Greve é aprovada e técnicos-administrativos da UFRN cruzam os braços a partir de segunda

Os defensores da greve sustentam que o governo tem apostado na desmobilização e que apenas a pressão coletiva pode garantir o cumprimento integral do acordo, incluindo pautas estruturais históricas como a jornada de 30 horas.
Técnicos-administrativos da UFRN aprovam greve e escancaram impasse com o governo
Foto: Sintest-RN

Resumo da Notícia

  • Técnicos-administrativos da UFRN aprovaram greve a partir de segunda-feira (23).
  • A decisão foi tomada em assembleia geral com 53,5% de votos favoráveis.
  • O principal motivo é o descumprimento de acordos firmados com o Governo Federal.
  • A exclusão de servidores aposentados do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) é um ponto central.
  • A categoria também reivindica a implementação da jornada de 30 horas.
  • O Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do RN lidera a mobilização.
Continua após o anúncio

A decisão está tomada e o recado foi dado de forma clara. Os técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) decidiram deflagrar greve a partir da próxima segunda-feira (23), após uma assembleia geral marcada por divisões internas, alertas políticos e críticas diretas ao descumprimento de acordos firmados com o Governo Federal.

A paralisação foi aprovada em votação realizada nesta quinta-feira (19), no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, com 68 votos favoráveis, o equivalente a 53,5% dos votantes. Houve ainda 53 votos contrários (41,7%) e sete abstenções (4,8%).

O pano de fundo da decisão é um desgaste acumulado. Segundo o Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior do RN, a categoria já estava há quase um ano em estado de greve, aguardando o cumprimento integral de 17 pontos de um acordo firmado com o governo, o que não ocorreu. O estopim para a retomada da paralisação foi a avaliação de que compromissos centrais ficaram pelo caminho, especialmente no que diz respeito ao Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).

Continua após o anúncio

Durante a assembleia, dirigentes sindicais e representantes da base reforçaram que, embora o RSC seja considerado uma das maiores conquistas recentes da carreira, a regulamentação atual deixou os servidores aposentados de fora, sob a justificativa de restrições orçamentárias. Para os defensores da greve, essa exclusão viola o princípio da paridade e cria uma divisão artificial dentro da própria categoria.

RSC, exclusões e o temor de retrocessos

Continua após o anúncio

Outro ponto que pesou no debate foi o alcance limitado do RSC. Estimativas apresentadas indicam que cerca de 60% dos técnicos-administrativos não poderão sequer requerer o benefício nos moldes atuais. Entre os que teriam direito, há o receio concreto de que parte significativa não consiga atingir a pontuação mínima exigida, o que, na prática, reduz drasticamente o impacto real da política.

No mesmo temaUFRN abre seleção para mestrado em Direito com 32 vagas e ingresso em 2026.2

Já o grupo contrário à greve alertou para efeitos colaterais imediatos. Um dos argumentos mais recorrentes foi o risco de atraso na implementação do próprio RSC, uma vez que a comissão responsável pela análise dos processos pode ter seu trabalho comprometido durante a paralisação. Também foram levantadas preocupações quanto ao cenário político nacional e ao possível desgaste da imagem da categoria junto à sociedade.

30 horas e pressão nacional entram no radar

Os defensores da greve, no entanto, sustentaram que a mobilização vai além do RSC. Para esse grupo, o governo estaria “apostando no esvaziamento da mobilização”, estratégia que, segundo eles, compromete a efetivação de direitos históricos.

Entre os pontos pendentes do acordo estão pautas estruturais, como a implementação da jornada de 30 horas para todos, protocolada em 2026 por entidades nacionais como o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado.

Para esse setor da categoria, sem pressão real, não há cumprimento de acordo, e a greve passa a ser vista não como um fim em si mesma, mas como o único instrumento capaz de recolocar a negociação em outro patamar.

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.