Resumo da Notícia
O Rio Grande do Norte registrou 81.040 crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso, conforme dados parciais de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em 28 de maio de 2026. O número representa 39% das crianças avaliadas nessa faixa etária no estado, ou seja, 39 em cada 100 crianças apresentam sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.
Os dados têm como base o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde. A consulta pública pode ser feita pelo relatório público do SISVAN, na opção de estado nutricional, a partir dos registros antropométricos disponíveis na plataforma.
O alerta ganha força às vésperas do Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho. A data chama atenção para um problema crescente de saúde pública no Brasil e no mundo, com impacto direto na infância, na adolescência e na vida adulta.
Em entrevista ao Portal N10, a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto, afirmou que os dados mostram que a obesidade infantil deixou de ser um quadro isolado.
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“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca.
Brasil pode chegar ao 5º lugar mundial em obesidade infantojuvenil
O avanço da obesidade infantil não é um problema restrito ao Rio Grande do Norte. De acordo com dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode se tornar, até 2030, o 5º país do mundo com mais crianças e adolescentes obesos.
O estudo também aponta que, se não forem adotadas ações reais para mudar esse cenário, as chances de reversão são de apenas 2%.
No recorte nacional, os números já indicam a gravidade do quadro. Conforme o Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, com base em dados parciais de 2025 do SISVAN, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave.
Isso corresponde a 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade, cerca de 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, aproximadamente 6 em cada 100 crianças nessa mesma faixa etária.

Excesso de peso na infância aumenta risco de doenças crônicas
A obesidade infantil preocupa porque não se limita ao peso da criança no presente. O excesso de peso nos primeiros anos de vida pode ampliar o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, além de afetar a saúde emocional.
Entre as principais consequências apontadas estão o aumento do risco para diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. Também há impactos psicológicos, como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
Para a dra. Mariana Grigoletto, o acompanhamento pediátrico é uma etapa essencial para identificar alterações antes que elas se agravem.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo“a.
No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado, condição chamada de eutrofia. O número representa 62,80% do total, cerca de 63 em cada 100 crianças avaliadas.
Apesar de a maioria estar dentro da faixa adequada, o dado também revela um alerta importante: aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso, obesidade ou obesidade grave.
Esse cenário reforça a necessidade de prevenção desde a infância, com atenção à alimentação, rotina familiar, acompanhamento profissional e estímulo a hábitos saudáveis.
Ultraprocessados e bebidas açucaradas preocupam

As mudanças no padrão alimentar durante a infância têm reflexo direto nos indicadores de saúde e nutrição. Informações do SISVAN mostram que crianças consomem cada vez mais alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que crescem.
Esse avanço indica que hábitos alimentares não saudáveis se intensificam ao longo da infância, o que pode contribuir para o aumento do excesso de peso e da obesidade.
Segundo a pediatra, a prevenção passa por medidas diárias, como manter alimentação balanceada, ampliar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, e reduzir a ingestão de ultraprocessados e bebidas açucaradas.
A médica também destaca a importância da prática regular de atividade física e da limitação do tempo em frente a telas, incluindo celulares, televisões e outros aparelhos eletrônicos.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, complementa a dra. Mariana.
Rotina familiar tem papel direto na prevenção
Para a especialista, a obesidade infantil não deve ser observada apenas como uma condição individual da criança. O problema costuma envolver a rotina da família, os hábitos alimentares e o ambiente em que ela vive.
“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finaliza a dra. Mariana Grigoletto.
A fala reforça que a prevenção depende de ações consistentes e contínuas. Acompanhamento médico, alimentação adequada, atividade física e redução do consumo de ultraprocessados são medidas que, quando adotadas cedo, podem diminuir riscos futuros e melhorar a qualidade de vida das crianças.
