministério Público. Segundo o órgão, há indícios de violações de direitos como exposição indevida de imagem, possível situação de trabalho infantil e atentado à dignidade da criança. Também foram relatados episódios semelhantes envolvendo as mesmas vítimas em ocasiões anteriores.
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Polícia Civil apura outras denúncias envolvendo os adolescentes
Além do episódio registrado em vídeo, a Polícia Civil informou que também investiga outras denúncias envolvendo o mesmo contexto. Segundo relatos, os meninos que vendiam paçocas teriam sido colocados no porta-malas de um veículo em uma ocorrência anterior.
O caso está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEA) de Mossoró, que já iniciou diligências para esclarecer os fatos, identificar os envolvidos e confirmar a veracidade das informações.
O Ministério Público informou, por meio de nota, que instaurou uma Notícia de Fato para apurar as denúncias de racismo envolvendo adolescentes.
A investigação está sob responsabilidade da 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró, que solicitou à Delegacia de Atendimento ao Adolescente Infrator a abertura de procedimento para identificação dos envolvidos e análise do caso.
Já a 12ª Promotoria de Justiça deverá atuar na rede de proteção social, diante das informações relacionadas à vulnerabilidade social e possível exploração do trabalho infantil.
O MPRN destacou ainda que o caso segue sob sigilo por envolver menores de idade.
Manifestação em frente a condomínio
Na tarde desta terça-feira (12), motoboys realizaram um protesto em frente a um condomínio onde, segundo informações repassadas nas denúncias, moraria um dos jovens envolvidos.
A manifestação reuniu dezenas de participantes que cobraram justiça e responsabilização pelo caso.
