Resumo da Notícia
O Rio Grande do Norte registra 93 homens para cada 100 mulheres, segundo a PNAD Contínua 2025, divulgada pelo IBGE na semana passada. O dado confirma a predominância feminina na composição populacional do estado, movimento que também aparece no restante do país.
No grupo com 60 anos ou mais, essa diferença fica ainda mais evidente: são 76 homens para cada 100 mulheres, quadro associado à maior longevidade feminina e aos efeitos acumulados da mortalidade masculina ao longo da vida.
No cenário nacional, a proporção é de 95 homens para cada 100 mulheres. Em alguns estados, o desequilíbrio entre os sexos entre os idosos é ainda mais intenso. No Rio de Janeiro, por exemplo, a faixa acima dos 60 anos registra 70 homens para cada 100 mulheres. Em São Paulo, o índice é igual ao potiguar nessa mesma faixa etária: 76 para cada 100.
Como a proporção entre homens e mulheres muda por idade no RN
A diferença entre os sexos no Rio Grande do Norte não é uniforme em todas as faixas etárias. Entre jovens de 18 a 19 anos, o estado tem 92,5 homens para cada 100 mulheres. No grupo de 20 a 24 anos, a proporção cai ainda mais, chegando a 85,1 homens para cada 100 mulheres.
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A única faixa em que há predominância masculina é a de 25 a 29 anos, com 106,3 homens para cada 100 mulheres. Depois disso, a maioria feminina volta a se impor. Entre pessoas de 30 a 39 anos, são 93,3 homens para cada 100 mulheres. Na faixa de 40 a 49 anos, o índice recua para 88,7. Já no grupo de 50 a 59 anos, a proporção sobe para 91,5, mas segue abaixo da paridade.
Essa distribuição mostra que a presença feminina se consolida principalmente a partir da vida adulta e se acentua na velhice, quando a distância entre homens e mulheres se torna mais expressiva.
A predominância feminina observada no Rio Grande do Norte não é um caso isolado. O padrão se repete em todas as regiões do Brasil e na maioria dos estados. As exceções apontadas pela pesquisa são Tocantins, com 105,5 homens para cada 100 mulheres; Mato Grosso, com 101,1; e Santa Catarina, com 100,2.
Ou seja, embora o país mantenha maioria feminina na composição populacional, ainda existem unidades da federação em que os homens aparecem em número ligeiramente superior ou praticamente em equilíbrio com as mulheres.
Censo de 2022 e série histórica reforçam maioria feminina
Os dados do Censo de 2022 ajudam a reforçar esse cenário. O Brasil tinha 104.548.325 mulheres e 98.532.431 homens, uma diferença de cerca de 6 milhões de mulheres a mais.
A série histórica também aponta estabilidade nessa composição. Em 2012, a população brasileira era formada por 48,9% de homens e 51,1% de mulheres, percentual que se manteve até 2018. Em 2019, houve uma pequena mudança para 48,8% de homens e 51,2% de mulheres, patamar que seguiu até 2024.
Esse histórico mostra que a maioria feminina não é um movimento recente ou pontual, mas uma característica persistente da estrutura demográfica brasileira.
Por que as mulheres se tornam maioria ao longo da vida
Fatores biológicos e sociais ajudam a explicar esse resultado. Embora os nascimentos masculinos sejam, em geral, superiores aos femininos em cerca de 3% a 5% no mundo, essa vantagem costuma permanecer apenas até aproximadamente os 24 anos. Depois disso, a população feminina passa a ser maioria.
Outro elemento importante está na expectativa de vida das mulheres, que é superior à dos homens. Esse cenário costuma ser associado, de modo geral, a uma maior frequência de cuidados com a saúde, alimentação e acompanhamento médico entre as mulheres, o que contribui para sua presença mais forte nas faixas etárias mais elevadas.
É justamente essa combinação entre dinâmica dos nascimentos, mortalidade e longevidade que ajuda a explicar por que a diferença entre homens e mulheres cresce com o avanço da idade.
A PNAD Contínua é uma pesquisa domiciliar e amostral realizada desde janeiro de 2012, “que acompanha as flutuações trimestrais e a evolução da força de trabalho, entre outras informações necessárias para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País”.
O instituto também registra que os dados de 2020 e 2021 sofreram impacto da pandemia de Covid-19. De acordo com o IBGE, houve queda acentuada das taxas de aproveitamento da coleta, sobretudo na primeira visita ao domicílio.
