Resumo da Notícia
A pesquisa Atlas/94FM divulgada nesta sexta-feira (29) mostra Cadu Xavier (PT) numericamente à frente na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026, mas o ponto mais importante do levantamento pode estar logo abaixo da liderança: Allyson Bezerra (União Brasil) e Álvaro Dias (PL) aparecem tecnicamente empatados na briga pela segunda posição, em uma disputa que pode definir o desenho de um eventual segundo turno no estado.
No cenário estimulado de primeiro turno, Cadu aparece com 37,7% das intenções de voto. Allyson registra 27,6%, enquanto Álvaro soma 27,3%. Robério Paulino (PSOL) aparece com 0,1%. Brancos e nulos são 5,9%, e 1,3% dos entrevistados não souberam responder.
A diferença entre Allyson e Álvaro é de apenas 0,3 ponto percentual, muito abaixo da margem de erro de 3 pontos percentuais informada pela Atlas. Por isso, o dado correto não é dizer que um está à frente do outro, mas que os dois aparecem em situação de empate técnico na fotografia captada pelo levantamento.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 27 de maio de 2026, com 962 entrevistados no Rio Grande do Norte. O levantamento mede intenção de voto para as eleições de 2026, além de avaliação presidencial e estadual, segundo a AtlasIntel.
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Por que a disputa pelo segundo lugar é tão importante?
A liderança de Cadu Xavier chama atenção, mas a eleição estadual não se resume ao primeiro colocado. Em um cenário com possibilidade de segundo turno, a disputa pela segunda vaga pode ser decisiva para definir o rumo da campanha.
Na prática, a pesquisa mostra duas disputas acontecendo ao mesmo tempo. A primeira é pela dianteira do primeiro turno, hoje ocupada por Cadu na simulação da Atlas. A segunda é pela vaga de adversário em eventual segundo turno, onde Allyson e Álvaro aparecem praticamente colados.
Essa leitura é importante porque o comportamento do eleitor muda conforme o confronto. Não é a mesma coisa um segundo turno entre Cadu e Allyson, Cadu e Álvaro ou Allyson e Álvaro. Cada cenário reorganiza apoios, rejeições, estratégias e o peso de temas como continuidade, oposição, experiência administrativa e alinhamento político.
Segundo turno contra Allyson é o cenário mais apertado para Cadu
Nas simulações de segundo turno, a Atlas mostra Cadu Xavier e Allyson Bezerra em disputa bastante equilibrada. O petista aparece com 40,5%, enquanto o ex-prefeito de Mossoró registra 39,1%. Brancos, nulos e indecisos somam 20,5%.
Esse é o cenário mais apertado entre os confrontos testados com Cadu. A diferença de 1,4 ponto percentual entre os dois também fica dentro da margem de erro, o que indica empate técnico.
Esse dado ajuda a explicar por que a disputa entre Allyson e Álvaro no primeiro turno ganha peso estratégico. Se Allyson for o adversário de Cadu em um eventual segundo turno, a pesquisa sugere uma disputa mais nivelada na fotografia atual.
Contra Álvaro, Cadu aparece com vantagem maior
No confronto entre Cadu Xavier e Álvaro Dias, o cenário é diferente. A Atlas mostra Cadu com 47,6%, contra 34,9% de Álvaro. Brancos, nulos e indecisos somam 17,5%.
Nesse caso, a distância entre os dois é maior. A simulação indica vantagem numérica mais confortável para Cadu em comparação ao cenário contra Allyson.
Isso não significa que Álvaro esteja fora da disputa. O ex-prefeito de Natal aparece tecnicamente empatado com Allyson no primeiro turno e segue competitivo na briga pela segunda posição. Mas, dentro dos cenários testados pela Atlas, o desempenho de Cadu varia de forma relevante conforme o adversário.
Allyson e Álvaro disputam mais do que uma posição
A briga entre Allyson e Álvaro não é apenas uma disputa por número. Ela envolve também dois perfis políticos diferentes.
Allyson chega ao cenário estadual com a força de ex-prefeito de Mossoró, principal cidade do Oeste potiguar e segundo maior município do Rio Grande do Norte. Álvaro carrega a experiência de ex-prefeito de Natal, maior colégio eleitoral do estado.
Essa diferença territorial ajuda a explicar por que a disputa entre os dois pode ser uma das mais importantes da pré-campanha. Para chegar ao segundo turno, ambos precisam ir além de suas bases originais e construir presença estadual. O desafio não é apenas ser lembrado em Mossoró ou Natal, mas conquistar votos em regiões diferentes do Rio Grande do Norte.
A pesquisa Atlas não deve ser lida como definição final desse processo. Ela mostra uma fotografia do momento. Ainda assim, a proximidade entre Allyson e Álvaro indica que a campanha pelo segundo lugar tende a ser intensa.
Cadu lidera, mas ainda depende do adversário
A liderança de Cadu Xavier no primeiro turno coloca o petista em posição favorável na pesquisa, mas os cenários de segundo turno mostram que o adversário faz diferença. Contra Allyson, há empate técnico. Contra Álvaro, Cadu aparece com vantagem maior.
Esse é o ponto central da leitura: a eleição pode não ser decidida apenas por quem lidera agora, mas por quem consegue se consolidar como principal adversário de Cadu.
Se Allyson e Álvaro continuarem tecnicamente empatados, a pré-campanha deve girar em torno de uma pergunta: quem terá mais força para ocupar o espaço de alternativa ao campo governista?
Essa disputa envolve fatores que ainda podem mudar: alianças, tempo de exposição, articulação regional, apoios municipais, comunicação digital, desempenho em Natal, força no interior e capacidade de reduzir rejeições.
O que a pesquisa permite dizer com segurança
A Atlas permite afirmar que Cadu Xavier aparece numericamente à frente no primeiro turno da disputa pelo Governo do RN. Também permite dizer que Allyson Bezerra e Álvaro Dias estão tecnicamente empatados na segunda posição, sem vantagem estatística clara de um sobre o outro.
A pesquisa também permite observar que os cenários de segundo turno não têm o mesmo comportamento. Cadu aparece empatado tecnicamente com Allyson e em vantagem mais ampla contra Álvaro.
O levantamento não permite cravar resultado eleitoral, nem afirmar que a campanha já está definida. Pesquisas são fotografias de um momento específico, especialmente quando realizadas antes do período oficial de campanha.
O que ainda pode mudar até 2026
A disputa pelo Governo do RN ainda depende de fatores que podem alterar o cenário. A consolidação de candidaturas, a formação de chapas, o apoio de prefeitos, a presença nos municípios, o tempo de campanha, a avaliação dos governos e o ambiente nacional podem interferir na decisão do eleitor.
Por enquanto, a Atlas mostra um quadro com Cadu na dianteira e uma disputa muito apertada entre Allyson e Álvaro. Essa segunda disputa, menos óbvia do que a liderança, pode ser justamente a mais importante para entender o rumo da eleição estadual.
Se a tendência de empate técnico entre os dois se mantiver, cada ponto conquistado por Allyson ou Álvaro no primeiro turno pode ter peso direto na definição de quem enfrentaria Cadu em uma eventual etapa final.
