Licença para usina de hidrogênio verde destrava projeto de R$ 12 bilhões em Areia Branca

A Brazil Green Energy pretende instalar uma planta com 500 MW de capacidade e produção estimada em 80 mil toneladas por ano.
Projeto de hidrogênio verde no RN avança com licença e ganha vitrine internacional na Alemanha
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Resumo da Notícia

  • Uma licença ambiental prévia do Idema abriu caminho para a implantação de uma usina de hidrogênio verde e amônia verde no Rio Grande do Norte.
  • O empreendimento, estimado em R$ 12 bilhões, será instalado em Areia Branca, dentro do Projeto Morro Pintado.
  • A licença foi apresentada na Hannover Messe 2026, na Alemanha, conferindo visibilidade internacional ao projeto.
  • A empresa Brazil Green Energy pretende implantar uma planta com 500 MW de capacidade e produção de 80 mil toneladas por ano.
  • A emissão da licença foi possível após a aprovação de uma resolução do Conema e a publicação do Atlas de Hidrogênio Verde pelo estado.
  • O hidrogênio verde é produzido por eletrólise, utilizando eletricidade de fontes renováveis como solar e eólica, com baixíssima emissão de carbono.
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Uma licença ambiental prévia emitida pelo Idema abriu caminho para a implantação de uma usina de hidrogênio verde e amônia verde no Rio Grande do Norte.

Segundo o governo estadual, o empreendimento está estimado em R$ 12 bilhões e será instalado em Areia Branca, no litoral potiguar, dentro do Projeto Morro Pintado. Até a última atualização, não haviam sido informados os prazos para início da construção nem para a operação da planta.

O documento foi apresentado nesta terça-feira (21) pelo diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), Werner Farkatt, durante a Hannover Messe 2026, na Alemanha, descrita no material como a maior feira de tecnologia industrial do mundo. A licença, porém, já havia sido entregue à empresa responsável pelo projeto em 10 de abril.

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O que o projeto pretende instalar no RN

A empresa Brazil Green Energy pretende implantar uma planta com 500 MW de capacidade instalada e produção estimada em 80 mil toneladas por ano. O projeto reúne duas frentes: hidrogênio verde e amônia verde, dois produtos que vêm ganhando espaço nas discussões sobre transição energética e descarbonização industrial.

A leitura do governo é que a emissão da licença não apenas autoriza o avanço inicial do empreendimento, mas também reforça a posição do estado como destino para projetos de grande porte ligados à nova economia energética.

Areia Branca entra na rota do hidrogênio verde com licença para usina bilionária
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A apresentação do documento em Hannover teve um peso que vai além do rito técnico. Segundo o governo, a licença foi exibida a investidores e empresas interessadas em participar do empreendimento, o que deu visibilidade internacional ao projeto.

No comunicado, o Executivo estadual afirmou: Em Hannover, a licença ganhou projeção internacional ao ser apresentada a investidores e empresas interessadas em participar do empreendimento, consolidando a segurança jurídica e a capacidade institucional do Rio Grande do Norte para receber projetos de grande escala.

Na prática, o movimento tenta mostrar que o Rio Grande do Norte não está apenas discutindo hidrogênio verde no campo das intenções, mas já entregando etapas formais para viabilizar investimentos concretos.

O que permitiu a emissão da licença

Segundo o governo do estado, a licença ambiental só foi possível depois da aprovação de uma resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), que passou a regulamentar a atividade de produção de hidrogênio verde no Rio Grande do Norte.

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Esse ponto é central porque mostra que o projeto não avançou apenas pela iniciativa empresarial, mas também por uma base regulatória criada no estado para dar segurança jurídica ao setor.

Além disso, o Rio Grande do Norte publicou neste mês o Atlas de Hidrogênio Verde, documento com informações técnicas voltadas à produção no território potiguar.

De acordo com Ranieri Rodrigues, pesquisador e engenheiro civil do Instituto Senai de Inovação e Energias Renováveis, o atlas reforça o tamanho do potencial local. Segundo ele, o documento mostra que, usando apenas 20% das áreas aptas, o estado já teria capacidade de superar a demanda projetada para 2040.

O número citado no material é expressivo: mais de 20 milhões de toneladas anuais de potencial de produção, diante de uma demanda esperada de 11 milhões.

A discussão sobre disponibilidade hídrica também aparece nesse contexto. Sobre o uso da água para a produção do hidrogênio verde, Ranieri explicou: o mapeamento já considerou o uso de água de reúso e dessalinizada, não dependendo de mananciais superficiais ou subterrâneos.

Essa observação tenta responder a uma das dúvidas mais frequentes em torno do hidrogênio verde no semiárido: de onde virá a água necessária ao processo produtivo.

O que é hidrogênio verde

O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, mas não aparece de forma isolada na natureza. Ele está sempre combinado com outros elementos, como ocorre na água, cuja fórmula, H₂O, é formada por duas partículas de hidrogênio e uma de oxigênio.

Para separar o hidrogênio, usa-se um processo chamado eletrólise, em que uma corrente elétrica divide o hidrogênio do oxigênio. Essa tecnologia não é nova. O material lembra, inclusive, que o hidrogênio ajudou a levar o homem à Lua, por ter sido um dos combustíveis usados pela Nasa nos foguetes do programa Apollo.

Hoje, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a maior parte da produção mundial de hidrogênio ainda vem do gás natural, que é um combustível fóssil.

Por que o hidrogênio verde virou aposta da transição energética

No cenário atual, o hidrogênio verde ganhou importância por causa da transição energética, ou seja, da substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes mais limpas.

O método de produção continua sendo a eletrólise. A diferença está na origem da eletricidade usada no processo. Quando essa energia vem de fontes renováveis, como solar ou eólica, o resultado é o chamado hidrogênio verde, produzido com baixíssima emissão de carbono.

É justamente nessa combinação entre capacidade renovável, regulação ambiental e atração de investimento que o governo do Rio Grande do Norte tenta posicionar o estado com o avanço do Projeto Morro Pintado.

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