Governo do RN bloqueia R$ 497 milhões e culpa queda no FPE por frustração de receitas

O governo afirma que salários, educação, saúde e segurança estão preservados, e que o contingenciamento deve recair principalmente sobre investimentos e despesas que podem ser postergadas sem comprometer o funcionamento da máquina pública.
Secretário adjunto de Planejamento do Estado, José Dionísio Gomes
Secretário adjunto de Planejamento do Estado, José Dionísio Gomes

Resumo da Notícia

  • O Governo do Rio Grande do Norte publicou decreto de contingenciamento de R$ 497,4 milhões no orçamento estadual de 2026.
  • A medida foi motivada pela frustração de receitas, especialmente devido à queda nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
  • O Poder Executivo é o mais afetado, com um bloqueio de R$ 439,9 milhões, sendo o DER o órgão com maior limitação, totalizando R$ 334 milhões.
  • O governo assegurou que salários, saúde, educação e segurança pública estão excluídos do contingenciamento e seguem preservados.
  • O ajuste visa reduzir o déficit projetado de R$ 1,5 bilhão, priorizando a execução de despesas conforme o fluxo real de caixa do Estado.
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O Governo do Rio Grande do Norte publicou neste sábado (30), no Diário Oficial do Estado, um decreto de contingenciamento de R$ 497,4 milhões no orçamento estadual. A medida foi adotada após frustração de receitas nos primeiros meses de 2026 e busca ajustar a execução das despesas ao dinheiro que, de fato, entrou no caixa do Estado.

A maior parte do bloqueio temporário recai sobre o Poder Executivo estadual, responsável por R$ 439,9 milhões do total contingenciado. O restante será distribuído entre os demais Poderes e órgãos autônomos.

Em entrevista ao Portal N10, o secretário adjunto de Planejamento do Estado, José Dionísio Gomes, explicou que o contingenciamento foi necessário porque a arrecadação ficou abaixo do que havia sido projetado na elaboração do orçamento de 2026.

O ano passado nós fizemos um orçamento que previa determinados gastos para 2026, mas o fluxo de caixa, o que entra efetivamente no caixa, foi um pouco menor”, afirmou.

Segundo José Dionísio Gomes, a principal razão para a frustração de receitas foi a redução dos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O secretário afirmou que o FPE concentra quase toda a diferença entre o que o Estado esperava arrecadar e o que efetivamente entrou no caixa.

A maior frustração que nós tivemos era no FPE. O FPE é responsável por quase toda a frustração que a gente vai contingenciar, porque em agosto de 2025, a perspectiva do FPE era um pouco maior do que é hoje”, disse.

A explicação ajuda a entender o alcance do decreto. O contingenciamento não nasce de uma decisão isolada de corte linear, mas de uma tentativa de adequar a execução orçamentária ao comportamento real das receitas estaduais nos primeiros meses do ano.

DER concentra mais de R$ 334 milhões do bloqueio

O detalhamento publicado pelo governo mostra que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) concentra o maior volume de recursos submetidos ao contingenciamento. Sozinho, o órgão responde por mais de R$ 334 milhões do total limitado.

Outros órgãos também terão valores bloqueados temporariamente. Entre eles estão a Secretaria da Fazenda, com R$ 20,5 milhões; a Polícia Militar, com R$ 13 milhões; a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), com R$ 12,2 milhões; e a Secretaria de Infraestrutura, com R$ 8,4 milhões.

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Apesar do peso dos números, o governo afirma que a medida não significa cancelamento definitivo de ações ou investimentos. A leitura apresentada pela gestão é a de que o decreto funciona como uma limitação temporária de empenho, ajustando o ritmo dos gastos à arrecadação disponível.

Salários, saúde, educação e segurança ficam preservados, diz secretário

Ao Portal N10, José Dionísio afirmou que despesas essenciais não serão atingidas pelo contingenciamento. Segundo ele, salários e áreas consideradas fundamentais para o funcionamento do Estado estão fora do bloqueio.

Salários estão excluídos de contingenciamento. Todos os salários estão excluídos. Educação, saúde e segurança também, porque são as áreas essenciais para o funcionamento do Estado”, declarou.

O secretário também afirmou que o ajuste será direcionado principalmente a despesas que podem ser adiadas, especialmente investimentos que não comprometam a operação da máquina pública.

O nosso contingenciamento será em áreas que a gente pode diminuir, ou seja, postergar como algum tipo de investimento, mas em nada vai condicionar o funcionamento da máquina pública. Isso aí está garantido”, afirmou.

Déficit de R$ 1,5 bilhão já estava previsto no orçamento

O novo decreto ocorre em um cenário fiscal que já aparecia na própria peça orçamentária aprovada para 2026. O Orçamento Geral do Estado prevê receitas de aproximadamente R$ 25,5 bilhões e despesas estimadas em R$ 27 bilhões, o que representa um déficit projetado de cerca de R$ 1,5 bilhão.

José Dionísio afirmou que o governo trabalha com base no comportamento efetivo do caixa, e não apenas nas previsões feitas no momento de elaboração do orçamento.

Quando fizemos aquele orçamento, a gente estava fazendo projeções. Mas, como vocês estão vendo, a gente trabalha em cima de, efetivamente, recursos que passam pelo Caixa”, disse.

Segundo o secretário, o objetivo é reduzir as despesas ao longo da execução orçamentária para evitar que o déficit previsto se confirme ao final do ano.

As despesas também nós estamos reduzindo o máximo possível, de maneira que ao final do ano aquele déficit desapareça e a gente consiga realmente só gastar o que está dentro do Caixa”, afirmou.

Novo decreto substitui ajuste publicado em abril

O decreto publicado neste sábado substitui uma medida anterior, editada em abril, quando o Estado já havia feito ajustes após identificar frustração de receitas no primeiro trimestre de 2026.

Com a nova limitação de empenho, o governo amplia o bloqueio para adequar a programação orçamentária ao cenário mais recente da arrecadação. A medida mantém a pressão sobre os órgãos estaduais, especialmente sobre áreas com investimentos e despesas passíveis de postergação, mas preserva, segundo o governo, salários e serviços essenciais.

Na prática, o contingenciamento de R$ 497,4 milhões indica que o Executivo estadual tenta impedir que a diferença entre receitas e despesas se transforme em um desequilíbrio maior no decorrer do ano. O desafio será compatibilizar a redução de gastos com a manutenção dos serviços públicos e a execução de investimentos considerados estratégicos.

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