Resumo da Notícia
A movimentação de Carlos Eduardo Alves no tabuleiro político do Rio Grande do Norte ganhou um novo peso nesta terça-feira (31/03). Depois de quase três anos no PSD, o ex-prefeito de Natal se filiou ao União Brasil e passou a ser tratado dentro do grupo como uma possibilidade concreta tanto para a disputa ao Senado Federal quanto para uma candidatura a deputado estadual.
A confirmação partiu do presidente estadual da legenda, o ex-senador José Agripino Maia, que admitiu publicamente a articulação e reconheceu a força do nome do ex-prefeito no desenho de 2026.
A filiação ocorreu dias atrás, segundo Agripino. Após assinar a ficha do partido, Carlos Eduardo viajou de férias para o exterior. Mesmo fora do país, o gesto político foi suficiente para recolocá-lo no centro de uma discussão estratégica que já vinha sendo conduzida pelo União Brasil no Estado, especialmente dentro do projeto que tem como eixo a possível candidatura do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao Governo do Estado.
No cenário construído até agora, Carlos Eduardo aparece como uma alternativa para compor a chapa majoritária ao Senado. José Agripino foi direto ao confirmar essa possibilidade. “Procede. Uma alternativa que reputo exitosa, que reputo digna de apreciação”, disse o dirigente partidário, ao ser questionado sobre a chance de o ex-prefeito de Natal disputar uma das vagas senatoriais.
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União Brasil abre espaço para Carlos Eduardo em chapa ainda incompleta
A possibilidade de Carlos Eduardo disputar o Senado não surge por acaso. Em 2026, cada estado elegerá dois senadores, e a composição liderada pelo União Brasil ainda não fechou completamente esse espaço. Até aqui, o grupo só apresentou a candidatura à reeleição da senadora Zenaide Maia (PSD), o que deixa uma vaga em aberto para a formação da chapa.
É nesse ponto que o nome de Carlos Eduardo volta a ganhar densidade. Além da trajetória já conhecida no eleitorado potiguar, ele reaparece em um momento em que o União Brasil busca montar uma nominata competitiva e equilibrada tanto para a eleição majoritária quanto para as chapas proporcionais.
Agripino, no entanto, não restringiu o ex-prefeito a uma única missão eleitoral. Ao tratar do assunto, deixou claro que o movimento de filiação também tem valor político mais amplo, independentemente do cargo a ser disputado. “Ele tem as conveniências dele, mas deixou a ficha assinada, porque, em qualquer circunstância, mostra que ele pretende estar próximo do nosso grupo”, afirmou o ex-senador.
A frase é reveladora por dois motivos. Primeiro, porque confirma que a filiação não foi um gesto isolado ou meramente protocolar. Segundo, porque indica que o União Brasil quer manter Carlos Eduardo por perto mesmo que a definição final passe por outro caminho, inclusive uma candidatura à Assembleia Legislativa.
Ex-prefeito tenta reposicionamento após derrotas seguidas
A entrada no União Brasil também representa um novo reposicionamento para Carlos Eduardo depois de uma sequência de disputas sem vitória. Ele está sem mandato desde 2018, quando renunciou à Prefeitura do Natal para disputar o Governo do Estado. Naquela eleição, acabou derrotado por Fátima Bezerra (PT).
Quatro anos depois, voltou à cena em uma disputa majoritária, dessa vez pelo PDT, com apoio do PT, concorrendo ao Senado. Terminou em segundo lugar, atrás de Rogério Marinho (PL). Já em 2024, filiado ao PSD, tentou retornar ao comando da capital potiguar, mas ficou em terceiro lugar na eleição para prefeito de Natal, sem chegar ao segundo turno.
Esse histórico ajuda a explicar por que a nova filiação tem um peso político maior do que uma simples troca partidária. Carlos Eduardo volta a ser reposicionado não apenas como um quadro experiente, mas como alguém que ainda pode cumprir papel relevante numa engenharia eleitoral que exige nomes competitivos e reconhecidos.
Flávio Rocha saiu do radar e abriu espaço para nova costura
O retorno do nome de Carlos Eduardo ao debate sobre o Senado também ocorre depois da negativa do empresário Flávio Rocha, que havia sido sondado anteriormente para a vaga. Agripino revelou que chegou a conversar com ele, mas deixou claro que a tratativa não avançou.
“Conversei com Flávio há quatro semanas, depois mais não. Somos amigos, ele disse das conveniências dele e eu não insisti”, declarou.
A fala ajuda a compreender a dinâmica interna da construção da chapa. O União Brasil testou possibilidades, avaliou nomes e, diante da ausência de avanço com Flávio Rocha, passou a olhar com mais atenção para uma alternativa politicamente mais palpável dentro do cenário potiguar. É nesse vácuo que Carlos Eduardo volta a ser citado com mais consistência.
Agripino articula em Brasília enquanto Allyson acompanha agenda
Toda essa movimentação acontece em paralelo a uma agenda política em Brasília. Líder do União Brasil no Rio Grande do Norte, José Agripino está na capital federal para uma série de reuniões com a direção nacional do partido. Entre os compromissos, o ex-senador esteve com o presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, para discutir a formação das chapas de deputado estadual e deputado federal, além de tratar do repasse de verbas para o diretório potiguar.
Allyson Bezerra acompanha a agenda, o que reforça o tamanho do movimento em curso. Não se trata apenas da filiação de um ex-prefeito de Natal, mas de uma costura mais ampla, voltada à montagem de um grupo competitivo para 2026, com reflexos diretos sobre Governo do Estado, Senado e composição proporcional.
Nesse contexto, a chegada de Carlos Eduardo ao União Brasil ganha leitura dupla: de um lado, fortalece o leque de opções do partido; de outro, mostra que a legenda quer atrair nomes com capital político já testado nas urnas, mesmo depois de derrotas recentes. No jogo eleitoral, sobretudo em disputas majoritárias, poucas coisas pesam tanto quanto estrutura, memória eleitoral e capacidade de agregar.
O que se tem até aqui é um movimento confirmado, uma vaga em aberto no projeto majoritário e um nome que, goste-se dele ou não, segue sendo relevante no mapa político do Rio Grande do Norte. O cargo ainda não está definido, mas o recado da filiação já foi dado: Carlos Eduardo quer continuar no centro da disputa.
