Excesso de peso atinge 39 em cada 100 crianças avaliadas no Rio Grande do Norte

Entre as principais consequências apontadas estão o aumento do risco para diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. Também há impactos psicológicos, como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.
Rio Grande do Norte registra 81.040 crianças com excesso de peso entre 0 e 9 anos
Rio Grande do Norte registra 81.040 crianças com excesso de peso entre 0 e 9 anos - Crédito: kwanchaichaiudom / Adobe Stock

Resumo da Notícia

  • O Rio Grande do Norte registrou 81.040 crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso em 2025.
  • O número representa 39% das crianças avaliadas pelo SISVAN no estado potiguar.
  • A pediatra Mariana Grigoletto alerta que a obesidade infantil é um desafio crescente de saúde pública.
  • O Brasil pode se tornar o 5º país com mais crianças obesas até 2030, segundo a OMS.
  • Especialistas recomendam alimentação in natura e redução de ultraprocessados para prevenção.
  • A rotina familiar e o acompanhamento pediátrico são fundamentais para evitar doenças crônicas futuras.
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O Rio Grande do Norte registrou 81.040 crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso, conforme dados parciais de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em 28 de maio de 2026. O número representa 39% das crianças avaliadas nessa faixa etária no estado, ou seja, 39 em cada 100 crianças apresentam sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.

Os dados têm como base o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde. A consulta pública pode ser feita pelo relatório público do SISVAN, na opção de estado nutricional, a partir dos registros antropométricos disponíveis na plataforma.

O alerta ganha força às vésperas do Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho. A data chama atenção para um problema crescente de saúde pública no Brasil e no mundo, com impacto direto na infância, na adolescência e na vida adulta.

Em entrevista ao Portal N10, a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), dra. Mariana Grigoletto, afirmou que os dados mostram que a obesidade infantil deixou de ser um quadro isolado.

Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca.

Brasil pode chegar ao 5º lugar mundial em obesidade infantojuvenil

O avanço da obesidade infantil não é um problema restrito ao Rio Grande do Norte. De acordo com dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode se tornar, até 2030, o 5º país do mundo com mais crianças e adolescentes obesos.

O estudo também aponta que, se não forem adotadas ações reais para mudar esse cenário, as chances de reversão são de apenas 2%.

No recorte nacional, os números já indicam a gravidade do quadro. Conforme o Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente, com base em dados parciais de 2025 do SISVAN, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave.

Isso corresponde a 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com obesidade, cerca de 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, aproximadamente 6 em cada 100 crianças nessa mesma faixa etária.

Arte / Portal N10

Excesso de peso na infância aumenta risco de doenças crônicas

A obesidade infantil preocupa porque não se limita ao peso da criança no presente. O excesso de peso nos primeiros anos de vida pode ampliar o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, além de afetar a saúde emocional.

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Entre as principais consequências apontadas estão o aumento do risco para diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares. Também há impactos psicológicos, como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.

Para a dra. Mariana Grigoletto, o acompanhamento pediátrico é uma etapa essencial para identificar alterações antes que elas se agravem.

É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo“a.

No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças apresentavam peso adequado, condição chamada de eutrofia. O número representa 62,80% do total, cerca de 63 em cada 100 crianças avaliadas.

Apesar de a maioria estar dentro da faixa adequada, o dado também revela um alerta importante: aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso, obesidade ou obesidade grave.

Esse cenário reforça a necessidade de prevenção desde a infância, com atenção à alimentação, rotina familiar, acompanhamento profissional e estímulo a hábitos saudáveis.

Ultraprocessados e bebidas açucaradas preocupam

Arte / Portal N10

As mudanças no padrão alimentar durante a infância têm reflexo direto nos indicadores de saúde e nutrição. Informações do SISVAN mostram que crianças consomem cada vez mais alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que crescem.

Esse avanço indica que hábitos alimentares não saudáveis se intensificam ao longo da infância, o que pode contribuir para o aumento do excesso de peso e da obesidade.

Segundo a pediatra, a prevenção passa por medidas diárias, como manter alimentação balanceada, ampliar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, e reduzir a ingestão de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

A médica também destaca a importância da prática regular de atividade física e da limitação do tempo em frente a telas, incluindo celulares, televisões e outros aparelhos eletrônicos.

Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, complementa a dra. Mariana.

Rotina familiar tem papel direto na prevenção

Para a especialista, a obesidade infantil não deve ser observada apenas como uma condição individual da criança. O problema costuma envolver a rotina da família, os hábitos alimentares e o ambiente em que ela vive.

Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finaliza a dra. Mariana Grigoletto.

A fala reforça que a prevenção depende de ações consistentes e contínuas. Acompanhamento médico, alimentação adequada, atividade física e redução do consumo de ultraprocessados são medidas que, quando adotadas cedo, podem diminuir riscos futuros e melhorar a qualidade de vida das crianças.

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